315 sensores com IA: Sabesp otimiza redes de esgoto em SP
Com a expansão do monitoramento de esgoto por sensores com IA, a Sabesp antecipa falhas e beneficia mais de 200 mil pessoas em São Paulo
- Publicado: 13/02/2026
- Alterado: 28/11/2025
- Autor: Redação
- Fonte: Sorria!,
A Sabesp está implementando uma significativa ampliação e modernização no monitoramento de esgoto de suas redes na capital paulista, marcando um novo patamar de excelência operacional. A inovação é sustentada pelo uso de sensores inteligentes, sofisticada modelagem hidráulica e plataformas digitais. Este sistema avançado possibilita acompanhar o comportamento de todo o sistema de saneamento – incluindo tubulações, poços de visita (PV) e estações de bombeamento (elevatórias) – em tempo real. O principal benefício é a antecipação da detecção de anomalias, permitindo ações preventivas que evitam transtornos à população e reduzem impactos ambientais.
A estratégia dos sensores com IA na detecção precoce
A tecnologia empregada integra diversos conjuntos de dados, como nível, vazão, chuvas, qualidade da água e indicadores ambientais, cruzando todas as informações com o apoio crucial da inteligência artificial (IA). Esta capacidade analítica dos sensores com IA é que permite identificar tendências e padrões que possam indicar um risco de obstrução ou outra falha operacional.
Os sensores são instalados diretamente nos PVs e realizam medições contínuas do nível do esgoto, transmitindo os dados em tempo real para a central de monitoramento. Quando os equipamentos detectam alterações que indicam risco de entupimento, vazamento ou redução de capacidade da rede, o sistema automaticamente aciona as equipes da Companhia.
Na sala de controle, os técnicos acompanham em tempo real o mapa dos sensores. O sistema gera alertas automáticos quando o nível do esgoto atinge faixas críticas, destacando os pontos de atenção no mapa com o acendimento de uma luz vermelha. Essa medida é uma antecipação de decisões: com o aviso, é possível estudar a situação de esgotamento da região e enviar equipes ao local antes que o problema cause algum transtorno ou haja registro de ocorrência por parte dos clientes.
Expansão da tecnologia nas redes de esgoto

Atualmente, o sistema conta com 315 sensores instalados na cidade de São Paulo, abrangendo regiões importantes como Santana, Jardins, Mooca, Ipiranga e o centro. Devido ao sucesso comprovado da iniciativa, a Sabesp planeja uma grande expansão: quase 1.000 novos sensores serão instalados na capital no próximo mês de dezembro.
A distribuição dos equipamentos é resultado de um planejamento estratégico, que mapeou os locais que historicamente apresentavam mais entupimentos na rede. Os primeiros bairros a receberem os sensores com IA foram Santana, na zona norte, em 2022, e a região do córrego Maranhão, no Tatuapé, na zona leste, em 2023.
A Sabesp priorizou áreas com grande presença de restaurantes e lanchonetes, onde o descarte irregular de óleo costuma causar obstruções. É importante lembrar que, quando jogado na pia, o óleo de fritura endurece dentro da tubulação, formando uma parede – o que é comparado ao endurecimento de uma placa de gordura que entope as veias, provocando infartos. Por isso, o óleo deve ser direcionado para reciclagem, onde pode ser transformado em sabão, por exemplo.
A área de abrangência do monitoramento cobre hoje mais de 150 bairros da capital, em regiões populosas e de importantes atividades econômicas, incluindo centros comerciais, hospitais, escolas e atrações turísticas. Entre as áreas monitoradas estão o centro histórico, a região do parque Ibirapuera, Jardins, Pinheiros, Consolação, Pompeia, Pacaembu, Perdizes, Lapa, Vila Leopoldina, Higienópolis, Liberdade, Bela Vista, Vila Mariana e Moema.
Na área do Centro, a tecnologia, que utiliza a plataforma de gêmeos digitais (SewerSight) para uma visão ampliada e integrada do cenário operacional, já antecipou a solução de ocorrências operacionais em 36.341 ligações de esgoto, beneficiando mais de 200 mil pessoas e ajudando a evitar retornos e intervenções emergenciais.
Na região de Santana, o início do monitoramento resultou em 251 vistorias realizadas, com 15 acompanhamentos de rede e sete ocorrências solucionadas de forma preventiva. O diretor regional Centro da Sabesp, Maycon Abreu, enfatiza a importância da tecnologia: “O sistema de monitoramento de esgoto por sensores é de extrema importância na operação da Sabesp. Ele traz mais inteligência, precisão e rapidez ao trabalho das equipes, reduzindo riscos à população e impactos ambientais. Com essa tecnologia, conseguimos agir antes do problema acontecer.”
Preservação hídrica: Os sensores com IA e a qualidade dos córregos
O alcance do monitoramento ultrapassa as redes de esgoto de rua e imóveis, estendendo-se à proteção dos córregos. Essa proteção se inicia com o monitoramento de nível de esgoto nos poços de visita que estão próximos aos corpos d’água.
Paralelamente, a qualidade dos córregos é avaliada por meio de indicadores essenciais: DBO (Demanda Bioquímica de Oxigênio) e DQO (Demanda Química de Oxigênio), que funcionam como um termômetro da saúde da água e ajudam a preservar os cursos d’água da capital.
Cesar Ridolpho, diretor regional Norte da Sabesp, destaca o papel do sistema: “O sistema da Sabesp que transporta o esgoto para as estações de tratamento contribui para a qualidade da água de nossos córregos e rios. Com o monitoramento, nossas equipes podem atuar antes que algum entupimento prejudique essa operação, seja por algum lançamento indevido de materiais nas redes, seja por necessidade de manutenção corretiva.”
- DBO: Mede a quantidade de oxigênio que os micro-organismos necessitam para decompor a matéria orgânica de forma natural (processo biológico). Níveis altos indicam que as bactérias consomem muito oxigênio dissolvido, prejudicando a vida aquática. Quanto menor o nível de DBO, melhor.
- DQO: É um processo que mede a carga total de poluição oxidável, incluindo a sujeira que os micro-organismos não conseguem decompor.
Níveis elevados de DBO e DQO confirmam a presença de poluição orgânica e total, indicando a necessidade de ação corretiva nas redes de esgoto.
Mau uso da rede: O desafio humano

Apesar dos significativos avanços tecnológicos, o bom funcionamento das redes de esgoto ainda depende do envolvimento e das práticas corretas da população. O mau uso da rede continua sendo um dos principais desafios operacionais.
As principais causas de obstruções incluem:
- Descarte de lixo sólido (panos, plásticos, fraldas, madeira, entulho).
- Óleo de cozinha despejado em pias.
- Ligações indevidas de água de chuva na rede de esgoto.
- Materiais de obra jogados nas tubulações.
Essas práticas incorretas podem causar retornos de esgoto para a via pública ou em imóveis e, no limite, gerar a poluição de rios e córregos, evidenciando a necessidade de conscientização mútua para o sucesso da tecnologia de sensores com IA.