Santiago Peña tem prisão preventiva decretada no Paraguai
Juiz mantém o ex-presidente detido no Regimento Escolta Presidencial; ele é acusado no caso Ueno Bank e se absteve de falar na audiência.
- Publicado: 08/11/2026 08:20
- Alterado: 08/11/2026 08:20
- Autor: Thiago Antunes
O ex-presidente do Paraguai Santiago Peña teve a prisão preventiva decretada neste sábado (7) por um juiz de Assunção. Ele é investigado no caso do Ueno Bank, o banco digital que entrou em crise e deixou milhões de clientes sem acesso a seus depósitos. Peña continuará detido no Regimento Escolta Presidencial, onde passou a noite de sexta-feira (6).
Juiz decreta prisão preventiva e mantém Peña no quartel

A decisão foi do juiz Humberto Otazú, especializado em delitos econômicos, ao fim de uma audiência com Peña e seu advogado. O ex-presidente se absteve de declarar. Segundo o magistrado, a medida é necessária para garantir que Peña continue no país e se submeta ao processo. O juiz também levou em conta as informações que ele pode ter tido acesso como presidente sobre o caso.
Depois da audiência, Peña voltou do Palácio de Justiça ao quartel, e não será levado a uma prisão comum. O Ministério Público também havia pedido o bloqueio de seus bens.
A defesa ainda não decidiu se vai recorrer. Os advogados vão analisar a decisão por escrito antes de decidir se apresentam apelação.
Quais são as acusações contra Santiago Peña
Peña foi imputado por lesão de confiança, administração em proveito próprio e tráfico de influência. Ele foi ex-investidor da holding ligada ao Ueno Bank e, em 2023, nomeou Carlos Carvallo Spalding, então presidente-executivo da companhia, para o comando do Banco Central. Carvallo renunciou ao cargo nesta semana.
Ele é acusado de favorecer o Grupo Vázquez, controlador do banco, e de omissão na fiscalização por parte do Banco Central. A suspeita é que tenha interferido de forma indevida no órgão que administra aposentadorias e saúde dos trabalhadores. O Ueno administrava quase R$ 4,5 bilhões em recursos públicos, incluindo da Previdência. Santiago Peña ainda não foi condenado.
Como foi o sábado de Santiago Peña
O ex-presidente deixou o quartel por volta das 11h para ser levado à Justiça. Na madrugada, os protestos de manifestantes em frente à casa onde cumpria prisão domiciliar tinham levado as autoridades a transferi-lo ao Regimento Escolta Presidencial, em Ciudad Nueva.
Do lado de fora do Ministério Público, houve novos protestos. A advogada Macarena Chilavert, de 38 anos, disse que o povo precisa “castigar” os corruptos nas urnas. O servidor público Carlos Sosa, de 69, levou um cartaz em que se lê “Um por um, todos têm que cair” e contou que tirou os depósitos do Ueno ao desconfiar da origem do dinheiro.
Da crise do banco à destituição

O Ueno Bank, principal banco digital do país, tem 2,9 milhões de clientes, em um país de cerca de 7 milhões de habitantes. A crise estourou na semana passada, e Peña perdeu o cargo na sexta-feira, quando o Senado aprovou o impeachment por unanimidade. O vice Pedro Alliana assumiu a Presidência.
Com a decisão da Justiça e a destituição, o caso de Santiago Peña entra em uma nova fase, e o Ministério Público ainda deve reunir provas para definir a extensão das responsabilidades.