Sabesp supera metas de água e esgoto após privatização
Companhia investiu R$ 10,4 bilhões em 2025, conectando milhares de lares e antecipando a universalização
- Publicado: 20/02/2026
- Alterado: 11/12/2025
- Autor: Daniela Penatti
- Fonte: Patati Patatá Circo Show
No primeiro ano completo após sua desestatização, a Sabesp registrou um desempenho superior ao estabelecido nas metas contratuais. A companhia alcançou 148% do previsto para a expansão da rede de água tratada e 130% no avanço da coleta de esgoto durante o biênio 2024–2025. A privatização, consolidada em julho de 2024 pelo Governo de São Paulo, é fiscalizada de perto pela Agência Reguladora de Serviços Públicos do Estado de São Paulo (Arsesp) e já demonstra resultados práticos nos 371 municípios atendidos.
Investimentos robustos e expansão acelerada
O volume de aportes financeiros foi decisivo para os resultados operacionais. Apenas nos primeiros nove meses de 2025, a Sabesp investiu R$ 10,4 bilhões. Desde que a nova gestão assumiu o controle, em outubro de 2024, a captação de recursos para novas obras somou aproximadamente R$ 18 bilhões.
Esse fluxo de capital permitiu conectar 762 mil residências à rede de esgoto, superando a meta de 588 mil e beneficiando 2,2 milhões de pessoas. No abastecimento de água, foram realizadas 645 mil novas ligações, frente a uma meta de 435 mil, levando o recurso essencial a quase 2 milhões de cidadãos.
Sobre a celeridade do processo, a secretária de Meio Ambiente, Infraestrutura e Logística, Natália Resende, ressalta:
“A privatização que realizamos em 2024 está permitindo tornar mais rápida a execução dos investimentos. Isso coloca São Paulo na direção certa do desenvolvimento sustentável, de mais água na torneira da casa das pessoas, de mais segurança hídrica para os paulistas.”
Antecipação da universalização do saneamento
O Marco Legal do Saneamento estipula que 99% da população deve ter acesso à água tratada e 90% ao tratamento de esgoto até 2033. Contudo, o novo modelo de gestão da Sabesp permitirá antecipar esses indicadores em quatro anos, atingindo a universalização no estado de São Paulo já em 2029. Para concretizar esse objetivo, a empresa projeta investir R$ 70 bilhões no período.
A eficiência operacional atual valida o modelo e prepara a companhia para o desafio de realizar mais de 4 milhões de novas conexões até o final de 2026. Carlos Piani, CEO da Sabesp, compara a velocidade atual com projetos anteriores:
“Para efeito de comparação, o Programa Novo Rio Pinheiros, um dos maiores projetos de saneamento da história de São Paulo, levou três anos e meio para conectar 650 mil domicílios. Nós fizemos esse mesmo número em apenas 10 meses.”
Atualmente, a empresa liga uma média de 2.400 domicílios por dia à rede, contando com mais de 32 mil trabalhadores em campo, número que deve escalar para 40 mil no pico das atividades.
Impacto ambiental e inclusão social da Sabesp
A expansão da infraestrutura gera reflexos diretos na recuperação ambiental. Segundo a Fundação SOS Mata Atlântica, a mancha de poluição no Rio Tietê recuou 33 quilômetros — uma redução de 15,9% em um ano. A Sabesp já conseguiu tratar 10 bilhões de litros de esgoto que antes eram despejados irregularmente, um avanço significativo frente ao volume total de 63 bilhões de litros mensais sem tratamento.
Além da questão ambiental, a desestatização permitiu o atendimento a áreas rurais e informais, antes restritas por barreiras contratuais. Foram realizadas conexões para:
- 163 mil residências na rede de esgoto;
- 105 mil moradias no sistema de água.
Essa ação impactou cerca de 728 mil pessoas nessas regiões, substituindo o uso de fossas artesanais e o descarte irregular por serviços adequados de saneamento.
Política tarifária e controle inflacionário
Apesar do aumento de 151% nos investimentos em 2025, a Sabesp mantém a tarifa mais barata do país entre as companhias privatizadas. Para 2026, a tarifa será 15% menor do que a projetada caso a empresa tivesse permanecido estatal. O reajuste atual não representa aumento real, limitando-se à reposição da inflação acumulada de 6,11% em 16 meses.
O modelo contratual exige que os investimentos sejam feitos antes das revisões tarifárias e conta com o suporte do Fundo de Apoio à Universalização (FAUSP). Este fundo, iniciado com R$ 4,4 bilhões do Governo de São Paulo, é alimentado por 100% dos dividendos da participação remanescente do Estado na companhia, garantindo modicidade tarifária e cumprimento das metas.