Roblox enfrenta protestos por limite no chat para crianças

Novas regras de segurança no Roblox geram "passeatas" de avatares e ataques ao influenciador Felca

Crédito: Reprodução

O universo digital do Roblox, um dos metaversos mais acessados por crianças e adolescentes, vive uma semana de intensa agitação. A plataforma anunciou restrições severas no uso do chat e a obrigatoriedade de verificação de idade por reconhecimento facial, o que desencadeou uma série de protestos virtuais. Avatares organizaram “passeatas” em servidores públicos, carregando cartazes e proferindo frases de ordem contra as mudanças, que limitam a interação entre usuários de diferentes faixas etárias.

Curiosamente, a fúria dos pequenos manifestantes recaiu sobre o influenciador Felipe Bressanim, o Felca. Vídeos que circulam nas redes sociais mostram crianças associando as novas regras a críticas feitas por ele anteriormente sobre a exposição infantil na internet. Embora Felca não tenha vínculo formal com o Roblox, ele se tornou o “vilão” simbólico do movimento.

O fim da comunicação aberta: O que mudou no Roblox

As novas diretrizes da empresa visam transformar o ambiente em um local mais seguro, após anos de críticas sobre a presença de predadores e práticas de bullying. As principais alterações incluem:

  • Verificação Facial: Exigência de biometria para validar a idade real do usuário.
  • Divisão por Faixa Etária: Jogadores com mais de 13 anos só podem conversar com outros da mesma categoria.
  • Controle Parental: Crianças menores de nove anos agora dependem de autorização explícita dos responsáveis para acessar funções básicas.

O advogado Luiz Augusto D’Urso, especialista em direito digital, destaca que o chat sempre foi o “calcanhar de Aquiles” jurídico do Roblox. “É no chat que surgem ofensas, perseguição e tentativas de aliciamento. A responsabilidade da empresa é direta quando o ambiente é frequentado por vulneráveis”, explica.

“Passeatas” Virtuais: Mobilização real ou induzida?

A estética dos protestos dentro do Roblox é peculiar: cartazes com erros de grafia e linguagem infantil indicam que a massa de manobra é formada por menores. No entanto, D’Urso levanta um alerta importante sobre a origem dessas manifestações. “Não dá para descartar que a ideia tenha sido estimulada por adultos com interesses escusos no retorno do chat livre. Pessoas que sabem persuadir comunidades infantis”, afirma o especialista.

Apesar das dúvidas sobre quem deu o “empurrão inicial”, o fato é que o movimento se espalhou organicamente. As crianças sentiram a perda da interatividade social — elemento central da experiência no Roblox — e reagiram da forma que conhecem: ocupando as praças e corredores virtuais dos mapas que elas mesmas ajudam a construir.

O ECA Digital e o prazo de fevereiro

A movimentação do Roblox não é apenas uma escolha comercial, mas uma resposta a pressões governamentais. Até o dia 13 de fevereiro, a plataforma deve apresentar ao governo brasileiro as medidas adotadas para se adequar ao ECA Digital. A nova lei endurece as regras de proteção para jovens online, e falhas nesse processo podem resultar em multas pesadas ou até a suspensão de serviços em território nacional.

Enquanto a assessoria de Felca optou pelo silêncio e seus advogados aguardam o fim do recesso, a comunidade do Roblox continua em pé de guerra. Para os pais, o momento é de atenção redobrada: embora as regras limitem o contato com estranhos, a onda de ataques e o clima de protesto dentro do jogo podem expor as crianças a novos tipos de toxicidade digital.

  • Publicado: 29/01/2026
  • Alterado: 29/01/2026
  • Autor: 15/01/2026
  • Fonte: FERVER