Samuel Pompeo Quinteto renova o choro em show na Casa de Francisca

Samuel Pompeo Quinteto apresenta espetáculo que une a tradição do choro à improvisação do jazz no dia 17 de abril na Casa de Francisca.

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No dia 17 de abril, às 22h, o palco da histórica Casa de Francisca, no centro de São Paulo, recebe o Samuel Pompeo Quinteto. O espetáculo marca uma década de trajetória do grupo e propõe uma reflexão sonora sobre a evolução de dois gêneros irmãos: o choro e o jazz. Longe da nostalgia, a performance foca na experimentação e no diálogo rítmico contemporâneo.

A ponte estética entre o choro e o jazz

O trabalho desenvolvido pelo Samuel Pompeo Quinteto parte de uma provocação histórica. Embora o choro e o jazz tenham nascido simultaneamente no fim do século XIX, sob influências europeias e africanas, os gêneros seguiram caminhos distintos. Samuel Pompeo busca expor essas distâncias, criando pontes através do atrito e da escuta ativa entre os músicos.

O grupo é formado por instrumentistas que operam na lógica do risco: Dino Barioni (guitarra), Sidney Ferraz (piano), Gustavo Boni (contrabaixo) e Paulinho Vicente (bateria). Juntos, eles transformam clássicos em organismos vivos, onde a composição estruturada se funde ao improviso em tempo real.

Repertório: Do dodecafonismo aos clássicos brasileiros

O show celebra os 10 anos do conjunto e revisita os álbuns Que Descaída (2016) e Passos Largos (2022). Um dos destaques é a composição “Dodecafonando”, de Samuel Pompeo, que aplica a teoria dodecafônica de Arnold Schoenberg ao universo do choro.

“O espetáculo não busca uma conciliação fácil entre os gêneros, mas expõe suas distâncias e cria pontes a partir do atrito”, define a proposta do grupo.

O repertório também inclui releituras de mestres da música brasileira:

  • Pixinguinha e Benedito Lacerda: “Descendo a Serra” e “Naquele Tempo”.
  • Radamés Gnattali: “Amargura” e “Pé de Moleque”.

Três décadas de trajetória musical

Com mais de 30 anos de carreira, Samuel Pompeo consolidou-se como uma figura central na música instrumental brasileira, acumulando passagens por formações icônicas como a Banda Mantiqueira e a Banda Savana. À frente do Samuel Pompeo Quinteto, o músico reafirma o choro como uma linguagem em constante transformação, capaz de dialogar com as vanguardas do século XX e XXI sem perder sua essência rítmica.

  • Publicado: 13/04/2026 22:49
  • Alterado: 13/04/2026 22:49
  • Autor: Gabriel de Jesus
  • Fonte: Assessoria