São Bernardo assume protagonismo na Saúde da mulher em âmbito nacional

Ao ampliar a faixa etária para o atendimento e realização de mamografia para mulheres, que passa a ser de 40 a 74 anos, São Bernardo do Campo assume o protagonismo na Saúde nacional ao se tornar a primeira cidade do Brasil a implantar a medida

Crédito: Celso Rodrigues

O prefeito de São Bernardo do Campo, Marcelo Lima (Podemos) assinou, na manhã desta quinta-feira (20), o decreto que amplia a faixa etária para realização de mamografia no processo de rastreio de câncer de mama, tornando-se a primeira cidade do Brasil a realizar a ação.

Dessa maneira, a partir desta segunda-feira (24), mulheres de 40 a 74 anos poderão fazer o exame para detecção precoce da doença e, com isso, a mudança vai beneficiar diretamente 83 mil mulheres que estão nesta faixa etária na cidade.

Acolhimento a um número maior de mulheres

O Secretário de Saúde da cidade, Jean Gorinchteyn, mensurou em percentuais o quão importante é a ação.

“Vamos poder acolher essas mulheres, que na faixa etária abaixo de 50 anos tínhamos 40% acometidas de câncer e, acima de 69 anos, portanto 70 anos, tínhamos mais 20, então estamos resgatando 60% de mulheres que poderiam ter tido direito de fazer o diagnóstico precoce e não fizeram”, comenta o Secretário.

Exemplo a ser seguido pelo Brasil

Marcelo Lima disse que a ação é um exemplo a ser seguido e que está atendendo aos índices que o sistema municipal fornece.

Marcelo no ato da assinatura do decreto que amplia a faixa etária das mulheres a fazer mamografia

“Na prática, estamos enxergando que jovens de 42 anos têm câncer de mama, colo de útero, é o que mostrava o dia a dia da rede municipal de São Bernardo. E cabe ao Brasil inteiro, cabe a nós, Prefeitura. Preocupados com os dados que temos em São Bernardo, estamos criando uma atitude, hoje estamos dando o exemplo para que possa ser seguido pelo Brasil e que olhe a atitude de São Bernardo, e ser modelo para todo o país”, recomendou o chefe do Executivo.

Sandra do Leite (Podemos), vereadora licenciada e titular da Secretaria da Mulher, lembra que o diagnóstico precoce salva vidas, reduz os custos do Poder Público e indica dois caminhos quando o diagnóstico é tardio.

Curar e economizar

“Representa a cura do câncer de mama, porque quando é descoberto no começo é 100% de chances de curar, mas quando está avançado, a mulher com 40 anos que vai descobrir aos 50, 59, já é grave, tem que entrar com todo tratamento agressivo. O índice de cerca de 20 a 25% de câncer de mama em mulheres antes dos 40 é muito alto, são mais agressivos, descoberto tardiamente ou vai a óbito, ou vai ao tratamento doloroso que é mais agressivo para a mulher, e onera os cofres públicos, explana a Secretaria.

Celebrar o ineditismo e lamentar o critério mundial

Embora celebre o ineditismo da cidade, o responsável pelo serviço de mastologia em São Bernardo, Dr. Ricardo Lencioni Mazzei, lamenta o critério usado mundialmente para faixa etária, exatamente quando a doença se mostra mais letal.

Secretário de Saúde, Dr. Jean Gorinchteyn, e o mastologista Dr. Ricardo Lencioni Mazzei

“O grupo abaixo dos 50 anos, elas não entram na política de rastreamento. Porque o rastreamento de Saúde Pública, no mundo inteiro, é a partir dos 50. Mas, todas as sociedades médicas, que lidam com o tratamento do câncer de mama, preconizam a partir dos 40 anos para iniciar o rastreamento, então esse público – abaixo dos 50 anos – fica descoberto em políticas públicas de rastreamento, que é ruim. É um grupo novo, que tem tumores mais agressivos e que tem uma expectativa de vida maior. Muitas dessas mulheres estão ainda em processo de composição de prole, é muito complexo pegar esses tumores que tendem a ser mais agressivos nessa fase e deixar descobertos de rastreamento, sem se fazer um diagnóstico precoce. Por isso, a iniciativa de São Bernardo do Campo é inédita no Brasil em termos de iniciar o rastreamento a partir dos 40 anos de idade, elogia o mastologista, responsável da Saúde do município.

