Santos Digital Week recebe CEO’s da Nubank e WhatsApp
O Santos Digital Week recebeu nesta quinta-feira, Cristina Junqueira, co-fundadora do Nubank e Guilherme Horn, head do WhatsApp no Brasil
- Publicado: 13/02/2026
- Alterado: 14/11/2025
- Autor: Redação
- Fonte: Sorria!,
Começou nesta quinta-feira (13/11) o Santos Digital Week (SDW), evento que reúne empreendedores, startups, investidores e pessoal da economia criativa. Neste primeiro dia, dois palestrantes de renome participaram: Cristina Junqueira, co-fundadora do Nubank, e Guilherme Horn, head do WhatsApp no Brasil.
De modo geral, ambos orientaram, empreendedores que participaram do Santos Digital Week, sobre como traçar uma jornada de sucesso no âmbito corporativo. Enquanto Cristina Junqueira direcionou sua fala mais para a organização financeira e a importância de construir uma relação saudável entre empresa e cliente, Horn, por sua vez, abordou a chegada da Inteligência Artificial em todas as atividades do setor produtivo.
Santos Digital Week: Cristina Junqueira – Nubank

Cristina Junqueira participou do Santos Digital Week, ao lado do empresário e best-seller Joel Jota, também embaixador do SDW. A empresária iniciou contando que a Nubank começou da inconformidade com o que era visto no setor financeiro, que apesar de ser muito lucrativo, ainda sofria com a insatisfação de clientes por não conseguirem realizar serviços bancários com facilidade. “Hoje a gente tem PIX, tudo quanto é banco tem aplicativo, mas quando a Nubank começou há 12 anos a realidade não era essa”, explica.
Por meio de uma liderança pautada na estratégia de relacionamento com os clientes, Cristina Junqueira teve papel-chave na construção da cultura da empresa e no desenvolvimento da marca. “Dentre os cinco valores que nós temos, o primeiro deles diz: ‘nós queremos que os clientes nos amem fanaticamente’”, complementa a empresária.
Em explicação para o público, ela destacou que o bom tratamento e buscar entender qual é a dor do cliente serve para qualquer setor. “Mas se você fosse dona de uma loja de sapatos? Se você fizesse brigadeiro? Não importa. A busca por entender a dor do cliente é a mesma. Por exemplo, uma loja de roupas, como consumidora a gente vê o tanto de lojas que não respondem o preço, o prazo de entrega ou dúvidas de devolução”, exemplifica Junqueira.
Cristina Junqueira explica estratégia de: quanto melhor o produto, menos investimento em marketing
Ainda durante o Santos Digital Week, ela explicou que um dos fundamentos para a Nubank ter sucesso é que quanto melhor o produto for, menos será menos necessário investir em marketing. “A gente sempre teve a cabeça de que é melhor investir dinheiro no produto, em não cobrar tarifas, em pagar mais nos rendimentos, em ter um aplicativo melhor. Eu prefiro isso do que investir em marketing”, ilustra.
A partir disso, ela revela que os próprios clientes acabam sugerindo ideias de novos serviços, como por exemplo o NUCel, novo produto da Nubank, para operadora de celular. “Quantos problemas não temos com operadoras? Nós usamos a infraestrutura existente, mas tudo o que envolve atendimento, como fatura, cobrança, plano e cancelamento, é nosso. Tudo foi desenhado para ser melhor”. Ela completa que o bom know-how da empresa colaborou para implantar este novo produto. “Já tinha muitos clientes pedindo isso. Quando você cria essa reputação, fica muito mais fácil”, destaca
Como aconteceu a expansão do Nubank?

A partir do sucesso do Nubank no Brasil, foi pensada a expansão internacional. A partir de 2019, a empresa passou a operar também no México e na Colômbia, além de montar uma estrutura voltada à exploração de novos mercados na Europa. Cristina Junqueira liderou esse processo, com foco em estratégia de crescimento e adaptação cultural dos produtos e serviços.
“Nosso último resultado do segundo trimestre. 123 milhões de clientes em Brasil, México e Colômbia. Mais de 60% da população adulta brasileira são clientes da Nubank, desses mais de 60% têm como conta principal”, apresenta os números ao público do Santos Digital Week.
Relacionamento com o time de colaboradores da Nubank
A empresária revela no Santos Digital Week que atualmente o banco tem 9.000 funcionários, e os pontos que eles sempre destacam na contratação de profissionais são a clareza sobre a cultura e os valores da empresa. “É extremamente importante você ter essa clareza e também ser consistente, porque não adianta escrever um monte de coisa e na prática agir de outra maneira”, enfatiza.
Cristina encerrou sua participação no Santos Digital Week desejando boa sorte aos empreendedores os encorajando a trabalharem liderança, organização e o bom relacionamento com os clientes.
Guilherme Horn – Head do WhatsApp – Inteligência Artificial

