Santo André conquista selo após reduzir em 32% internações respiratórias
Reconhecimento do Programa Abraçar destaca reorganização da rede pública, diagnóstico precoce da DPOC e queda expressiva da mortalidade em um ano
- Publicado: 16/02/2026
- Alterado: 30/01/2026
- Autor: Daniela Penatti
- Fonte: Gustavo Mioto
Santo André passou a integrar, oficialmente, o grupo de cidades brasileiras reconhecidas por boas práticas no cuidado de doenças respiratórias crônicas. Na manhã desta sexta-feira (30 de janeiro de 2026), o município recebeu o Selo Esmeralda e o título de Cidade Abraçar, certificação concedida a cidades que estruturam de forma eficiente a linha de cuidado da Doença Pulmonar Obstrutiva Crônica (DPOC) no Sistema Único de Saúde (SUS).
O reconhecimento não se apoia apenas em diretrizes técnicas, mas em resultados concretos. Entre 2024 e 2025, Santo André reduziu em 32,54% o número de internações por doenças respiratórias e diminuiu em 19,70% a taxa de mortalidade associada a essas condições. Os números colocam o município em posição de destaque no cenário nacional da saúde pública.
Reconhecimento nacional após reorganização da rede de saúde

A certificação é concedida pelo Programa Abraçar, iniciativa coordenada pela farmacêutica Boehringer Ingelheim, que atua em parceria com municípios brasileiros para qualificar o cuidado aos pacientes com DPOC. Para alcançar o selo, Santo André precisou cumprir mais de 80% dos critérios técnicos estabelecidos pelo programa, que avaliam desde a organização da rede até a capacidade de diagnóstico e acompanhamento dos pacientes.
A cerimônia de entrega ocorreu no Salão Burle Marx, no Paço Municipal, e reuniu gestores, profissionais da saúde e representantes do programa. Para a coordenação do Abraçar, o desempenho do município reflete uma política pública construída de forma consistente, com foco na atenção primária e no cuidado contínuo.
Diagnóstico precoce e qualificação da Atenção Primária em Santo André
Um dos pilares da estratégia adotada em Santo André foi a reorganização do diagnóstico da DPOC, doença frequentemente subnotificada e diagnosticada tardiamente no Brasil. A cidade ampliou o acesso ao exame de espirometria, considerado essencial para identificar precocemente alterações pulmonares.
Entre janeiro e novembro de 2025, foram realizados 871 exames, tanto na Policlínica Centro quanto por meio do caminhão do programa Saúde em Movimento. Em cerca de 50% dos testes, foram detectadas alterações respiratórias, permitindo que os pacientes fossem rapidamente inseridos em acompanhamento clínico na rede pública.
Paralelamente, mais de 50% das equipes da Atenção Primária passaram por capacitação específica para o manejo de casos crônicos, com prioridade para pacientes em situação mais grave. A mudança reduziu gargalos assistenciais e encurtou o tempo entre diagnóstico, início do tratamento e acompanhamento regular.
Números que sustentam o selo Cidade Abraçar

Os impactos da reorganização aparecem de forma clara nos indicadores. Em um ano, o número de internações por doenças respiratórias caiu de 209 para 141 casos, enquanto a média de permanência hospitalar foi reduzida para 7,6 dias, uma queda de 3,80%.
Esses resultados representam não apenas economia de recursos públicos, mas principalmente melhoria na qualidade de vida dos pacientes, que passaram a receber tratamento antes que o quadro evoluísse para situações de maior gravidade.
Para o prefeito Gilvan Ferreira, o selo confirma a direção adotada pelo município. Segundo ele, investir em planejamento, qualificação profissional e organização dos fluxos de atendimento tem impacto direto na resolutividade do sistema de saúde e na prevenção de agravamentos clínicos.
DPOC no Brasil e os desafios do SUS
A Doença Pulmonar Obstrutiva Crônica afeta cerca de 13 milhões de brasileiros, mas apenas 12% dos casos são formalmente diagnosticados, geralmente após os 40 anos. O grupo das DPOCs inclui enfermidades como enfisema pulmonar e bronquite crônica, frequentemente associadas ao tabagismo, à poluição ambiental e a fatores genéticos.
A ausência de diagnóstico precoce faz com que muitos pacientes só procurem atendimento em estágios avançados da doença, o que aumenta o risco de internações recorrentes e mortalidade. Nesse contexto, iniciativas como a de Santo André são vistas como estratégicas para a sustentabilidade do SUS.
A secretária adjunta de Saúde, Vanessa Crispim, destacou que o reconhecimento é resultado do engajamento das equipes e do compromisso com a prevenção, o diagnóstico e o tratamento contínuo. Para ela, a certificação reforça a necessidade de mudar a realidade de quem convive com doenças respiratórias crônicas.
Próximos passos e busca por níveis mais altos de certificação

Com o Selo Esmeralda, Santo André passa a integrar o primeiro nível de reconhecimento do Programa Abraçar, que também prevê as certificações Safira, Jade e Diamante, concedidas conforme o avanço das ações e a consolidação dos resultados ao longo do tempo.
A gestão municipal informou que seguirá monitorando indicadores, ampliando a capacitação das equipes e fortalecendo o diagnóstico precoce para manter a redução nas internações e buscar níveis mais elevados de certificação. A meta é garantir que os avanços registrados em 2025 não sejam pontuais, mas estruturais e duradouros.