Consórcio Rota Mogiana avança para assumir 520 km de rodovias em SP
Grupo foi habilitado após leilão na B3 e projeto prevê R$ 9,4 bilhões em obras, redução tarifária em trechos e impacto em 22 municípios paulistas
- Publicado: 31/03/2026 13:10
- Alterado: 31/03/2026 13:10
- Autor: Edvaldo Barone
- Fonte: SPI
O Consórcio Rota Mogiana foi oficialmente declarado vencedor da concessão de um dos principais lotes rodoviários do interior de São Paulo, após a conclusão da etapa de habilitação conduzida pelo Governo do Estado. Com isso, o projeto avança agora para as fases finais de homologação e adjudicação antes da assinatura do contrato, que deve transferir à iniciativa privada a operação de 520 quilômetros de rodovias atualmente sob responsabilidade da Renovias e do DER-SP.
A concessão, leiloada na B3, prevê R$ 9,4 bilhões em investimentos ao longo de 30 anos e é tratada pelo governo paulista como uma das apostas mais relevantes para ampliar a capacidade logística, melhorar a segurança viária e reforçar a conexão entre regiões estratégicas do interior. O pacote envolve obras de duplicação, implantação de marginais, faixas adicionais, passarelas e novos acessos, com impacto direto sobre a mobilidade de 2,3 milhões de pessoas em 22 municípios.
A proposta vencedora chamou atenção pelo valor da outorga fixa oferecida, R$ 1,08 bilhão, com ágio de 187.007,54% em relação ao mínimo estabelecido no edital. O resultado superou outras três propostas apresentadas no certame e reforçou o apetite do mercado por ativos de infraestrutura rodoviária em São Paulo, especialmente em corredores com forte peso logístico, industrial e agrícola.
Rota Mogiana conecta regiões estratégicas e mira logística, segurança e fluidez
O lote da Rota Mogiana reúne trechos considerados estratégicos para o deslocamento de cargas e passageiros no interior paulista, formando um corredor que liga a Região Metropolitana de Campinas a Ribeirão Preto e à divisa com Minas Gerais. Na prática, isso significa influência direta sobre rotas utilizadas pelo agronegócio, por cadeias industriais e também por deslocamentos regionais associados ao turismo e à circulação econômica entre cidades de médio porte.
Entre as principais obras previstas estão mais de 217 quilômetros de duplicações, além da implantação de 86 quilômetros de vias marginais, 138 quilômetros de faixas adicionais, 58 novas passarelas e 129 dispositivos de interseção e acessos. O objetivo é atacar gargalos históricos de tráfego, melhorar a fluidez em trechos com maior pressão de circulação e ampliar a segurança em áreas urbanas e periurbanas.
Segundo o secretário de Parcerias em Investimentos do Estado de São Paulo, Rafael Benini, o resultado do leilão reforça a estratégia do governo de estruturar projetos com atratividade econômica e previsibilidade jurídica. “A Rota Mogiana mostra que São Paulo tem projetos bem estruturados, com segurança jurídica e foco em entrega. É isso que garante competição no leilão, atrai investimento e, principalmente, viabiliza obras que fazem diferença na vida das pessoas”, afirmou.
Após a conclusão dos trâmites formais, a futura concessionária da Rota Mogiana terá até 60 dias para assinar o contrato e iniciar a fase de transição operacional.
Concessão também prevê redução tarifária e geração de empregos

Além do pacote de obras, o modelo de concessão adotado pelo Estado prevê mudanças no sistema tarifário em diferentes praças ao longo do trecho da Rota Mogiana. De acordo com o governo paulista, haverá redução nas tarifas atuais em diversos pontos, com quedas que podem chegar a 29%, dentro da política de padronização do valor por quilômetro e de cobrança mais proporcional ao uso efetivo das rodovias.
Esse ponto costuma ser um dos mais sensíveis em concessões rodoviárias, já que a ampliação de obras e serviços quase sempre vem acompanhada de debate sobre pedágios. No caso da Rota Mogiana, a gestão estadual sustenta que o novo modelo busca equilibrar investimento, modernização e racionalidade tarifária, ao mesmo tempo em que antecipa melhorias já no início da operação.
A expectativa oficial é que a concessão gere cerca de 11 mil empregos diretos e indiretos, especialmente em frentes ligadas à execução de obras, operação viária, manutenção, sinalização, atendimento ao usuário e apoio logístico. Para municípios do interior, esse tipo de contrato costuma ter efeito também sobre cadeias locais de serviços, transporte, hotelaria e fornecimento técnico.
Modelo foi submetido a consulta pública e integra estratégia de expansão paulista

Segundo a Secretaria de Parcerias em Investimentos, o desenho final do projeto da Rota Mogiana passou por consultas e audiências públicas antes da publicação do edital. Ao todo, foram registradas 284 contribuições de representantes da sociedade civil, gestores municipais e agentes do setor, analisadas pelas equipes técnicas da SPI e da Artesp.
A proposta faz parte da política de expansão e requalificação da infraestrutura rodoviária paulista, em um momento em que o Estado tenta consolidar seu protagonismo nacional no setor de concessões. Esse argumento também é sustentado por indicadores recentes. De acordo com a última Pesquisa CNT de Rodovias, 14 das 20 rodovias mais bem avaliadas do Brasil estão em São Paulo, sendo 11 delas concedidas, com destaque para critérios como pavimento, sinalização e geometria viária.
Na avaliação do governo estadual, a entrada do Consórcio Rota Mogiana em um lote desse porte reforça a estratégia de ampliar investimentos privados em corredores considerados essenciais para a competitividade econômica paulista. Na prática, o sucesso da concessão, porém, dependerá menos do leilão em si e mais da capacidade de transformar promessa contratual em obra entregue, tráfego mais seguro e melhoria real para quem usa a estrada no dia a dia.