São Bernardo fará censo da agricultura urbana
Um censo inédito mapeará as hortas de São Bernardo para criar políticas de apoio e estruturar a agricultura urbana no município
- Publicado: 10/07/2026 17:47
- Alterado: 10/07/2026 17:47
- Autor: Daniela Ferreira
- Fonte: PMSBC
A Secretaria de Meio Ambiente, Sustentabilidade e Proteção Animal de São Bernardo do Campo planeja realizar um censo inédito e abrangente para mapear a agricultura urbana e periurbana no município. A iniciativa, que está em fase de negociação de parceria com a Universidade São Judas, visa coletar dados detalhados sobre a quantidade de hortas ativas, o perfil sociodemográfico dos produtores, o volume de cultivos e os principais gargalos logísticos enfrentados na cidade.
A ação dá sequência a um planejamento iniciado em setembro de 2025, desenvolvido em conjunto com o Centro de Estudos em Sustentabilidade da Fundação Getúlio Vargas (FGVces). Como base para o mapeamento geral, a administração municipal divulgou na última terça-feira (7), em encontro na Vila Vivaldi, os resultados de um estudo piloto feito com 31 produtores locais.
Perfil do Agricultor e Desafios de Saúde

Os dados do projeto-piloto, concentrados nas regiões da Vila Vivaldi e da Vila São Pedro, traçaram um raio-X social que acende um alerta para a necessidade de políticas de assistência voltadas à saúde do trabalhador:
- Predomínio Masculino: Homens representam 77% da força de trabalho nas hortas, ante 23% de participação feminina;
- Envelhecimento do Setor: A imensa maioria dos agricultores é idosa. Pessoas com mais de 65 anos somam 45% dos entrevistados, enquanto a faixa entre 56 e 65 anos responde por 38,7%;
- Condições de Trabalho: O relatório técnico alerta para o desgaste físico decorrente da exposição contínua ao sol e longos períodos em pé. A prefeitura estuda fornecer kits com protetor solar, bonés e garrafas de água, além de incentivar a instalação de áreas sombreadas com bancos para descanso nos pontos de cultivo.
Economia e Gargalos no Escoamento

A pesquisa revelou que, embora a produção de hortaliças, frutas, ervas medicinais e Plantas Alimentícias Não Convencionais (Pancs) seja altamente variada, a atividade ainda funciona majoritariamente como complemento de subsistência.
Do total de entrevistados, 77,4% comercializam o que produzem, sendo que 92% dessas vendas ocorrem de forma direta com moradores do entorno. Contudo, apenas 11 dos 31 agricultores possuem uma renda proveniente da terra que ultrapasse 25% do orçamento de suas famílias.
O estudo detectou ainda uma falha crônica no escoamento de mercadorias: por falta de acesso a canais formais e de fornecimento regular, há episódios frequentes de descarte de alimentos por excesso de oferta local. Para mitigar o problema, os agricultores começaram a receber orientações da prefeitura sobre como obter o Cadastro da Agricultura Familiar (CAF) e integrar as feiras agroecológicas da região.