Santo André e FAO/Brasil celebram um ano de parceria
Na campanha contra o desperdício de alimentos, a cooperação técnica é feita por meio do programa ‘Abasteça já esta ideia: diga não ao desperdício’, realizado em feiras livres da cidade
- Publicado: 11/02/2026
- Alterado: 16/08/2023
- Autor: Daniela Penatti
- Fonte: Itaú Cultural
Para reforçar a importância do Dia Mundial da Alimentação, a Prefeitura de Santo André, por meio da CRAISA (Companhia Regional de Abastecimento Integrado de Santo André) e da SIAS (Secretaria de Inclusão e Assistência Social), celebrou nesta sexta-feira (16) com a FAO/Brasil – órgão da Organização das Nações Unidas para Alimentação e Agricultura –, o primeiro ano do Termo de Parceria de Cooperação Técnica realizada pelo programa “Abasteça já esta ideia: diga não ao desperdício”, responsável pela campanha ‘Pensar. Comer. Conservar; Diga não ao Desperdício’. A parceria exitosa havia sido firmada em 13 de outubro do ano passado.
O principal objetivo da iniciativa é conscientizar a população e os feirantes quanto ao desperdício de alimentos, bem como destinar o que seria desperdiçado para as famílias que se encontram em situação de insegurança alimentar na cidade. Além disso, o órgão das Nações Unidas também contribui com o apoio de estrutura de material e mídias para divulgação do Programa, tanto na cidade quanto no Brasil, bem como expertise de técnicos para transcrever os indicadores.
“ O desperdício é um problema no mundo todo. Uma pesquisa da FAO, feita em 50 países, apontou que 30% da produção mundial de alimentos é desperdiçada. Por isso, é extremamente importante, ações concretas no sentido de combater essa situação e a parceria com a prefeitura de Santo André é estratégica. O programa é uma iniciativa que visa não só reduzir o desperdício, mas promover o aproveitamento do que seria descartado, além de atuar na educação do feirante e na conscientização da população, que precisa aprender a consumir de forma consciente” afirmou o diretor geral da FAO/Brasil, Alan Bojanic.
Segundo o Superintendente da Craisa, Helio Tomás Rocha, ainda faltam instrumentos para combater o desperdício e a iniciativa de Santo André é pioneira. “Em feira livre, este é um projeto impar que promove a sintonia entre o feirante e a sociedade civil, na figura das entidades beneficiadas. A entidade faz o contato direto com feirante, recolhe os produtos que iam para o lixo e faz a seleção para os beneficiados”, afirmou. A ideia da coordenação do projeto é agregar o maior número de feiras possível à proposta. Hoje há 74 feiras livres na cidade.
Atualmente quatro feiras participam do projeto, possibilitando uma arrecadação mensal de aproximadamente 13 toneladas de alimentos por mês. “Santo André tem em média 11 feiras por dia. A partir desse número, dá pra ter a dimensão da quantidade de produtos que vão para o lixo”, acrescentou. As entidades e feiras atendidas com a doação o recebimento de frutas, verduras e legumes são: Centro Espírita Jesus no Lar, participante da feira que ocorre aos domingos na Vila Luzita; Comunidade Nascer de Novo, participante da feira de domingo no Bairro Homero Thon; Creche Recanto Somasquinho, entidade participante na feira de sexta-feira na Vila Linda; e, Entidade Renovo, participante da feira livre, que ocorre às quintas-feiras no bairro Guarará.
A contribuição desse projeto é fundamental para a creche Recanto Somasquinho, segundo a coordenadora administrativa, Roberta Cristiane de Freitas Rodrigues. “Essa parte de hortifruti, na alimentação de nossas crianças, é quase que garantida 100% com esta doação do projeto. A gente recebe a doação na sexta feira, aí é separado direitinho, armazenado e consumido na semana seguinte. O que não vem em bom estado de consumo, é utilizado para a composteira da horta” afirmou. A entidade, cujo jogral se apresentou no evento desta manhã, atende 330 crianças com idade entre um e 14 anos.
A ação desta manhã também foi marcada pela apresentação do jogral composto por cerca de 30 crianças da Creche Somasquinho, uma das entidades beneficiadas pelo programa.
NÚMEROS – De acordo com conteúdo publicado pela FAO em 27 de maio deste ano, o número de pessoas que passam fome no mundo foi reduzido para 795 milhões (216 milhões a menos do que em 1990-92), o que representa quase uma pessoa a cada nove.
Nas regiões em desenvolvimento, a prevalência de subalimentação, – que mede a porcentagem de pessoas que não consomem alimentos suficientes para levar uma vida ativa e saudável – reduziu para 12,9% da população, em comparação com os 23,3% que havia há um quarto de século, segundo o SOFI 2015, publicado hoje pela Organização das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura (FAO), o Fundo Internacional de Desenvolvimento Agrícola (FIDA) e o Programa Mundial de Alimentos (PMA).
A maioria dos países analisados pela FAO – 72 de 129 – alcançou a meta dos Objetivos do Milênio de reduzir pela metade a prevalência de subalimentação em 2015.