Rumble volta ao Brasil e tem acesso liberado após um ano
Plataforma de vídeos retoma funcionamento no país após longo embate judicial com o STF. Entenda os motivos do retorno e o histórico do bloqueio.
- Publicado: 29/01/2026
- Alterado: 05/02/2026
- Autor: Redação
- Fonte: FERVER
A plataforma Rumble e seu aplicativo oficial voltaram a ficar acessíveis para usuários brasileiros na tarde desta terça-feira, dia 2. O retorno repentino marca o fim de um período de suspensão que se estendia desde fevereiro de 2025, embora a empresa afirme não ter recebido notificação oficial sobre alterações no processo legal.
Fontes ligadas à equipe jurídica da rede social confirmaram a normalização do tráfego. O bloqueio original foi motivado por um intenso conflito com o Supremo Tribunal Federal (STF), iniciado quando a empresa se recusou a cumprir ordens judiciais para remover perfis específicos.
O embate judicial da Rumble com o STF
A crise institucional começou quando o ministro Alexandre de Moraes exigiu a suspensão de contas acusadas de atentar contra a democracia e o sistema eleitoral. Diante da negativa da Rumble em acatar as decisões e da ausência de um representante legal no Brasil, o magistrado determinou o bloqueio total do serviço.
Na época, Moraes argumentou que todos os esforços para manter a plataforma ativa foram esgotados. A Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel) executou o corte em 22 de fevereiro de 2025. Em resposta, a Rumble e o Trump Media & Technology Group recorreram à Justiça dos Estados Unidos.
A defesa alegou que as ordens brasileiras violavam a soberania americana e a Primeira Emenda da Constituição dos EUA. Chris Pavlovski, fundador da Rumble, utilizou o X (antigo Twitter) para classificar a ordem como ilegal e desafiar a jurisdição brasileira sobre uma empresa sediada no hemisfério norte.
Migração de influenciadores e infraestrutura
A plataforma se tornou um refúgio digital para criadores de conteúdo banidos de redes convencionais, como o YouTube. Figuras como o blogueiro Allan dos Santos e o influenciador Monark migraram suas audiências para a Rumble após terem contas bloqueadas por determinação do STF.
Allan dos Santos, que possui ordem de prisão preventiva desde 2021 e reside nos Estados Unidos, utilizava a rede para manter sua comunicação ativa. A infraestrutura tecnológica da empresa também é vital para a Truth Social, rede social de Donald Trump, demonstrando a relevância técnica da Rumble no ecossistema conservador global.
Origem e crescimento da plataforma
Fundada em 2013 no Canadá, a empresa nasceu como uma alternativa para criadores independentes, com foco inicial em vídeos virais leves. O cenário mudou drasticamente em 2021. Após a invasão do Capitólio e o banimento de Trump das grandes redes, houve um êxodo massivo de usuários em busca de liberdade de expressão irrestrita na Rumble.
O valor de mercado da companhia saltou para US$ 500 milhões nesse período. Investidores de peso, como Peter Thiel e J.D. Vance, aportaram capital no negócio. A reeleição de Trump e o novo cenário político parecem ter influenciado a retomada das operações, embora ainda não esteja claro se a exigência de representação legal foi cumprida pela Rumble.