Outro nome de bastante relevância que esteve presente no Santos Digital Week foi o Guilherme Horn, que abordou a Inteligência Artificial no ambiente corporativo. Horn abordou a expansão da IA, como ChatGPT, dentre outras tecnologias, mas que apesar disso a nova tecnologia sempre foi tratada com pessimismo em filmes ou séries.
Guilherme exibiu trechos de alguns filmes como “O Exterminador do Futuro”; “O Blade Runner – O Caçador de Androids”; e “Tron” (2025); onde no entendimento do palestrante todos eles trazem uma narrativa negativa em relação à IA. “Uma visão catastrófica de que a IA em algum momento faria a humanidade ia perder o controle, ela ia nos fazer mal, ela ia nos dominar e ia acabar com o mundo. Eu sou otimista, mas claro que tem riscos”, explanou Horn.
Ele completou que a visão catastrófica vendeu a ideia de que a IA teria: perda de controle; desemprego em massa; aumento da desigualdade e desinformação e manipulação. Em seguida ele aponta que a sociedade passa a ter uma visão mais cautelosa, pautadas em uma regulamentação equilibrada, transparência e responsabilidade, privacidade de dados e adaptação do mercado de trabalho. E por fim, ele traz a visão otimista onde terá o avanço na ciência e medicina, aumento na produtividade, aumento na qualidade de vida e empoderamento humano.

Head do WhatsApp no Brasil relembra explosão do SpaceX no Santos Digital Week
Durante sua explanação no Santos Digital Week, Guilherme Horn mostrou o vídeo da explosão da SpaceX, onde teve a celebração das pessoas e também de Elon Musk. “Eles não estavam considerando algo negativo, tinha muito valor e muito aprendizado, como o por quê explodiu, o momento que explodiu”, completa.
Ele também citou um funcionário da Meta, que foi promovido mesmo após um erro. No caso, por um erro dele facebook, instagram e WhatsApp ficaram fora do ar por 3 horas, mas por justamente esta falha foi descoberta uma vulnerabilidade. “Isso é tolerar falhas, é extrair algo muito valioso. A falha não é o fim de um processo, mas sim parte”, destaca o executivo do WhatsApp.
IA vai vai substituir o ser humano? CEO do WhatsApp responde
Guilherme Horn, no Santos Digital Week, disse que há algumas barreiras como o medo da substituição; viés cognitivo e a síndrome do ‘não é para mim’. Ele trouxe um comparativo na tela que explicava que numa empresa tem tarefa, função e cargo. Neste cenário, a IA poderia ocupar a tarefa, uma vez que é algo que requer esforço, mas função e cargo seriam mais difíceis.
Para exemplificar, ele utilizou a indústria automobilística como comparativo, onde ele trouxe que 0000,1% das pessoas perderam seus carros à combustão por causa de um carro elétrico. “Agora, as organizações estão mudando. Aquele organograma tradicional acabou, não existe mais. A gente terá humanos e agentes trabalhando juntos. A forma de separar as funções, as áreas vão mudar”, ressalta.
Head do WhatsApp encerra participação no Santos Digital Week
Ao se despedir do evento, Guilherme Horn, head do WhatsApp no Brasil deixou três dicas para o público. 1-Não ter medo de experimentar. 2-Ninguém é capaz de dizer o que será do seu setor ou produto daqui a 10 anos e 3-Inovar é parte da receita para a sobrevivência das organizações.
Além deles, quem mais palestrou no Santos Digital Week?
O dia também contou com debates sobre comportamento, estratégia e mentalidade empreendedora. O CEO da B.Corp, Carlos Busch, que já atuou em empresas como a Oracle, destacou a importância do preparo técnico e emocional do empreendedor.
“Temos uma sociedade baseada na estatística de que 70% das empresas fecham. Na cabeça do empresário é terrível. É mais fácil, pela estatística, um tubarão me morder aqui, na Praia de Santos, do que uma empresa dar certo. É porque ninguém olha a base. A base é: só se prepara. Lê um pouco mais. Tudo tem ciência, negócio é ciência, é entender o ser humano, é servir, é entender produto, é saber precificar, é ter um modelo de negócio correto. Então, pela falta de conhecimento, a gente acaba achando que empreender é dor, porque a história foi assim. Talvez, para quem aprendeu na década de 1950, fosse dor mesmo, mas hoje, com tanta informação, não faz sentido”, falou.
Santos Digital Week reúne mais de 15 mil pessoas e 100 palestrantes

O Santos Digital Week além destes dois grandes nomes, também teve Caio Carneiro, empresário e autor de best-sellers sobre empreendedorismo e negócios. A programação continuará nesta sexta-feira (14/11), quando será a vez do filósofo Clóvis de Barros Filho palestrar, às 20h00.

Idealizado por Marcel Roxo e Lara Finochio, o Santos Digital Week pretende consolidar a região no mapa nacional da inovação. “O evento é mais do que uma feira. É um movimento de transformação. Nosso objetivo é reposicionar a Baixada e mostrar que Santos pode ser protagonista no cenário nacional”, afirma Roxo.
Os idealizadores do evento fizeram um balanço positivo do primeiro dia. Para Lara Finochio, o SDW já vai democratizando o acesso ao conhecimento. “A nossa ideia é dar acesso à informação e educação. Educação para empresários daqui quase não existe, e quando existe é fora da Baixada Santista. Trazer isso para Santos transforma realidades. O primeiro dia foi intenso e muito positivo. Temos ainda mais nesta sexta-feira”.
O também idealizador da iniciativa, Marcel Roxo, completou dizendo que o evento cumpre papel fundamental no ecossistema empresarial: “Quando fazemos um evento desse porte, contribuímos com a sociedade, com o empresário e com o ecossistema de networking. As pessoas se conectam durante dois dias e novas possibilidades nascem. Conexão é a alma do negócio”.