Salário médio na economia criativa é 50% maior que a média nacional, mas desigualdades persistem
Trabalhadores do setor cultural e criativo recebem em média R$ 4,8 mil por mês, mas mulheres negras ganham até 69% menos que homens brancos, segundo dados da Fundação Itaú
- Publicado: 20/01/2026
- Alterado: 08/04/2025
- Autor: Redação
- Fonte: Farol Santander São Paulo
O salário médio pago para trabalhadores da economia da cultura e indústrias criativas alcançou a marca de R$ 4,8 mil mensais, superando em cerca de 50% o salário médio da economia brasileira – de R$ 3,2 mil – no terceiro trimestre de 2024, segundo levantamento do Painel de Dados do Observatório Fundação Itaú.
Embora a remuneração no segmento seja maior que a média agregada da economia, persistem as disparidades por gênero e raça/cor. De acordo com o estudo, mulheres negras recebem em média 69% menos que homens brancos no setor.
Segundo o Painel, os homens brancos ganham em média R$ 7,1 mil em postos na cultura e nas indústrias criativas. Os homens pretos recebem R$ 4,1 mil e os pardos, R$ 4,5 mil. O distanciamento se acentua ainda mais no caso das mulheres. As trabalhadoras brancas recebem R$ 4,1 mil, enquanto as pretas recebem R$ 2,2 mil e R$ 2,5 mil, as pardas.
Composição por gênero e raça
Quanto à composição de gênero do setor, observa-se que o perfil dos trabalhadores da economia criativa apresentou relativa estabilidade no terceiro trimestre de 2024 no comparativo com o mesmo período do ano anterior. A participação feminina apresentou uma ligeira redução, passando de 46%, no 3º trimestre de 2023, para 44%, no 3º trimestre de 2024, enquanto a participação masculina cresceu de 54% para 56% no mesmo período.
No 3º trimestre de 2024, a distribuição étnico-racial dos trabalhadores na economia criativa continua a exibir uma predominância significativa de indivíduos autodeclarados brancos, totalizando 56%, em contraste com a representatividade relativamente menor de negros, 42% (9% pretos e 33% pardos).
Demais grupos étnico-raciais, como amarelos e indígenas, permanecem com uma participação de apenas 2% do total de trabalhadores da Ecic. Essa configuração para o perfil étnico-racial nesse segmento manteve-se notavelmente constante desde o 3º trimestre de 2023, indicando relativa estabilidade na composição demográfica do setor.