Rússia bloqueia Roblox por suposta ‘propaganda LGBT

Rússia bloqueia Roblox por 'propaganda LGBT' e conteúdo extremista; entenda os impactos na comunidade gamer e as reações globais

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A Rússia deu mais um passo na sua ofensiva regulatória contra o conteúdo digital ocidental. A Roskomnadzor, agência estatal responsável pela supervisão das comunicações no país, anunciou nesta quarta-feira (3) o bloqueio total do acesso à plataforma de jogos online Roblox. A medida drástica foi justificada sob a alegação de que o serviço estaria distribuindo conteúdo extremista e a controversa “propaganda LGBT”.

Este movimento se insere em um contexto de repressão cada vez mais severa por parte do governo russo, que tem como alvo plataformas de grande alcance global. De acordo com o órgão regulador, o Roblox apresenta um volume considerável de material que considera inadequado, capaz de “prejudicar o desenvolvimento espiritual e moral das crianças”. Apesar da gravidade da acusação, a agência não detalhou quais conteúdos específicos levaram à decisão do bloqueio.

Roblox e a linha de defesa contra a moderação global

Com uma base de usuários gigantesca, o Roblox é um ecossistema digital de peso, ostentando uma média impressionante de 151,5 milhões de usuários ativos diariamente no período entre outubro e dezembro deste ano. A interrupção de acesso a um serviço dessa magnitude não é trivial e afeta uma parte significativa da população jovem russa.

A empresa responsável pela plataforma, no entanto, ainda não se manifestou publicamente sobre o assunto, mesmo após o pedido de comentários enviado pela imprensa.

Apesar de seus esforços declarados para manter um ambiente seguro, o Roblox já enfrentou restrições e escrutínio em outros países. Em nações como Iraque e Turquia, a plataforma foi alvo de preocupações governamentais relacionadas ao potencial uso do ambiente digital para abusos contra crianças.

Em sua defesa, a organização afirma estar profundamente comprometida com a segurança de seus usuários. Para isso, implementa ferramentas avançadas de inteligência artificial e mantém equipes de moderação dedicadas, que trabalham continuamente na filtragem de conteúdo. Além disso, a companhia destaca sua colaboração com autoridades policiais e especialistas em segurança infantil para proteger sua comunidade global.

A intensificação da repressão a conteúdos no país

O histórico da Roskomnadzor revela um padrão extenso de limitações ao acesso a plataformas de mídia e tecnologia ocidentais. Frequentemente, as alegações usadas para justificar os bloqueios e advertências são de que estas plataformas estariam violando legislações locais — muitas delas criadas recentemente ou de forma mais restritiva.

Em uma ação anterior notória, o aplicativo de aprendizado de idiomas Duolingo foi obrigado a remover referências ao que a Rússia rotula como “relações sexuais não tradicionais” após receber advertências diretas do órgão regulador sobre a presença de conteúdos LGBTQIA+.

O ápice dessa escalada regulatória se deu neste ano, quando a Rússia declarou o denominado “movimento LGBT internacional” como extremista e seus apoiadores como terroristas. Tal medida intensificou as ações legais e o policiamento digital contra membros da comunidade LGBTQIA+ e seus defensores. O bloqueio do Roblox, sob o pretexto de combater a “propaganda LGBT”, é a materialização da aplicação dessa lei no campo digital e de consumo de massa.

A regulamentação russa se expandiu para incluir restrições severas em plataformas de mensagens privadas, como WhatsApp e Telegram. Nesses casos, as acusações frequentemente se relacionam à recusa das empresas em compartilhar informações sigilosas com as autoridades em investigações de fraudes e terrorismo. O ambiente regulatório é tão tenso que, na semana passada, a Roskomnadzor chegou a emitir ameaças de bloqueio total ao WhatsApp caso a plataforma não demonstre maior colaboração nas investigações requeridas pelas autoridades russas, demonstrando o poder de censura do órgão.

  • Publicado: 26/01/2026
  • Alterado: 26/01/2026
  • Autor: 03/12/2025
  • Fonte: Léo Santana