Após rompimento com Trump, Elon Musk lança o Partido da América nos EUA
Bilionário quer conquistar cadeiras no Congresso para se tornar força de equilíbrio em Washington
- Publicado: 29/01/2026
- Alterado: 06/07/2025
- Autor: Redação
- Fonte: PMSA
Elon Musk, responsável por doar cerca de US$ 291 milhões para republicanos em 2024, cortou relações com Donald Trump poucas semanas após deixar o recém‑criado Departamento de Eficiência Governamental (DOGE), que ele mesmo havia conduzido no início do mandato do ex‑presidente.
O magnata anunciou neste sábado (5), na rede X, o lançamento do “Partido da América”, propondo “devolver a liberdade” aos eleitores insatisfeitos com o sistema bipartidário norte‑americano.
Megapacote fiscal foi estopim da discórdia
A gota d’água veio quando Trump aprovou no Congresso um megapacote que corta programas sociais e ambientais, reduz impostos e amplia gastos militares — uma combinação que, segundo o Escritório de Orçamento do Congresso, deve elevar a dívida pública em US$ 3,3 tri na próxima década.
Musk criticou abertamente a proposta, afirmando que ela colocava o país “a caminho da falência” e prometendo retaliar candidatos que a endossassem. O bilionário também viu ameaças diretas: Trump passou a cogitar a suspensão de subsídios a empresas do grupo Tesla após o rompimento.
Estratégia: poucos distritos, grande impacto
Musk sinalizou que não pretende disputar a Casa Branca em 2028. A prioridade do Partido da América é concentrar recursos em duas ou três cadeiras no Senado e menos de uma dúzia de assentos na Câmara, o suficiente, na visão do empresário, para “mudar o jogo” em votações decisivas.
Se conseguir eleger esse contingente, ele poderá barganhar apoio legislativo em troca de pautas econômicas que considera vitais, como investimentos em tecnologia limpa e contenção de gastos militares.
Terceira via nos EUA: histórico de tropeços
Desde 1850, democratas e republicanos dominam as urnas. O exemplo de maior sucesso de um terceiro partido ainda é o do ex‑presidente Theodore Roosevelt, que alcançou 27 % dos votos populares em 1912, mas não venceu.
Outro bilionário, Ross Perot, chegou a 19 % em 1992 sem conquistar delegados. Hoje, apenas dois senadores atuam como independentes num Senado de 100 membros.
Musk enfrenta, portanto, barreiras legais, logísticas e culturais para emplacar uma legenda duradoura, mas dispõe de uma fortuna estimada em US$ 250 bilhões e quase 200 milhões de seguidores no X para testar esse limite.
O que vem a seguir
Especialistas ressaltam que o Partido da América precisará registrar estatuto na Comissão Eleitoral Federal e formar diretórios estaduais até janeiro de 2026 para participar integralmente do próximo ciclo legislativo.
Analistas, porém, já projetam que uma ofensiva focada em poucas disputas competitivas pode atrair doadores frustrados com a política tradicional, dando fôlego à empreitada. Se bem‑sucedido, Musk pode se tornar o “fiel da balança”, cargo informal que, no Congresso, vale tanto quanto um posto no Salão Oval.