“Rolezinhos”, “black blocs” e participação popular

Os recentes episódios acontecidos na cidade de São Paulo dão a dimensão exata de como o governador Alckmin lida com assuntos relacionados à segurança, ao direito de ir e vir das pessoas e às formas de participação popular. Como já não bastasse a postura preconceituosa com os “rolezinhos”, em que a Secretaria de Segurança Pública […]

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Os recentes episódios acontecidos na cidade de São Paulo dão a dimensão exata de como o governador Alckmin lida com assuntos relacionados à segurança, ao direito de ir e vir das pessoas e às formas de participação popular.

Como já não bastasse a postura preconceituosa com os “rolezinhos”, em que a Secretaria de Segurança Pública chegou a defender publicamente o uso da força para conter a mobilização, o ocorrido recentemente na chamada Cracolândia, zona central da cidade, demonstra o despreparo e a condução errada de quem deveria garantir paz e segurança aos cidadãos.

Não há como não questionar a posição equivocada da Polícia Civil, que usou bombas de gás lacrimogêneo e balas de borracha nas pessoas que estavam no local. Simplesmente desconsideraram o correto trabalho de abordagem em saúde pública junto aos dependentes que vem sendo feito pela Prefeitura, que sequer foi avisada da desastrosa ação, que só gerou tumulto, revolta e pânico.

Por mais complexo que seja lidar com os “black blocs”, e aqui não defendo nem legitimo o modo deles agirem, as autoridades precisam ter a exata noção de como redirecionar, de maneira assertiva, a atitude desses jovens. Evidentemente que o que vimos nas comemorações do aniversário de São Paulo foram cenas de pura violência e vandalismo. Mas, por outro lado, nem de longe é correta a atitude de policiais militares, que balearam, à queima-roupa, um jovem de 22 anos.

Esses acontecimentos, reforço, demonstram o quanto a gestão Alckmin é adepta da pura repressão e o quão despreparadas se encontram nossas estruturas policiais. Faltam integração e ações concatenadas entre os níveis de governo. Combater a violência e a criminalidade são tarefas primordiais, mas para isso são necessários planejamento, medidas preventivas e orientação adequada.

Soma-se a isso, ainda, o fato de que o governo do PSDB não se preocupa em estabelecer instâncias de interlocução com a sociedade. Com isso, espaços como o Conselho Estadual de Saúde e os conselhos gestores têm sua área de atuação reduzida, muitas vezes intencionalmente, inviabilizando assim a participação popular nas decisões que digam respeito ao dia a dia da população.

Essa posição, agravada pela atitude adotada pela gestão Alckmin, só piora o grau de insatisfação dos jovens que – segregados socialmente e estimulados ao consumo de produtos caros – não reconhecem nos agentes públicos, e mesmo nos partidos políticos, uma forma eficaz para reivindicar seus direitos.

O resultado disso tudo é muito ruim para a democracia ao criminalizar os movimentos sociais e colocar em dúvida a criação de novos fóruns de discussão política. É preciso lembrar e ouvir novamente as vozes vindas das manifestações de rua. Os governantes devem demonstrar mais sensibilidade para dialogar com as aspirações populares, abrir novas possibilidades de inclusão dos jovens e defender firmemente os direitos à livre manifestação e de ir e vir, que não se confundem com atos de vandalismo.

  • Publicado: 29/01/2026
  • Alterado: 29/01/2026
  • Autor: 28/01/2014
  • Fonte: FERVER