Sala sensorial para pessoas com TEA: saiba em qual shopping encontrar
Nova lei estadual obriga centros comerciais com grande circulação a oferecer espaços de regulação sensorial
- Publicado: 01/01/2026
- Alterado: 23/10/2025
- Autor: Redação
- Fonte: Motisuki PR
Desde agosto de 2025, com a sanção da Lei nº 18.183/2025, os shoppings centers do estado de São Paulo que recebem mais de duas mil pessoas por dia estão obrigados a instalar uma sala sensorial para regulação de pessoas autistas.
A medida visa oferecer um ambiente acolhedor e acessível para pessoas com Transtorno do Espectro Autista (TEA) e outras neurodivergências, reduzindo estímulos visuais e sonoros que possam causar desconforto.
Esses espaços devem contar com iluminação suave, isolamento acústico, brinquedos e equipamentos sensoriais, além de fones abafadores de ruído e outros itens que auxiliem na autorregulação emocional. Apesar da proposta inclusiva, a implementação da lei ainda enfrenta desafios práticos no ABC Paulista, especialmente em relação à divulgação e acessibilidade das informações ao público.
Falta de informação dificulta o acesso aos espaços
Embora a maioria dos grandes shoppings da região tenha aderido a sala sensorial, ao menos parcialmente, à iniciativa, a falta de comunicação clara sobre os serviços oferecidos é um obstáculo recorrente.
Ao entrar em contato com os centros comerciais, muitos funcionários desconhecem a existência das salas sensoriais ou não sabem como orientar os frequentadores. Em alguns casos, como no Shopping ABC e no São Bernardo Plaza, não há informações disponíveis nos sites oficiais, e até mesmo as centrais de atendimento se mostram confusas sobre o tema se havia ou não a sala sensorial e o empréstimo de abafadores.
Uma funcionária de um dos empreendimentos, que preferiu não se identificar, afirmou que a baixa utilização do espaço se deve à ausência de divulgação:
“A sala fica em um local mais afastado e quase ninguém sabe que ela existe. Muitos clientes descobrem por acaso ou nem chegam a saber do serviço.”
Além disso, a utilização da sala sensorial ou o empréstimo de abafadores geralmente exige cadastro prévio e apresentação de laudo médico de TEA.
Santo André: avanços pontuais e iniciativas sensoriais
Santo André possui três grandes shoppings: Grand Plaza Shopping, Atrium e Shopping ABC. Apenas um deles possui sala sensorial.
Grand Plaza Shopping

No Grand Plaza Shopping, em Santo André, a sala sensorial TEA está localizada próxima ao mercado Pão de Açúcar. O espaço conta com mesas, cadeiras e atividades de pintura, oferecendo um ambiente mais tranquilo para crianças e adultos.
Entretanto, não há acompanhamento de funcionários e o empréstimo de abafadores é feito apenas no andar superior, no Espaço Família, o que pode dificultar o acesso de quem necessita de suporte rápido.
Atrium Shopping
O Atrium Shopping ainda não possui uma sala sensorial, mas disponibiliza abafadores de ruído e promove o projeto Ingresso Azul, com sessões de cinema adaptadas para crianças autistas (as luzes permanecem acesas, o som é moderado e a movimentação é livre)
Shopping ABC
O Shopping ABC não tem sala sensorial. De acordo com a assessoria do local, há planos para a instalação de um local que possa receber pessoas autistas. No momento, é possível pegar abafadores de forma gratuita.
São Bernardo do Campo: bons exemplos e lacunas
Assim como Santo André, São Bernardo do Campo também possui três shoppings principais que são: Golden Square, Metrópole e São Bernardo Plaza. O último da lista não dispõe de informações sobre a sala sensorial e/ou dos abafadores. Ao ligar no local, é direcionado para outro número que não atende.
Golden Square Shopping

O Golden Square Shopping oferece um dos espaços mais estruturados da região, o “Espaço Aconchego”, localizado no Espaço Família (Piso L3). O ambiente foi planejado com adesivos de céu nas paredes, brinquedos interativos, balanço, abafadores de ruído, assentos confortáveis e controle de iluminação.
A sala sensorial ainda permite música relaxante via Bluetooth, o que reforça o objetivo de criar um ambiente de autorregulação e acolhimento.
Shopping Metrópole

