Rússia usa supermíssil em mega-ataque contra a Ucrânia

Bombardeio com drones e mísseis da Rússia deixou mortos e feridos em Kiev e elevou a tensão entre Moscou, Ucrânia e países europeus

Crédito: Kremlin

A Rússia realizou na madrugada deste domingo (24) um dos maiores ataques aéreos contra a Ucrânia desde o início da guerra, em fevereiro de 2022. A ofensiva teve como principal alvo a capital Kiev e contou com o uso inédito do supermíssil balístico Orechnik em uma região próxima à cidade.

Segundo autoridades ucranianas, ao menos quatro pessoas morreram e outras 80 ficaram feridas durante os bombardeios. O Ministério da Defesa russo afirmou que a ação foi uma resposta ao ataque ocorrido na sexta-feira (22), quando 18 pessoas morreram em um dormitório estudantil na região ocupada de Lugansk.

O prefeito de Kiev, Vitali Klitschko, classificou a madrugada como “terrível” e informou que a capital foi atingida por uma ofensiva envolvendo cerca de 90 mísseis e 600 drones.

Orechnik amplia temor de escalada militar

O destaque do ataque foi o uso do míssil Orechnik, armamento balístico de alcance intermediário desenvolvido pela Rússia para cenários de guerra nuclear. Essa foi apenas a terceira vez que o equipamento foi utilizado no conflito.

O alvo do disparo teria sido a cidade de Bila Tservka, localizada a cerca de 64 quilômetros ao sul de Kiev. O míssil possui capacidade para transportar múltiplas ogivas em velocidades hipersônicas, dificultando qualquer tentativa de interceptação.

Mesmo sem explosivos, as ogivas utilizadas provocam destruição devido à força de impacto. O uso do Orechnik também foi interpretado como uma demonstração de força do governo de Vladimir Putin diante da Europa e da Otan.

Rússia também utilizou armas hipersônicas

Além do Orechnik, Moscou empregou parte de seu arsenal hipersônico no ataque. Entre os armamentos utilizados estão os mísseis Kinjal e Tsirkon, além dos mísseis balísticos Iskander-M, com alcance de até 500 quilômetros.

Os ataques ocorreram poucos dias após a Rússia realizar exercícios nucleares em conjunto com Belarus, aliado estratégico do Kremlin. O governo russo vem ampliando demonstrações militares em meio às tentativas internacionais de negociação lideradas por países europeus e pelos Estados Unidos.

O chanceler da Alemanha, Friedrich Merz, criticou a ofensiva e afirmou que a ação representa uma “escalada irresponsável” do conflito.

Guerra segue sem avanço decisivo

Apesar da intensidade dos ataques, o cenário no campo de batalha permanece praticamente estagnado. A Rússia controla cerca de 20% do território ucraniano, mas enfrenta dificuldades para consolidar avanços definitivos.

Analistas próximos ao Kremlin já demonstram preocupação com a continuidade da guerra. O especialista russo Vitali Kachin defendeu recentemente um acordo de paz imediato, argumentando que nenhum dos lados possui condições de conquistar uma vitória total.

Enquanto isso, o conflito continua elevando a tensão geopolítica global e ampliando os temores de uma escalada militar envolvendo potências nucleares.

  • Publicado: 24/05/2026 11:14
  • Alterado: 24/05/2026 11:14
  • Autor: Suzana Rezende
  • Fonte: FolhaPress