Salário mínimo 2026 é fixado em R$ 1.621 por decreto de Lula
Novo valor entra em vigor em janeiro com alta de 6,79% sobre o piso atual. Entenda o impacto real no bolso e nas contas públicas.
- Publicado: 20/01/2026
- Alterado: 24/12/2025
- Autor: Redação
- Fonte: Farol Santander São Paulo
O salário mínimo para o ano de 2026 foi oficialmente definido em R$ 1.621 pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva. A determinação consta em decreto publicado na edição desta quarta-feira (24) do Diário Oficial da União (DOU). A vigência do novo montante começa a valer a partir de 1º de janeiro.
Com a atualização, o trabalhador brasileiro passa a ter uma remuneração base diária de R$ 54,04. Já o valor pago por hora de trabalho foi ajustado para R$ 7,37.
Este reajuste representa uma elevação de 6,79% em relação ao piso nacional vigente, atualmente estipulado em R$ 1.518. Embora garanta aumento real acima da inflação, o número final ficou abaixo das projeções anteriores do mercado e do próprio governo.
Previsões frustradas e ajuste pela inflação
Em novembro, a equipe econômica estimava que o salário mínimo alcançasse patamares entre R$ 1.627 e R$ 1.631. A redução no valor final reflete o comportamento do Índice Nacional de Preços ao Consumidor (INPC), utilizado para repor o poder de compra, que apresentou variação menor do que a esperada.
Dados divulgados pelo IBGE em 10 de novembro apontaram um INPC acumulado de 4,18% nos últimos 12 meses. Essa desaceleração inflacionária, somada às regras fiscais vigentes, conteve um avanço mais expressivo do piso nacional.
Cálculo do salário mínimo e travas fiscais
A atual política de valorização retomada pelo governo federal considera dois fatores principais para definir o índice de reajuste:
- A inflação medida pelo INPC (acumulado até novembro);
- O crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) de dois anos antes (neste caso, o desempenho econômico de 2024).
Embora o PIB de 2024 tenha registrado alta de 3,4%, o ganho real repassado ao salário mínimo sofreu limitações impostas pelo novo arcabouço fiscal. A legislação atual restringe o aumento real das despesas — e consequentemente do piso — a um teto de 2,5% acima da inflação.
Sem essa trava fiscal, o valor poderia ter atingido R$ 1.636. Essa diferença de R$ 15 por beneficiário gera uma economia bilionária para os cofres públicos, evitando uma pressão insustentável sobre o orçamento da União.
Impacto nas contas públicas e benefícios
O reajuste do salário mínimo funciona como um indexador crucial para a economia brasileira, afetando diretamente as despesas obrigatórias do governo. O novo valor corrige automaticamente pagamentos vitais geridos pelo Instituto Nacional do Seguro Social (INSS).
Os principais reflexos financeiros incidem sobre:
- Aposentadorias e pensões do INSS;
- Benefício de Prestação Continuada (BPC);
- Abono salarial PIS/Pasep;
- Seguro-desemprego.
Ao limitar o ganho real a 2,5%, o Executivo busca preservar espaço no orçamento para investimentos e custeio da máquina pública. Uma elevação desenfreada do piso comprometeria o equilíbrio fiscal, dado o peso previdenciário nas contas federais.
Fica estabelecido, portanto, que a partir de 2026, trabalhadores e beneficiários do INSS terão seus rendimentos baseados no novo teto de R$ 1.621. O governo mantém a política de ganho real, mas a condiciona à sustentabilidade fiscal, garantindo previsibilidade para o salário mínimo.