Rua Joaquim Antunes vive aumento de roubos e furtos em Pinheiros

Moradores relatam medo e mudanças de rotina diante da violência; polícia afirma reforçar patrulhamento na região de Pinheiros

Crédito: Google Maps

A rua Joaquim Antunes, localizada no bairro de Pinheiros, zona oeste de São Paulo, tornou-se sinônimo de medo para os moradores. De janeiro a agosto deste ano, foram registrados 45 casos de furtos e roubos de celular, segundo dados da Secretaria da Segurança Pública (SSP). O número reflete uma rotina de violência que alterou completamente o comportamento da vizinhança.

Com medo dos criminosos, especialmente os que circulam em motocicletas, os moradores evitam caminhar a pé, preferem deixar o celular em casa e retiram alianças antes de sair. “Mudou totalmente minha rotina e do meu marido. Só saímos a pé quando é muito necessário e sem levar nada de valor”, relatou a engenheira Débora Valeri, moradora da rua em Pinheiros desde janeiro.

A onda de crimes também tem afetado a convivência no bairro. “Os criminosos estão cada vez mais violentos, atiram, matam, tudo por um celular. É revoltante o tanto de impostos que pagamos para não ter o mínimo de segurança”, desabafou Valeri.

Estatísticas preocupantes e casos violentos

Os números reforçam a sensação de insegurança. Foram 33 roubos e 12 furtos de celulares registrados entre janeiro e agosto. A maior parte dos aparelhos levados é da marca iPhone, devido ao alto valor de revenda no mercado paralelo. O trecho mais crítico da via, entre os números 900 e 1.000, concentrou 17 ocorrências no período.

Em um dos casos recentes, um criminoso em uma motocicleta assaltou cinco pedestres em sequência e baleou uma vítima na perna. O caso foi registrado no 14º DP (Pinheiros) e no 15º DP (Itaim Bibi), que dividem a responsabilidade pela área.

Outro episódio que marcou os moradores ocorreu em janeiro, quando Vitor Rocha e Silva, 23 anos, foi morto após reagir a um roubo de celular enquanto caminhava com o namorado. O suspeito, um adolescente, foi apreendido posteriormente.

As investigações apontam que os celulares roubados em Pinheiros são encaminhados para receptadores na favela de Paraisópolis, onde são revendidos a quadrilhas que os enviam ao exterior ou desmontam os aparelhos para venda de peças no centro da capital.

Reação da polícia e da comunidade

Em nota, a Secretaria da Segurança Pública afirmou que o policiamento na região de Pinheiros é reorientado constantemente pelo 23º Batalhão de Polícia Militar, com base nos registros de ocorrência. A pasta destacou que, entre janeiro e agosto, 631 pessoas foram presas ou apreendidas na área do 14º DP e que os roubos caíram 15,49% em relação ao mesmo período de 2024.

Mesmo assim, a sensação de insegurança permanece. Moradores se organizam em grupos para pressionar as autoridades e já recolheram mais de 9 mil assinaturas em um abaixo-assinado por mais segurança.

As opiniões, porém, divergem sobre as medidas. Parte dos vizinhos defende a contratação de segurança privada, enquanto outros acreditam que o Estado deve ser o responsável pela proteção. Também há debate sobre a fixação de cartazes de alerta sobre os crimes.

Para alguns, como a arquiteta e urbanista Lizete Maria Ribeiro, os cartazes são essenciais para chamar atenção ao problema: “Eu adorei o cartaz, achei ótimo porque o mercado se ofende. É importante essa radicalização.” Já outros consideram a prática prejudicial à valorização dos imóveis.

“Cartazes não fazem diferença na atuação contra os crimes e só desvalorizam a região”, rebateu Débora Valeri.

Insegurança muda o comportamento em Pinheiros

Com o aumento dos crimes, a vida noturna e o comércio local também sentiram os impactos. Moradores relatam que evitam sair após as 20h e, ao chegar em casa, ligam para o porteiro para abrir o portão rapidamente. “Passou das 20h, a gente anda tremendo, corre de um lado para o outro da rua, porque tem certeza que vai parar uma moto”, contou Lizete Ribeiro.

Para ela, o policiamento ostensivo é essencial. “A PM precisa estar presente nas ruas, fazendo ronda. Segurança não é uma questão privada, é dever do Estado”, reforçou.

Enquanto o medo cresce, a rua Joaquim Antunes, conhecida por seus comércios e vida movimentada, tenta resistir à fama de “rua do medo”, buscando soluções que devolvam aos moradores o direito de andar sem temor pelas calçadas de Pinheiros.

  • Publicado: 20/01/2026
  • Alterado: 20/01/2026
  • Autor: 19/10/2025
  • Fonte: Farol Santander São Paulo