Sabesp intensifica redução da pressão da água em SP
Medidas visam conter crise hídrica e economizar recursos em meio à escassez
- Publicado: 13/02/2026
- Alterado: 22/09/2025
- Autor: Redação
- Fonte: Sorria!,
A Companhia de Saneamento Básico do Estado de São Paulo (Sabesp) anunciou uma ampliação nas medidas de redução da pressão da água na Grande São Paulo, seguindo orientações da Agência Reguladora de Serviços Públicos do Estado de São Paulo (Arsesp). Esta decisão é uma resposta direta à falta de chuvas e ao baixo nível dos reservatórios da região.

A partir desta segunda-feira (22), a Sabesp passará a reduzir a pressão da água diariamente das 19h às 5h, aumentando o tempo de redução de oito para dez horas. Essa medida temporária tem como principal objetivo promover a economia no abastecimento de água.
Anteriormente, desde o dia 27 de agosto, a companhia já havia implementado a redução da pressão das 21h às 5h. A mudança agora é um esforço contínuo para garantir que as reservas de água sejam preservadas, especialmente em um cenário em que a previsão climática não indica chuvas significativas.
Estratégia da Sabesp
O impacto dessa estratégia pode ser sentido mais intensamente por moradores de áreas elevadas e distantes do centro da capital, que correm o risco de enfrentar a falta total de água durante a noite. Segundo a Sabesp, essa é uma ação preventiva, solicitada pela Arsesp, com o intuito de minimizar perdas e vazamentos na rede de distribuição.
A empresa também enfatizou que residências com caixas-d’água conectadas poderão sofrer menos com as consequências dessa redução na pressão. A importância do uso consciente da água foi destacada pela companhia, que recentemente passou por um processo de desestatização sob a gestão do governador Tarcísio de Freitas (Republicanos).
O governo paulista informou que, desde o início da primeira fase da redução da pressão, houve uma economia prevista de 4 m³/s, com um resultado alcançado superior a esse valor, totalizando 4,2 m³/s. Esse volume seria suficiente para abastecer mais de 800 mil pessoas durante um mês, o equivalente à população de cidades como São Bernardo do Campo.

As ações adotadas foram consideradas necessárias para evitar uma queda acentuada nos níveis dos mananciais. O último boletim do Comitê de Integração das Agências para a Segurança Hídrica revelou que o sistema responsável pelo abastecimento na região metropolitana operava com apenas 32,8% de seu volume útil — uma queda significativa em comparação aos índices registrados em anos anteriores.
Os sistemas Cantareira e Alto Tietê, que representam cerca de 80% da capacidade hídrica do sistema, apresentavam níveis alarmantes: 30,3% e 26,1%, respectivamente. A média diária de queda nos reservatórios foi calculada em 0,26% ao longo da última semana.
Essas medidas lembram as estratégias adotadas durante a crise hídrica entre 2014 e 2016. Embora os desafios atuais não sejam tão severos quanto os daquela época, muitos moradores já relatam experiências difíceis com o abastecimento noturno em áreas mais afastadas.

Em regiões como Itaim Paulista, no extremo Leste da capital, os relatos sobre a escassez de água são frequentes. Moradores mencionam dificuldades diárias e expressam preocupação com a situação atual. “Faz tempo que as pessoas estão reclamando. Para nós, à noite é um momento crítico”, compartilhou Teresa Godois, uma aposentada local.
A Sabesp reconhece que há um histórico recorrente relacionado à falta d’água em determinados bairros durante períodos críticos e busca mitigar os efeitos colaterais dessa redução na pressão.
Com relação ao regime das chuvas na região metropolitana, os meses entre outubro e março são considerados o período chuvoso ideal para acumular reservas. Entretanto, as últimas duas temporadas chuvosas têm sido insuficientes para repor adequadamente os níveis dos reservatórios.
No ciclo chuvoso anterior em 2022, as represas acumularam mais de 715 bilhões de litros. Contudo, nas secas subsequentes em 2023 e no início deste ano, os números mostram perdas alarmantes que somam milhões de litros não repostos adequadamente.