Samir Xaud assume presidência da CBF em meio a crise e divisão entre clubes
Eleito sem concorrência, novo mandatário promete renovação na entidade e encara desafios institucionais e políticos
- Publicado: 29/01/2026
- Alterado: 25/05/2025
- Autor: Redação
- Fonte: FERVER
Samir de Araújo Xaud, de 41 anos, foi eleito presidente da Confederação Brasileira de Futebol (CBF) neste domingo (25), em votação realizada na sede da entidade no Rio de Janeiro. Médico infectologista e dirigente da Federação Roraimense de Futebol, Xaud concorreu como candidato único, tendo o respaldo de 25 federações estaduais e 10 clubes, o que inviabilizou a inscrição de outras chapas. O mandato vai de 2025 a 2029.
A eleição seguiu as regras do estatuto da CBF, que favorecem as federações no cálculo dos votos: elas têm peso 3, enquanto os clubes da Série A e Série B possuem peso 2 e 1, respectivamente. Esta configuração, frequentemente criticada pelos clubes, levou 21 deles a se absterem do processo como forma de protesto. A votação, pela primeira vez, utilizou urnas eletrônicas.
Clube e crise: cenário de tensão
Entre os clubes ausentes da votação estavam grandes nomes como Corinthians, Flamengo, São Paulo, Cruzeiro e Internacional. Em comunicado conjunto, os dissidentes expressaram descontentamento com o modelo eleitoral e manifestaram interesse em dialogar com a nova gestão para revisar o processo e discutir melhorias no futebol nacional.
Leila Pereira, presidente do Palmeiras e uma das apoiadoras de Xaud, afirmou que as ideias do novo presidente estão alinhadas às demandas de modernização da CBF, incluindo melhorias no calendário, na arbitragem e no controle financeiro dos clubes. Ela também rebateu críticas à origem federativa de Xaud, comparando o preconceito enfrentado por ele ao que ela própria vivenciou ao se tornar a primeira mulher a liderar o clube paulista.
Desafios de gestão e herança conturbada
Xaud assume o comando da entidade em um momento delicado. A CBF passou por uma série de trocas de liderança desde a renúncia de Ricardo Teixeira, em 2012. Desde então, foram 11 dirigentes diferentes – entre presidentes efetivos, interinos e interventores –, com apenas um deles, José Maria Marin, completando um mandato.
A eleição de Xaud ocorreu após a intervenção judicial que afastou Ednaldo Rodrigues, responsável por anunciar às pressas a contratação do técnico Carlo Ancelotti para comandar a seleção brasileira. O treinador será apresentado oficialmente nesta segunda-feira (26) e já convocará sua primeira lista para os amistosos contra Equador e Paraguai em junho.
Em entrevista recente, Xaud prometeu uma “ruptura de ideias” na gestão da CBF, propondo uma abordagem mais moderna, apesar de ter sido apoiado pelo mesmo grupo que sustentava o ex-presidente afastado. Agora, além de lidar com os bastidores turbulentos da confederação, terá o desafio de concluir seu mandato – algo raro na história recente da entidade máxima do futebol brasileiro.