São Bernardo inicia projeto “Jogo Elos”

Programa é uma proposta lúdica realizada nas atividades escolares para alunos de 6 a 10 anos e busca fortalecer alunos com prevenção ao álcool e outras drogas

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Com o objetivo de incentivar a cooperação e a aceitação entre os estudantes do Ensino Fundamental, assim como trabalhar a prevenção ao uso abusivo de álcool e de outras drogas, escolas da rede municipal de São Bernardo do Campo estão aplicando o Jogo Elos (de união, como correntes) nas salas de aula. A iniciativa faz parte do programa do Governo Federal “Crack, é Possível Vencer” — envolve vários ministérios – e ainda se trata de projeto piloto desenvolvido também nas cidades de Tubarão e Florianópolis (SC) e na Capital São Paulo.

O jogo consiste em o professor sair de cena da sala de aula durante dez minutos e deixar os alunos responsáveis por uma atividade, seja um texto ou um desenho. Nesse intervalo de tempo, os estudantes são separados em grupos e devem respeitar quatro regras de convivência: expressar-se de forma adequada, respeitar o outro, seguir o acordo sobre os lugares e as instruções da atividade.

Segundo a consultora técnica de gabinete da Secretaria de Educação Christiane Barros, durante o jogo os alunos têm maior interação e dividem a responsabilidade para garantir e cobrar a participação de cada um na atividade. “Cada grupo tem um líder e, caso uma das regras não seja cumprida, o professor registra e no final do jogo conversa com todos os alunos”, disse.

A ação está atrelada ao programa federal de prevenção às drogas e tem, entre os principais objetivos, fortalecer a personalidade das crianças para dizerem não no caso de lhes oferecerem álcool ou outras drogas. “Trabalhamos a prevenção, mas não se fala sobre drogas durante a ação. A ideia é que esses alunos fiquem mais seguros”, afirmou o chefe da Divisão Técnico Assistencial da Secretaria de Saúde José Carlos Alves.

Para ser implementado no município, gestores da Secretaria de Educação participaram de capacitação em Brasília para que pudessem ser multiplicadores com os professores da rede. A aplicação da atividade em sala não compromete o planejamento das aulas.

A ação foi adotada em 2013 e hoje é aplicada em três unidades educacionais de São Bernardo: as Escolas Municipais de Educação Básica (Emebs) Professor Florestan Fernandes, Marineida Meneghelli de Lucca e CEU Celso Daniel. Até o momento, cerca de 280 alunos de 6 a 10 anos participaram.

O jogo, desenvolvido e aplicado nos Estados Unidos nos anos 1960, mostra que os resultados permanecem até a idade adulta. “Há uma melhora na relação entre os alunos e diminuição nos conflitos em sala de aula”, destacou Christiane.

Para a professora da Emeb Professor Florestan Fernandes Elenice Santos Boss, a experiência com o jogo Elos em sala de aula tem sido positiva, pois ajudou um dos alunos nas atividades escolares. “Trata-se de um aluno que tem certo problema de aprendizagem, mas com o jogo começou a desenvolver melhor as lições”, relatou.

Elenice também destacou que os alunos tímidos passam a interagir mais com os colegas: “Há uma espécie de inversão de valores. Os mais calados passam a interagir mais com os colegas e os mais dispersos ficam mais centrados. Além disso, os alunos seguem as regras do jogo, mesmo quando não estão jogando. Há um ganho nas atitudes deles”, salientou.

#tamojunto – Também implementado no município como projeto piloto em 2013, o #tamojunto, outra ação do programa “Crack, é Possível Vencer”, é direcionado a estudantes de escolas estaduais na faixa etária de 13 e 14 anos. No último dia 22, teve início a terceira fase da atividade em seis unidades educacionais da cidade.

Nesse caso, os alunos participam de 12 aulas de 50 minutos, nas quais são abordados temas como relacionamento entre alunos, com professores e como se portar em momentos de pressão para uso de drogas ilícitas. “O programa não garante que o adolescente nunca irá usar drogas, mas ajuda a atrasar o primeiro contato e fortalece o adolescente a não ter o primeiro uso”, destacou o chefe da Divisão Técnico Assistencial da Secretaria de Saúde José Carlos Alves.

Esta é a terceira fase do #tamojunto no município, que chegou a 17 escolas estaduais, sendo que em algumas o programa teve continuidade. Para cada unidade, há uma Unidade Básica de Saúde (UBS) como referência. “Um profissional de Saúde faz reunião com os pais para que possamos conhecer melhor a realidade de cada aluno. Além disso, dá apoio aos professores caso seja identificado algum caso de uso de drogas ou álcool”, disse Alves.

Para medir a eficiência do programa no longo prazo, a Universidade Federal de São Paulo (Unifesp) fará o acompanhamento técnico cientifico do programa durante cerca de dois anos, para avaliar a efetividade do programa e analisar se está adaptado à realidade brasileira. “Porém, pais e professores nos relatam que os alunos que participam estão mais estudiosos, mais atenciosos e preocupados com as tarefas escolares”, destacou o chefe da Divisão Técnica Assistencial.

  • Publicado: 29/01/2026
  • Alterado: 29/01/2026
  • Autor: 30/09/2014
  • Fonte: FERVER