Sabesp media debate sobre saneamento básico na COP30
O painel em Belém reforçou a importância do saneamento básico na América do Sul, destacando a infraestrutura como resposta crucial para a adaptação à crise climática
- Publicado: 29/01/2026
- Alterado: 12/11/2025
- Autor: Redação
- Fonte: FERVER
A discussão sobre o futuro do clima global ganhou um eixo fundamental de justiça social e infraestrutura na COP30, em Belém (PA). Ontem, 11 de novembro, a Sabesp, única empresa latino-americana com espaço na restrita Blue Zone da conferência, mediou o painel “Desafios da Universalização do Acesso à Água e ao Saneamento Básico na América do Sul: Perspectivas do Sul Global”. O evento reuniu representantes públicos e especialistas da América Latina para debater estratégias técnicas e políticas capazes de impulsionar o acesso à água potável e ao saneamento básico na região.
Apesar de ser uma das áreas com maior abundância hídrica do planeta, a América do Sul ainda enfrenta uma profunda desigualdade no setor, com mais de 100 milhões de pessoas sem acesso adequado a esses serviços essenciais. A organização do painel, feita em parceria com a UNFCCC (braço de clima da ONU), reforça a estratégia institucional da Sabesp de internacionalizar a pauta do saneamento básico como um elemento crucial da ação climática.
Saneamento Básico: Uma política climática de primeira ordem

O debate foi conduzido por Rachel Sampaio, diretora de Sustentabilidade da Sabesp, que estabeleceu imediatamente o tom da discussão ao defender o saneamento básico não apenas como uma meta social, mas como uma política climática de primeira ordem.
“A exclusão de milhões de pessoas do acesso à água e esgoto tratado é um fator que amplia a vulnerabilidade frente aos eventos extremos”, destacou Sampaio, pontuando que a falta de infraestrutura básica compromete a resiliência das comunidades. “Saneamento é infraestrutura de adaptação”, afirmou, ressaltando o papel direto do setor na proteção contra os impactos da crise climática.
A Contribuição brasileira: Antecipação de metas e impacto na saúde
A secretária de Meio Ambiente, Infraestrutura e Logística do Estado de São Paulo, Natália Resende Andrade Ávila, trouxe a experiência paulista para o debate, representando o poder público. Ela detalhou o ambicioso projeto do governo de São Paulo de antecipar a meta de universalização, buscando atingir 100% de cobertura de água e esgoto até 2029, quatro anos antes do prazo estabelecido pela legislação federal.
Segundo a secretária, a reestruturação dos contratos da Sabesp foi um passo decisivo, permitindo a inclusão de populações historicamente negligenciadas, como comunidades rurais, indígenas e bairros periféricos, no escopo do atendimento. Natália Ávila defendeu a manutenção do saneamento básico como uma prioridade de Estado, ancorada em evidências técnicas e no impacto direto na saúde pública. “Reduzir doenças de veiculação hídrica também é reduzir emissões e aumentar resiliência. Saneamento não é apenas uma meta de infraestrutura: é uma resposta concreta à crise climática”, sentenciou.
O olhar do setor privado sul-americano
Para trazer a perspectiva do setor privado sul-americano, o painel contou com a participação de Felipe Sanchez, head de sustentabilidade da Águas Andinas, uma das principais operadoras de serviços de água e esgoto do Chile. Sanchez enfatizou os desafios singulares das cidades latino-americanas em garantir o acesso equitativo à água, especialmente diante da combinação de eventos climáticos extremos, urbanização acelerada e déficits históricos de infraestrutura.
O executivo apresentou exemplos de inovação de sua companhia, como o uso de fontes alternativas de água e investimentos em tecnologias de monitoramento e em metas corporativas de descarbonização. Para ele, a integração entre objetivos sociais e ambientais é não só possível, mas inegociável: “É urgente pensar modelos que combinem viabilidade econômica com responsabilidade climática. A agenda do saneamento não pode estar dissociada da agenda ambiental”, concluiu.
Cooperação Sul-Sul e o financiamento climático
Durante a discussão, Rachel Sampaio, da Sabesp, mencionou projetos que unem eficiência operacional, inovação e sustentabilidade, destacando:
- Programas de reuso de água.
- Iniciativas de proteção de mananciais.
- Tecnologias de controle de perdas.
- Planos de ampliação de acesso em áreas vulneráveis.
Um dos pontos mais enfáticos do painel foi a defesa da inclusão definitiva do saneamento na agenda de financiamento climático. Sampaio argumentou: “Se queremos adaptação real, precisamos investir em soluções que já demonstram impacto direto na vida das pessoas. O saneamento básico é uma delas.”
O painel também realçou o papel vital das parcerias internacionais e da cooperação Sul-Sul para acelerar a universalização na América Latina. A ausência de infraestrutura básica em vastas áreas da região não só eleva a exposição a doenças e compromete o desenvolvimento econômico, mas também amplia drasticamente os efeitos das mudanças climáticas sobre as populações mais vulneráveis.
Ao final do encontro, o consenso foi claro: a urgência de integrar os temas de saneamento, saúde e clima em políticas públicas articuladas deve ser uma prioridade nos compromissos globais. O mote da Sabesp na COP30 – “Saneamento é vida, COP30 é ação” – resume a busca por posicionar o tema como o elo central entre justiça social e ação climática. A mediação do painel consolida a Sabesp como um agente articulador de soluções climáticas, reforçando a mensagem de que água e esgoto são mais do que indicadores de desenvolvimento; são pré-condições essenciais para que a adaptação climática ocorra de forma justa e eficaz na região.