Sabesp recolhe 800 toneladas de lixo por mês no esgoto
Descarte incorreto entope a tubulação e mobiliza a Sabesp para realizar mais de 163 mil desentupimentos em um ano; veja o impacto da falta de conscientização.
- Publicado: 29/01/2026
- Alterado: 17/11/2025
- Autor: Redação
- Fonte: FERVER
A Sabesp, companhia responsável pelo saneamento em grande parte do Estado de São Paulo, enfrenta um desafio logístico e ambiental de proporções colossais: a retirada mensal de cerca de 800 toneladas de lixo das redes coletoras e das Estações de Tratamento de Esgoto (ETEs). Esse volume alarmante, que jamais deveria encontrar seu caminho para o sistema de esgotamento sanitário, equivale à produção média de resíduos de aproximadamente 27 mil pessoas ou ao peso impressionante de 130 elefantes-africanos.
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O custo do mau hábito: Por que a rede da Sabesp não é lixeira?
O resíduo que entope o sistema é o resultado direto do descarte incorreto em vasos sanitários, pias e ralos domésticos. Essa prática não apenas dificulta o processo de tratamento do esgoto, mas também pode causar entupimentos severos e danos à infraestrutura de saneamento da Sabesp nos 375 municípios atendidos.
Na Região Metropolitana de São Paulo, a concentração de lixo é ainda mais crítica, com o volume atingindo cerca de 580 toneladas ao mês. Isso corresponde, em uma comparação chocante, ao peso aproximado de 950 vacas adultas sendo removidas do sistema a cada 30 dias.
Entre os itens mais comumente encontrados nos equipamentos de tratamento e nas tubulações, destacam-se:
- Higiene Pessoal: Preservativos, fraldas descartáveis, absorventes e fios de cabelo.
- Domésticos: Óleo de fritura, tampinhas de garrafa, plásticos, trapos e fibras de tecido.
- Outros: Pinos de drogas.
O descarte irregular desses materiais impede o fluxo adequado do esgoto, eleva significativamente o risco de vazamentos e, consequentemente, aumenta os custos operacionais para manutenção do sistema.
Impactos diretos na infraestrutura e no trânsito
O uso inadequado da rede de esgoto é, indiscutivelmente, a principal causa de obstruções e vazamentos, impactando a qualidade dos serviços prestados pela Sabesp e o meio ambiente. Além do lixo, outro fator que contribui para a sobrecarga é a ligação irregular da água da chuva diretamente na rede de esgoto, que não foi projetada para esse volume.
O efeito dominó dessas ações é sentido por toda a população. Nos últimos 12 meses, a Companhia registrou e realizou um total de 163.992 desentupimentos em seu sistema.
O trabalho de desobstrução, que exige o bloqueio de vias para o uso de equipamentos pesados e, muitas vezes, a abertura de valas, afeta diretamente o trânsito das cidades.
O Problema do Óleo de Fritura na Rede
Quando há lançamento de óleo de fritura na pia, o problema se agrava exponencialmente. Dentro da tubulação, essa gordura se solidifica e endurece, tornando-se impossível desobstruir a rede apenas com o uso de equipamentos de sucção ou jateamento de água. Nessas situações extremas, a Sabesp é obrigada a quebrar a rua para substituir um trecho inteiro do tubo. A conscientização sobre o descarte correto, portanto, é vital.
Todo o material indevido que é retirado das estações de tratamento de esgoto não é reaproveitado na rede. Ele é cuidadosamente armazenado em caçambas e, seguindo rigorosamente as normas e exigências ambientais, é enviado para aterros sanitários devidamente licenciados, completando o ciclo de tratamento e destinação final que a Sabesp precisa realizar devido à má utilização da rede.