São Bernardo: segura nos dados, perigosa na rua?
Estudo aponta 6,2 homicídios por 100 mil, mas população relata medo e assaltos constantes nas redes.
- Publicado: 29/01/2026
- Alterado: 07/11/2025
- Autor: Redação
- Fonte: FERVER
Os dados oficiais colocam São Bernardo do Campo em uma posição de elite na segurança pública nacional. Conforme o Anuário 2025 de Cidades Mais Seguras do Brasil, elaborado pela MySide, o município do ABC paulista foi classificado como a 2ª cidade mais segura do país na categoria de 500 mil a 1 milhão de habitantes.
O indicador que baseia o ranking é de 6,2 homicídios por 100 mil habitantes, um número que coloca a cidade em destaque estadual e nacional. Esse desempenho é fruto de uma melhora consistente nos últimos anos.
Contudo, a percepção de quem vive em São Bernardo do Campo parece divergir frontalmente dos números. Nas redes sociais, a notícia foi recebida com forte ironia e descrédito, com moradores apontando uma realidade cotidiana de crimes que afetam diretamente a sensação de segurança.
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A Evolução Positiva dos Índices
O estudo, que utiliza dados do Ministério da Saúde e do IBGE, mostra um avanço notável para São Bernardo do Campo. A trajetória da cidade demonstra uma queda expressiva nos crimes letais:
- 2023: Registrava 12,1 homicídios por 100 mil habitantes (89º lugar nacional).
- 2024: O índice caiu para 8,4, posicionando-a no Top 50 do país.
- 2025: A tendência se consolidou com o novo índice de 6,2 por 100 mil.
No ranking nacional geral (incluindo todas as cidades), o município ocupa a 21ª posição, sendo o 15º mais seguro no estado de São Paulo. Com 835.069 habitantes e um Índice de Desenvolvimento Humano Municipal (IDHM) de 0,805 (muito alto), São Bernardo do Campo apresenta um equilíbrio estatístico entre desenvolvimento e baixa criminalidade violenta.

A ‘Irônica’ Percepção dos Moradores
Apesar dos dados positivos sobre homicídios, a sensação de segurança não parece ser compartilhada pela população local. A divulgação do ranking gerou uma onda de ceticismo e relatos que contrastam com a estatística.
Comentários como “Imagina a mais perigosa“ e “Só pode ser piada“ foram comuns. Outros moradores foram mais específicos sobre a rotina de insegurança que afeta São Bernardo do Campo:
“O entorno da UFABC mandou abraços“
“Não é mesmo, no meu bairro somos assaltados na porta de casa, quase todo dia tem assalto, temos medo de ficar no portão. Tem cabimento isso?“
As reações variaram do deboche (“Fonte: vozes da cabeça”, “Quem não conhece, acredita”) à compaixão irônica pelas demais cidades (“Coitada das outras“).
Metodologia Focada em Homicídios
A aparente contradição entre os dados e a percepção pode ser explicada, em parte, pela metodologia da pesquisa. O anuário da MySide foca especificamente no indicador de assassinatos por 100 mil habitantes.
Este é um padrão universal, usado pela OMS e pela ONU (UNODC), por ser um dado robusto e comparável. A fonte são os registros de óbito do Sistema de Informação sobre Mortalidade (SIM) do Ministério da Saúde, consolidados em 2024.
Embora São Bernardo do Campo apresente, de fato, um baixo índice de crimes violentos letais (homicídios), a pesquisa não mensura outros crimes que impactam diretamente a percepção de segurança, como roubos, furtos ou assaltos, que parecem ser a principal queixa dos residentes que ironizaram o ranking.