Rosana Valle indica incluir vacina contra Herpes-Zóster no SUS

Deputada Rosana Valle protocola proposta para oferta gratuita contra Herpes-Zóster após Ministério da Saúde alegar falta de verbas.

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A inclusão da vacina contra a Herpes-Zóster no Programa Nacional de Imunizações (PNI) tornou-se o novo centro do debate no Congresso Nacional. Nesta semana, a deputada federal Rosana Valle (PL-SP) protocolou um Projeto de Lei que determina a oferta gratuita do imunizante pelo Sistema Único de Saúde (SUS). A medida surge em resposta direta ao recente posicionamento do governo federal, que alegou indisponibilidade orçamentária para custear a vacinação em massa.

Popularmente conhecida como “cobreiro”, a Herpes-Zóster é causada pela reativação do vírus varicela-zoster. A doença tem registrado uma escalada preocupante no Brasil: apenas em 2023, foram mais de 120 mil casos, com surtos recorrentes entre 2024 e o início de 2026, especialmente em estados como São Paulo, Minas Gerais e Rio de Janeiro.

Surto de Herpes-Zóster e os custos da rede privada

Atualmente, a proteção contra a Herpes-Zóster está restrita à rede privada, onde o esquema vacinal de duas doses pode custar até R$ 1.900. Esse valor é proibitivo para a maior parte da população idosa e imunossuprimida, que compõe o grupo de maior risco para complicações graves, como a neuralgia pós-herpética — uma dor crônica de difícil controle que exige medicação constante.

A deputada Rosana Valle rebate o argumento da União de que seriam necessários R$ 50 bilhões para a cobertura total. “Nem toda política de saúde precisa começar de forma ampla. É possível adotar estratégias graduais, com foco nos grupos que mais sofrem”, afirmou a parlamentar. Para Rosana, o Ministério da Saúde deve priorizar a Herpes-Zóster diante do aumento das internações, que já ultrapassaram 4 mil registros nos últimos dois anos.

O debate orçamentário no Ministério da Saúde

No último dia 21 de janeiro, o Ministério da Saúde negou a incorporação da vacina alegando três fatores principais:

  1. O valor elevado por dose apresentado pela fabricante;
  2. A oferta limitada de doses por uma única empresa;
  3. O impacto fiscal imediato no Orçamento da União.

Entretanto, sanitaristas alertam que cerca de 95% dos adultos brasileiros já foram expostos ao vírus, o que significa que quase toda a população adulta possui a infecção latente. Com o envelhecimento populacional, a incidência da Herpes-Zóster tende a aumentar, pressionando ainda mais os atendimentos ambulatoriais e as internações de longa permanência no SUS.

Estratégias de imunização para grupos de risco

O Projeto de Lei sugere que a vacinação contra a Herpes-Zóster comece por idosos e pacientes oncológicos ou com doenças que enfraquecem o sistema imunológico. Segundo a proposta, a prevenção evitaria gastos futuros com o tratamento de sequelas debilitantes, que muitas vezes retiram o idoso do convívio social e sobrecarregam cuidadores e o sistema público de saúde.

“O governo federal vai ficar assistindo a este surto sem fazer nada?”, questionou a parlamentar, que é presidente da Executiva Estadual do PL Mulher de São Paulo. A proposta agora segue para análise das comissões temáticas na Câmara dos Deputados, onde deve enfrentar discussões sobre a viabilidade financeira e a urgência de conter a Herpes-Zóster no Brasil.

  • Publicado: 03/02/2026
  • Alterado: 03/02/2026
  • Autor: 03/02/2026
  • Fonte: Michel Teló