RJ: Violência armada atinge 50% dos estudantes
Ações urgentes são necessárias para proteger crianças e adolescentes
- Publicado: 13/02/2026
- Alterado: 29/05/2025
- Autor: Redação
- Fonte: Sorria!,
Um novo relatório intitulado “Educação Sob Cerco: as escolas do Grande Rio impactadas pela violência armada” revela que aproximadamente 50% dos alunos do ensino fundamental e médio em escolas públicas da região metropolitana do Rio de Janeiro enfrentam consequências diretas da violência armada. O estudo, divulgado nesta quinta-feira (29), indica que mais de 800 mil crianças e adolescentes, oriundos de 1.800 instituições de ensino em áreas urbanas da capital e em 19 municípios adjacentes, estão inseridos em contextos dominados por facções criminosas e milícias.
A pesquisa foi conduzida em colaboração entre o Fundo das Nações Unidas para a Infância (Unicef), o Instituto Fogo Cruzado (IFC), o Grupo de Estudos dos Novos Ilegalismos da Universidade Federal Fluminense (GENI-UFF) e o Centro para o Estudo da Riqueza e da Estratificação Social (CERES-IESP), utilizando dados coletados em 2022.
Os pesquisadores mapearam a relação entre a localização das escolas públicas e as áreas controladas por grupos armados. A análise revela que 48% dos estudantes nas 19 cidades do Grande Rio e 55% na capital são diretamente afetados pela violência armada.
Em um panorama mais detalhado, constatou-se que, na cidade do Rio de Janeiro, somente 41,6% das escolas estão situadas em áreas sem domínio de facções criminosas. A pesquisa identificou diferenças significativas entre os bairros; enquanto na zona sul, apenas 30% das escolas relataram episódios de violência armada em suas proximidades, na zona norte esse índice sobe para alarmantes 65%, com 510 instituições afetadas.
O ano de 2022 foi marcado por mais de 4.400 tiroteios registrados nas imediações das escolas, sendo a zona norte a mais impactada, com um total de 1.714 incidentes. A Baixada Fluminense também apresentou números preocupantes, contabilizando 1.110 tiroteios nas escolas locais. Em contraste, a zona sul, considerada uma área mais segura, teve apenas 29 escolas afetadas por 86 tiroteios durante o mesmo período.
O relatório destaca a gravidade da situação ao mencionar que uma única escola em São Gonçalo registrou impressionantes 18 episódios de violência armada em um ano, uma média superior a um tiroteio a cada duas semanas, tornando-a a mais afetada no estudo.
A pesquisa também revela que a incidência de tiroteios tende a ser maior em regiões onde ocorrem operações policiais, com ocorrências três vezes mais frequentes em áreas sob controle policial comparadas àquelas não dominadas.
Os municípios investigados incluem: Rio de Janeiro, Belford Roxo, Duque de Caxias, Guapimirim, Itaboraí, Itaguaí, Japeri, Magé, Maricá, Mesquita, Nilópolis, Niterói, Nova Iguaçu, Paracambi, Queimados, Rio Bonito, Seropédica, São Gonçalo, São João de Meriti e Tanguá.
Com base nas conclusões apresentadas no relatório, foram feitas várias recomendações para mitigar a violência armada que afeta crianças e adolescentes. Dentre elas destacam-se:
- Implementação e ampliação de protocolos de resiliência em serviços e comunidades;
- Desenvolvimento de modelos de reparação para serviços comunitários;
- Integração das políticas de segurança com as de educação para eliminar os impactos negativos das operações policiais nas proximidades das escolas;
- Aplicação efetiva da Lei Ágatha Felix que prioriza investigações sobre crimes contra crianças e adolescentes no estado;
- Crição de um modelo protetivo de segurança pública focado na infância e adolescência;
- Fortalecimento da educação como meio de proteção contra a violência.
Este relatório é o primeiro de uma série composta por dois estudos; o segundo se concentrará na análise dos efeitos da violência armada sobre o aprendizado escolar e as taxas de evasão entre os alunos.