Catalá cita apagão e pede racionalidade para o São Bernardo FC

Técnico do Bernô analisa os 15 minutos iniciais desastrosos contra o Mirassol, rebate questionamentos sobre o futuro da equipe no Paulistão e valoriza período de descanso antes de enfrentar o Bragantino

Crédito: Reprodução/São Bernardo FC

Pela 5ª rodada do estadual, o São Bernardo FC foi superado de forma contundente pelo Mirassol, sofrendo uma derrota por 4 a 0 que expôs fragilidades até então ocultas na melhor defesa da competição.

Após o apito final, o clima na sala de imprensa era de tensão e busca por respostas. O técnico Ricardo Catalá, visivelmente incomodado com o resultado mas mantendo a postura analítica, não fugiu da responsabilidade, mas fez questão de contextualizar o revés do São Bernardo FC, pedindo “racionalidade” na avaliação do trabalho e protegendo o elenco de críticas desproporcionais.

O “Apagão” dos 15 minutos

São Bernardo FC perde para o Mirassol no Primeiro de Maio
Pedro Zacchi/Agência Mirassol

A análise de Catalá começou pelo ponto crucial da partida: o início desastroso. O treinador admitiu que a equipe entrou em campo desconcentrada, permitindo que o Mirassol, a quem ele classificou como “talvez a melhor equipe coletivamente da competição”, construísse uma vantagem irreversível logo no começo.

“A régua é muito alta”, iniciou Catalá. “Fizemos 15 minutos no início muito ruins, do ponto de vista de concentração e de sustentar individualmente coisas básicas. O Mirassol encontrou dois gols nesse período e o jogo ficou muito difícil”.

Para o comandante, os erros individuais na defesa foram determinantes para condicionar todo o restante do confronto. A estratégia desenhada para a partida ruiu antes mesmo que o time pudesse se assentar em campo. Ao se ver perdendo por 2 a 0 tão cedo contra um time que “quase subiu para a Série A” e que transita com velocidade, o São Bernardo FC se viu diante de um dilema tático: expor-se para buscar o resultado ou fechar a casinha para evitar uma catástrofe maior.

“Você tem que tomar uma decisão: se expor contra uma equipe organizada ou não. A gente podia não fazer nada e o jogo acabar 2 a 0, mas nunca vou fazer as coisas pensando em me proteger. Tínhamos que buscar o resultado”, explicou o técnico, justificando a postura que, embora corajosa, acabou oferecendo espaços para o adversário ampliar.

O golpe de misericórdia e a falta de lucidez

Se o primeiro tempo terminou com uma sensação de que o jogo havia sido equilibrado após o susto inicial, o segundo tempo trouxe um banho de água fria imediato. Com apenas um minuto da etapa complementar, o São Bernardo FC sofreu o terceiro gol, lance que Catalá descreveu com frustração detalhada.

“Tomar um gol com um minuto do segundo tempo condiciona muito. Mais uma vez, falha individual. A bola estava com a gente, no nosso pé, lá próximo da área adversária. Tomamos uma decisão ruim onde podíamos ter finalizado a jogada, e o adversário acabou finalizando no nosso gol”, lamentou.

O treinador também apontou a falta de “lucidez” na construção ofensiva. Ele citou a dificuldade em rodar a bola de um lado para o outro para aproveitar a vantagem numérica no lado oposto, algo que, segundo ele, foi pouco treinado devido à maratona de jogos. “Só tivemos 20 minutos de uma sessão de treino ontem para trabalhar isso”, revelou, expondo o desgaste do calendário.

São Bernardo FC - Ricardo Catalá
Fabio Gulo/São Bernardo FC

Catalá defende trabalho e rejeita crise no São Bernardo FC

Um dos momentos mais quentes da coletiva ocorreu quando o treinador foi questionado sobre a projeção de pontos para a classificação e a capacidade do São Bernardo FC de chegar longe, citando os próximos duelos fora de casa e o confronto contra o Corinthians. Catalá, firme, rechaçou o que considerou exercícios de futurologia e exigiu respeito ao histórico recente do clube.

“Qual é a pontuação de classificação? Nem você sabe, nem eu. É a primeira vez que o campeonato é disputado com oito jogos (nesta fase)”, disparou o técnico, referindo-se à fórmula da competição. Ele fez questão de lembrar que, apesar da goleada, o São Bernardo FC soma sete pontos e está na briga, performando melhor do que gigantes do estado.

“A gente trabalha para vencer todos os dias. Tem muita gente séria e competente aqui. É só olhar os resultados dos últimos cinco anos. O melhor Paulistão da história do clube foi em 2025. Precisamos ter respeito”, afirmou, antes de comparar a situação do Tigre com a de rivais tradicionais. “Se eu não me engano, o São Paulo é penúltimo e estamos falando de uma equipe campeã de tudo. O Santos, não sei se está na zona de classificação… Não está. Então, tem muito mérito no que foi feito até agora.”

Para Catalá, a dor da torcida é legítima, “o torcedor tem que estar ‘puto’ da vida mesmo”, mas o luto deve ser breve. A mensagem foi clara: o resultado foi um ponto fora da curva em uma campanha que ele ainda considera segura.

“Dedo na ferida” e a semana cheia

Olhando para o futuro, o calendário oferece um alento raro ao São Bernardo FC. Ao contrário do que foi especulado sobre pouco tempo de preparação, o próximo compromisso contra o Red Bull Bragantino ocorrerá apenas no domingo. Isso concede ao time oito dias preciosos de intervalo, um luxo no futebol brasileiro atual.

A estratégia para esse período será baseada na franqueza e na correção de rotas. “Vamos colocar o dedo na ferida. Você nunca resolve um problema se não atacar ele”, garantiu. O plano envolve assistir ao jogo, levantar os erros passíveis de melhora e cobrar os atletas, mas também recuperar a parte física de um elenco exaurido.

“Os jogadores precisam de um descanso. É impossível aguentar essa maratona. Vamos dar o descanso adequado, fazer uma semana forte e tentar melhorar o condicionamento daqueles que chegaram depois”, projetou.

O técnico do São Bernardo FC também destacou a logística favorável para o próximo compromisso. Como o time está treinando em Atibaia, o deslocamento para Bragança Paulista será de apenas 30 minutos, minimizando o desgaste da viagem.

A derrota do São Bernardo FC por 4 a 0 para o Mirassol deixa marcas e tira o selo de invulnerabilidade da defesa da equipe, mas a coletiva de Ricardo Catalá serviu para blindar o elenco e reafirmar a confiança no processo a longo prazo. Entre a autocrítica pelos erros de concentração e a defesa veemente da competitividade do time perante os gigantes, o Tigre do ABC agora tem uma semana decisiva.

O próximo desafio do São Bernardo FC é fora de casa, contra o Red Bull Bragantino, num duelo que testará se a “racionalidade” pedida pelo técnico será suficiente para cicatrizar a ferida aberta nesta rodada e recolocar a equipe nos trilhos da classificação. O campeonato é curto, a régua é alta, e como o próprio Catalá disse, no futebol, a cura para a chateação só vem com a próxima vitória.

  • Publicado: 20/01/2026
  • Alterado: 20/01/2026
  • Autor: 25/01/2026
  • Fonte: Farol Santander São Paulo