Sabesp reduz pressão da água em SP
A medida tem como objetivo promover a economia de água
- Publicado: 19/01/2026
- Alterado: 27/08/2025
- Autor: Redação
- Fonte: Multiplan MorumbiShopping
A Companhia de Saneamento Básico do Estado de São Paulo (Sabesp) anunciou a partir desta quarta-feira, dia 27, a implementação de uma redução na pressão do abastecimento de água em toda a Região Metropolitana de São Paulo. A medida, que será aplicada diariamente entre as 21h e 5h, visa promover uma economia no consumo de água e foi definida em consonância com a Agência Reguladora de Serviços Públicos do Estado de São Paulo (Arsesp).
A Sabesp esclareceu que essa ação é temporária e preventiva, motivada pelo cenário atual de estiagem e pelos baixos níveis dos mananciais. Em comunicado oficial, a companhia destacou que o objetivo principal é minimizar as perdas e evitar vazamentos, garantindo assim a preservação dos reservatórios que atendem à região metropolitana.
De acordo com a empresa, imóveis que estão conectados a caixas-d’água poderão sofrer menos com os efeitos da diminuição da pressão. A Sabesp também enfatizou a importância do uso consciente da água por parte da população, especialmente neste momento crítico.
A Arsesp determinou essa redução visando economizar aproximadamente 4 mil litros de água por segundo até que os níveis dos reservatórios sejam restaurados. Recentemente, os dados informados pela Sabesp indicaram que o nível médio das represas do Sistema Cantareira, responsável pelo abastecimento da área, estava em 35,7%. A média geral dos reservatórios ficou em torno de 38,2%.
A estratégia adotada pela Sabesp não é nova e já havia sido utilizada durante a crise hídrica entre 2014 e 2016. Contudo, como efeito colateral, muitos moradores podem enfrentar falta d’água durante a noite, especialmente em bairros localizados em áreas mais altas ou afastadas do centro da capital paulista.
Moradores relataram experiências semelhantes no passado. Durante uma crise anterior, residentes afirmaram que a água se esgotava antes do horário previsto para o desligamento do fornecimento. A empresa admitiu posteriormente que estava realizando uma redução na pressão da água.
O mês de agosto é tradicionalmente um período seco na região, e nos últimos anos o padrão se manteve. No final de agosto de 2025, por exemplo, as chuvas representaram apenas 8% do esperado para o mês, impactando diretamente os níveis dos reservatórios.
A redução da pressão noturna é vista como uma medida essencial para minimizar as perdas ocasionadas por vazamentos na rede subterrânea de distribuição. Com menos pressão, as perdas são reduzidas proporcionalmente.
Thiago Mesquita Nunes, diretor-presidente da Arsesp, explicou que os usuários podem notar uma falta d’água durante a noite em suas torneiras; no entanto, o abastecimento deve ser restabelecido ao amanhecer. Essa situação pode variar dependendo da localização específica dos usuários.
O cenário atual reflete uma situação similar à observada em 2021, embora seja considerado melhor em comparação com a crise hídrica mais severa registrada em 2014.
A dinâmica das chuvas na Região Metropolitana é marcada por dois períodos: o chuvoso (outubro a março) e o seco (abril a setembro). Historicamente, as chuvas nos meses chuvosos garantem o estoque necessário para o abastecimento ao longo do ano. Contudo, as últimas temporadas chuvosas não conseguiram recuperar os níveis dos reservatórios adequadamente.
No ciclo chuvoso de 2022, os reservatórios acumularam mais de 715 bilhões de litros; já no ano seguinte houve uma perda significativa com quase 323 milhões de litros perdidos. Em contrapartida, as chuvas em 2023 resultaram em um aumento modesto no armazenamento hídrico. O quadro se agravou em 2024 com uma nova estiagem que resultou na perda total de 617 milhões de litros nos reservatórios.