Péssima postura do INCA

Drª. Rosemar Rahal, representante da Febrasgo (Federação Brasileira das Associações de Ginecologia e Obstetrícia, critica a postura do INCA (Instituto Nacional do Câncer) ao relacionar o exame tardio ao descuido.

Marcelo Lima cumprimenta a Drª. Rosemar Rahal, representante da Febrasgo

“Pode ter certeza que essa ação do Sr. – ao falar do prefeito Marcelo Lima – vai ter um impacto grande. Hoje, 25% das mulheres do Brasil têm câncer de mama entre 40 e 50 anos de idade. Então, se nós assumirmos a postura do INCA, que é postergarmos o rastreamento para 50 anos, nós estamos negligenciando 25% das mulheres. E isso é muito sério, porque 80% da população é SUS (Sistema Único de Saúde) dependente. E quando eu postergo o rastreamento para 50 anos, eu não permito que essa mulher do SUS chegue ao sistema de saúde numa fase inicial de uma doença mamária, e só conseguimos dar a mesma oportunidade de sobrevida para câncer de mama quando essa mulher chega em estágio inicial ao SUS, porque o tratamento que uma paciente de câncer de mama tem no SUS é diferente de uma rede privada”, protesta a Drª.

Drª. Rosemar relembrou que, na rede privada, a paciente que chega em estágio avançado, e quem tem plano de saúde, vai ter acesso a drogas que no SUS não tem, e indicou que o ato é histórico.

“Por isso, vocês estão assumindo essa responsabilidade pública de permitir que as mulheres na cidade de vocês tenham rastreamento entre 40 e 50 anos de idade, isso é um marco, muito mais do que simbolizando uma questão de gestão”, disse a médica, que concluiu ao afirmar que tem: “prazer de ver gestores com essa preocupação, esse cuidado, salvando mulheres, pois 60% dos lares brasileiros têm a mulher como sendo a provedora, então o Sr. – Marcelo Lima – está fazendo a diferença  na vida dessas mulheres”, celebrou a doutora.

O Secretário Gorinchteyn, mais uma vez, recorreu aos números para mostrar como a redução da faixa etária pode salvar vidas.

Secretário de Saúde, Gorinchteyn no momento em que assina do decreto

“Qualidade de vida, a gente sabe que fazer isso, a gente identifica em 60% o câncer na forma precoce com possibilidade de cura, diferente do que temos tido hoje em dia, que 55% dessas mulheres identificam o câncer em  fases avançadas, já com metástases, e com grande possibilidade de desfecho fatal, de morte”, percebe o médico, que ao ser perguntado se é um exemplo a ser seguido no país e se é uma vitrine para o mundo, Dr. Jean reclamou do protocolo dos órgãos federais. 

“O mundo já olha, quem não está olhando com cuidado é o Brasil. Nós precisamos ter esse olhar, garantindo que essas mulheres tenham esse direito, existe um grande equívoco que pauta o Ministério da Saúde, que é o INCA, que não atualizou as recomendações que têm sido feitas e, dessa maneira, o município de São Bernardo do Campo vive o protagonismo de colocar isso como obrigatoriedade na Rede Pública, dando acesso às pessoas. Por enquanto, nessas faixas etárias estendidas, teremos o dinheiro do Tesouro do Município, que vai arcar com esses custos, sabendo o impacto disso para as mulheres, respeitando e trazendo dignidade a todas”, finalizou o médico.

Segundo a Municipalidade, São Bernardo conta com cerca de 102.700 moradoras entre 40 e 74 anos, das quais mais de 83.600 são usuárias do SUS, mais de 80% das mulheres nessa faixa etária. As moradoras podem procurar a UBS (Unidade Básica de Saúde) de referência para agendamento de consulta com ginecologista e/ou médico da família e realização do exame, que terá periodicidade bianual, a menos que haja alguma alteração no resultado do exame.

  • Publicado: 29/01/2026
  • Alterado: 29/01/2026
  • Autor: 21/03/2025
  • Fonte: FERVER