Saneamento privado avança em municípios com piores índices do país
Empresas ampliam atuação em cidades com baixa cobertura de saneamento, contrariando críticas de que só buscariam áreas mais rentáveis
- Publicado: 13/02/2026
- Alterado: 21/09/2025
- Autor: Redação
- Fonte: Sorria!,
A presença da iniciativa privada no saneamento básico deixou de se concentrar apenas nos municípios considerados mais lucrativos. Desde 2020, cidades que figuram entre as piores do país em cobertura de água e esgoto passaram a integrar leilões, privatizações e parcerias público-privadas (PPPs).
Levantamento do Instituto Trata Brasil mostra que, entre os 20 municípios com os piores indicadores, 16 já concederam ou devem conceder seus serviços até 2026. É o caso de Santarém (PA), último colocado no ranking, com apenas 4% de coleta de esgoto, e que teve contrato assumido pela Aegea.
Desafios regionais

O Piauí concentra oito dos dez municípios com situação mais crítica em rede de esgoto e saneamento, cuja operação foi concedida à Aegea no fim de 2024.
Já a Paraíba aparece como destaque negativo no abastecimento de água: oito de seus municípios estão entre os dez últimos do país, e um projeto de privatização deve ser lançado em 2026.
Para especialistas, esse movimento indica que os instrumentos do marco legal do saneamento, aprovado em 2020, estão funcionando ao atrair investimentos justamente onde há maior precariedade.
Investimentos e perspectivas
A presidente do Instituto Trata Brasil, Luana Preto, destaca que as cidades que aparecem no fim do ranking investem, em média, R$ 81,50 por habitante ao ano, quando o ideal seria cerca de R$ 223. Segundo ela, as concessões garantem contratos com aportes vultosos para universalizar o serviço.
Já Christiane Dias, presidente da Abcon Sindcon, ressalta que a participação privada saltou de 5% em 2019 para 33% em 2025 e deve alcançar metade dos municípios até 2026.
Aegea lidera operações
A Aegea é hoje a principal operadora entre os municípios com piores índices de saneamento, presente em nove das 20 cidades no fim do ranking.
A empresa atende mais de 39 milhões de pessoas em 15 estados e afirma ter desenvolvido expertise para atuar em regiões com grande complexidade, como áreas alagadas, favelas e comunidades com infraestrutura precária.
Próximos leilões
Até 2026, estão previstos leilões em Pernambuco, Rondônia, Goiás, Paraíba, Rio Grande do Norte e Maranhão. Somados, os investimentos anunciados ultrapassam R$ 38 bilhões, reforçando o avanço da participação privada no setor.