Prefeitura quer fechar escola inaugurada há menos de um ano em São Bernardo
Pais e professores cobram explicações sobre o futuro da EMEB Ministro Paulo Renato e denunciam falta de transparência na decisão da Prefeitura
- Publicado: 01/01/2026
- Alterado: 10/10/2025
- Autor: Redação
- Fonte: Motisuki PR
Pais e alunos da Escola Municipal de Educação Básica (EMEB) Ministro Paulo Renato Costa Souza, localizada no antigo prédio da Faculdade Metodista, atrás do Shopping Golden Square, no Jardim do Mar, em São Bernardo do Campo, foram surpreendidos por um comunicado informando que a unidade poderá encerrar suas atividades ao final do ano letivo de 2025. A reunião que trouxe a notícia ocorreu na última quinta-feira, com a presença do secretário de Educação e outros representantes da Prefeitura de São Bernardo.
A escola foi inaugurada há menos de um ano e representou um investimento de R$ 1,2 milhão por parte da administração anterior. Em agosto, a unidade havia celebrado a inauguração de uma biblioteca com mais de 3 mil livros, batizada em homenagem ao escritor infantojuvenil Ricardo Azevedo, nome escolhido pelos próprios estudantes. O anúncio inesperado de que o espaço pode deixar de funcionar gerou indignação e tristeza entre famílias, professores e funcionários da escola de São Bernardo.
Pais destacam estrutura moderna e recente reforma
A EMEB Ministro Paulo Renato funciona nas dependências do antigo prédio da Faculdade Metodista, reformado pela gestão anterior e inaugurado oficialmente em dezembro de 2024, com início das aulas em janeiro deste ano. O espaço conta com duas entradas, salas amplas, biblioteca e capacidade para cerca de 1.600 alunos, mas atualmente atende cerca de 480 estudantes.

(Isabella Diniz/Prefeitura de São Bernardo)
“É um prédio grande, bem estruturado, com profissionais comprometidos. Encerrar uma unidade assim é um desperdício”, afirmou Ronaldo Fortunato. Segundo o pai, os problemas iniciais de infraestrutura, como falta de ventiladores e de água, foram solucionados ainda no primeiro semestre. “Agora alegam que o piso é áspero e que as crianças se machucam. São questões simples, do dia a dia”, completou.
Prefeitura de São Bernardo alega inadequação do prédio
De acordo com pais que participaram da reunião, a justificativa apresentada pela gestão atual de São Bernardo, comandada pela prefeita Jéssica Cormick, é de que o prédio “não possui estrutura adequada para crianças”, já que teria sido originalmente projetado para adultos. Ainda segundo relatos, a administração municipal afirma possuir um estudo técnico que aponta a inviabilidade do local, mas o documento não foi apresentado à comunidade escolar.
O pai entrevistado relatou ainda que o clima foi tenso durante todo o encontro. “Os professores e os funcionários não sabiam. Havia professoras chorando, literalmente”, disse. “Foi um choque para todo mundo. Ninguém esperava isso de uma escola nova, que acabou de ser inaugurada.”
Pais contestam justificativas e falam em falta de transparência
Na manhã seguinte, o cenário se tornou ainda mais confuso. Segundo relatos, um assessor da Prefeitura de São Bernardo esteve na porta da escola e afirmou que a unidade não seria fechada, mas teria suas atividades suspensas temporariamente. A declaração contradiz o que foi informado na reunião anterior, quando pais foram orientados a aguardar, até o fim de dezembro, o documento oficial com a designação das novas escolas para onde seus filhos seriam transferidos.

Para parte dos responsáveis, o caso revela falta de transparência e decisão política, não técnica. “Eles mesmos admitiram que não houve nenhum acidente grave, e o prédio passou por reformas há menos de um ano. Parece mais uma tentativa de descontinuar algo que foi feito por outra gestão”, completou Ronaldo.
Muitos pais acreditam que a escola, com capacidade para 1.600 alunos e atualmente ocupada por cerca de 480, se tornou um problema administrativo para a gestão municipal. “É um prédio grande, bem estruturado, com profissionais comprometidos. Encerrar uma unidade assim é um desperdício”, afirmou outro responsável, que preferiu não se identificar.
Mobilização cresce e pais querem acionar o Ministério Público
A comunidade escolar se organiza por meio de grupos de mensagens para cobrar explicações e exigir a apresentação do estudo técnico citado pela Prefeitura. O grupo também avalia encaminhar o caso ao Ministério Público. “Queremos ver o documento que justifica essa decisão. Até agora, ninguém apresentou nada”, reforça Ronaldo.
Entre os pais, há também preocupação com o destino das crianças e com o impacto emocional que uma mudança repentina pode causar. “Elas se adaptaram, criaram laços, gostam dos professores. É uma quebra desnecessária de vínculo”, comenta uma mãe.
Em nota, a Prefeitura de São Bernardo, por meio da Secretaria de Educação, informou que as atividades da EMEB Ministro Paulo Renato Souza serão provisoriamente suspensas para reforma do prédio, atendendo, inclusive, a solicitação de alguns pais de alunos.
Segundo o comunicado, a decisão ocorre por recomendação técnica, com apoio da Defesa Civil, após vistorias realizadas ao longo deste ano. A administração destacou que a estrutura, originalmente universitária, precisa ser adaptada ao perfil infantil, com ajustes em escadas, banheiros, janelas, salas de aula e área externa.
A nota também menciona que há projeto em discussão para construção de uma quadra, e que as famílias serão orientadas com antecedência sobre o remanejamento dos alunos, que deverão ser realocados em unidades próximas de suas residências.
Após a divulgação da nota, pais e responsáveis afirmaram que nenhuma das informações sobre reformas ou vistorias técnicas foi apresentada durante a reunião realizada na última quinta-feira. O grupo segue mobilizado e cobra maior transparência da Prefeitura sobre o estudo técnico e o planejamento de transferência das crianças.