RJ enfrenta surto de dengue, com três mortes e quase 4 mil casos em 2025
Duque de Caxias, Magé, Nilópolis, Belford Roxo e Nova Iguaçu são os locais mais impactados pela doença
- Publicado: 20/01/2026
- Alterado: 07/02/2025
- Autor: Redação
- Fonte: Farol Santander São Paulo
O estado do Rio de Janeiro enfrenta um alarmante aumento no número de casos de dengue, registrando até o momento quase 4 mil infecções e três óbitos em 2025. As cidades da Baixada Fluminense, especialmente Duque de Caxias, Magé, Nilópolis, Belford Roxo e Nova Iguaçu, são as mais impactadas pela doença.
A técnica de enfermagem Lethicia Santanna da Silva, residente em Belford Roxo, encontra-se internada com dengue em estado grave e sem previsão de alta. Com apenas 28 anos, Lethicia apresentou os primeiros sintomas na terça-feira da semana passada, que incluíam febre e manchas pelo corpo. A situação se agravou no sábado (1º), quando a jovem começou a apresentar sangramentos.
“Ela começou com febre e dor de cabeça, mas depois não sentiu mais nada. O que preocupou foi o sangramento pela gengiva, que se intensificou”, relata Marcilene Martins da Silva, mãe da paciente.
Essa é a segunda vez que Lethicia contrai dengue; no ano anterior, os sintomas foram mais brandos. No entanto, nesta ocasião, sua condição exigiu internação em uma unidade de terapia intensiva (CTI) em um hospital particular de Nova Iguaçu.
Devido à baixa contagem de plaquetas, a família iniciou uma campanha para doação de sangue e faz um apelo à população para que colabore. “Precisamos de qualquer tipo de sangue, pois ele realmente pode salvar vidas. Quando chegamos ao hospital, ela estava com 30 mil plaquetas, mas poucas horas depois caiu para apenas 12 mil”, explica Marcilene.
A Organização Mundial da Saúde (OMS) adota os termos “dengue grave” ou “dengue com sinais de alarme” para descrever as manifestações mais severas da doença, substituindo a terminologia anterior de “dengue hemorrágica”, que nem sempre é observada.
Rodrigo Lins, presidente da Sociedade de Infectologia do Rio de Janeiro, detalha os sinais críticos que podem indicar o agravamento da dengue: “Dor abdominal intensa e persistente, vômitos frequentes e pressão arterial baixa são alertas importantes”. Ele também observa que contrair dengue pela segunda vez aumenta consideravelmente o risco de complicações graves devido à resposta inflamatória exacerbada do organismo.
Na Baixada Fluminense, onde Lethicia reside, foram contabilizados 265 casos até agora. As cidades com maior incidência incluem: Duque de Caxias (99 casos), Magé (34), Nilópolis (31), Belford Roxo (23), Nova Iguaçu (22), São João de Meriti (21) e Mesquita (15).
No total do estado, foram registrados 3.843 casos este ano, sendo que 245 pacientes necessitaram de internação hospitalar. Luciane Velasque, superintendente de Informação Estratégica e Vigilância em Saúde, comentou sobre a tendência crescente: “Estamos observando um aumento significativo que já ultrapassa o limite esperado para essa época do ano”.
Desde o início do ano, três mortes foram confirmadas devido à dengue: uma na capital fluminense e duas em Paraíba do Sul. O aumento das chuvas contribuiu para a proliferação dos mosquitos transmissores da doença.
As doações de sangue em nome de Lethicia podem ser realizadas das 7h30 às 13h na Rua Cirilo, número 183, em Mesquita.