Em Santos, Erika Hilton diz que fim da escala 6x1 é o “primeiro passo” 

Erika Hilton defendeu a redução da jornada para 40 horas semanais, mas afirmou que seguirá mobilizando apoio pela meta de 36 horas sem redução salarial

Crédito: Gabriel de Jesus/ABCdoABC

A deputada federal Erika Hilton esteve em Santos na noite desta quinta (14/05), no campus da UNIFESP  (Universidade Federal de São Paulo) para discutir e mobilizar estudantes em torno da PEC que propõe o fim da escala 6×1, prevista para ser votada no próximo dia 27 de maio, em Brasília. Durante o encontro, a parlamentar defendeu a redução da jornada semanal de trabalho de 44 para 40 horas como um primeiro passo, mas reforçou que a proposta histórica do movimento é avançar para um limite de 36 horas semanais.

No debate com os estudantes da Baixada Santista, Erika Hilton afirmou que a discussão sobre a jornada de trabalho vai além da economia e impacta diretamente a qualidade de vida da população. Segundo ela, a redução das horas trabalhadas pode garantir mais acesso à cultura, educação, participação política e convivência familiar, diminuindo o nível de alienação e esgotamento enfrentado pela classe trabalhadora.

“Há uma relação de trabalho que faz as pessoas acharem natural abandonar a própria vida para trabalhar, abandonar sonhos e projetos pessoais. A classe trabalhadora não está se sentindo digna, mas sim um trapo”, declarou a deputada.

Erika Hilton fala sobre fim da escala 6×1, em palestra na Unifesp – (Gabriel de Jesus/ABCdoABC)

Erika Hilton destaca que fim da escala 6×1 dialoga com grupos sociais considerados minorizados

Erika Hilton também destacou que a luta pelo fim da escala 6×1 dialoga diretamente com pautas históricas de grupos considerados minorizados, como a população negra, mulheres e a comunidade LGBTQIAPN+. De acordo com a parlamentar, esses grupos estão entre os mais afetados pela precarização das relações de trabalho, jornadas exaustivas e baixos salários.

“A única coisa que conseguimos fazer foi popularizar um debate histórico da classe trabalhadora e colocar esse tema na boca do povo”, afirmou. A deputada lembrou ainda que o atual modelo de jornada foi consolidado na Constituição de 1988 e que, desde então, não houve avanços significativos na redução da carga horária semanal dos trabalhadores brasileiros.

Hilton também associou o debate sobre a escala 6×1 às raízes históricas da desigualdade social no Brasil. Segundo ela, o país ainda carrega marcas profundas de uma estrutura construída após séculos de escravidão, refletidas até hoje nas condições de trabalho enfrentadas principalmente pela população mais vulnerável.

Ao mencionar o Dia da Abolição da Escravidão, lembrado em 13 de maio, Erika Hilton criticou a forma como parte da sociedade encara conquistas históricas da população negra e da classe trabalhadora. “E nós celebramos — ah, celebramos, ironizou — relembramos, porque não dá para dizer que celebramos, ontem, a abolição da escravidão. Existe uma mania de tratar todas as nossas conquistas como atos de benevolência, como se alguém tivesse decidido: ‘não dá mais, já desumanizamos demais, vamos deixar ir’”, afirmou. 

Quando o debate começou ganhar força?

O debate sobre a escala 6×1 ganhou força nos últimos meses nas redes sociais e entre movimentos trabalhistas, especialmente após campanhas lideradas por trabalhadores do comércio, serviços e telemarketing, categorias que frequentemente relatam desgaste físico, mental e dificuldade de conciliar trabalho, lazer e vida familiar.

Recentemente, a discussão avançou no Congresso Nacional após acordos para acelerar a tramitação da proposta e ampliar o debate em comissões da Câmara dos Deputados. Defensores da PEC argumentam que a redução da jornada pode melhorar a qualidade de vida da população, aumentar a produtividade e gerar novos postos de trabalho. Já setores empresariais demonstram preocupação com possíveis impactos econômicos e custos para empresas.

Atualmente, a Constituição Federal estabelece jornada semanal máxima de 44 horas, modelo em vigor desde a Constituição de 1988. A proposta encabeçada por Erika Hilton reacende um debate histórico sobre direitos trabalhistas, equilíbrio entre vida pessoal e profissional e as transformações das relações de trabalho no Brasil contemporâneo.

A visita da parlamentar à Baixada Santista reuniu estudantes, apoiadores e movimentos sociais em defesa da proposta, que vem ganhando força nas redes sociais e entre categorias profissionais que reivindicam melhores condições de trabalho e mais equilíbrio entre vida pessoal e profissional.

  • Publicado: 15/05/2026 01:21
  • Alterado: 15/05/2026 01:22
  • Autor: Gabriel de Jesus
  • Fonte: ABCdoABC