O Shopping Metrópole também mantém uma sala sensorial, chamada de sala Azul, voltada ao público com TEA. O ambiente possui iluminação adequada, materiais sensoriais e oferece pulseiras de identificação e abafadores de som.
O local se destaca por integrar o atendimento ao Espaço Família, que inclui salas de amamentação, trocadores e bebedouros, ampliando o conforto das famílias.
São Caetano: apoio no SAC e no Espaço Família
São Caetano uma das menores cidades do ABC em extensão territorial e possui apenas um shopping.
ParkShopping São Caetano
No ParkShopping São Caetano, há apoio para pessoas com TEA tanto no Espaço Família quanto no SAC. O shopping também oferece abafadores gratuitamente, mediante cadastro. Ainda que o local não possua uma sala exclusiva de regulação sensorial, a estrutura adaptada cumpre parte das exigências da lei e demonstra atenção à acessibilidade.
Diadema: pioneirismo com a “Sala do Afeto”
Diadema possui dois grandes shoppings: Shopping Praça da Moça e Shopping Diadema
Shopping Praça da Moça

O Shopping Praça da Moça, em Diadema, inaugurou a Sala Azul, carinhosamente chamada de “Sala do Afeto”. O espaço é um refúgio seguro e acolhedor para crianças e adultos com TEA, projetado para momentos de crise ou necessidade de pausa sensorial.
A sala conta com puffs, brinquedos sensoriais e objetos com diferentes texturas, além de cordões de identificação e abafadores de som. Localizada dentro do ambulatório do shopping, a estrutura se destaca como uma das mais completas da região.
Shopping Diadema
Já o Shopping Diadema não oferece salas sensoriais, nem empréstimo de abafadores, o que o coloca em desvantagem diante das exigências da lei estadual.
Mauá: um modelo de acessibilidade
Assim como São Catano do Sul, Mauá possui apenas um shopping de grande circulação, o Mauá Plaza.
Mauá Plaza Shopping

O Mauá Plaza Shopping também implementou uma sala sensorial completa, com iluminação adaptável, atividades de regulação, objetos com diferentes texturas e uma área com micro-ondas para pequenas refeições.
Localizada próxima à loja Petz, em um espaço mais reservado, a sala oferece abafadores e cordões de identificação aos frequentadores. O ambiente foi planejado para garantir conforto, privacidade e suporte familiar, sendo um exemplo positivo de como a lei pode ser aplicada de forma eficiente.
Desafios e próximos passos para uma inclusão real
Embora a Lei nº 18.183/2025 represente um marco importante na inclusão de pessoas neurodivergentes, a falta de padronização e divulgação insuficiente ainda são grandes barreiras. Muitos espaços, embora equipados, não são conhecidos pelo público, e a ausência de funcionários capacitados compromete o atendimento adequado.
Especialistas defendem que a acessibilidade não deve se limitar à infraestrutura física, mas envolver comunicação acessível, treinamento de equipes e campanhas de conscientização.
Para que a proposta alcance seu objetivo, será essencial que os shoppings invistam em informação clara e visível, sinalização adequada e divulgação digital, garantindo que as salas sensoriais deixem de ser um espaço desconhecido e passem a ser um recurso ativo de inclusão e acolhimento no ABC.
Shoppings de Santos não possuem previsão de instalação de salas sensorial para pessoas com TEA
O ABCdoABC percorreu alguns shoppings da cidade, a ver se havia instalado alguma sala sensorial para pessoas autistas, e dos três principais, apenas um tem um projeto em estudo: o Parque Balneário, localizado no bairro Gonzaga. De acordo com a administração do local, o empreendimento já iniciou tratativas internas para avaliar sua adequação à nova legislação.
Por meio de nota, o Shopping Parque Balneário informou que estão acompanhando a recente sanção da Lei nº 18.183/2025, e reconhece a relevância da medida para a inclusão de pessoas com Transtorno do Espectro Autista (TEA) e outras condições neuroatípicas.

Já no Praiamar Shopping, localizado no bairro da Aparecida, não há estudos sobre a criação do ambiente sensorial. Por fim no Miramar, pertencente a mesma rede, a administração não se comunicou se existe algum projeto em andamento.