Rio Grande do Sul: Um ano após enchentes, comunidade luta pela recuperação
O Vale do Taquari se recupera de enchentes devastadoras, com iniciativas comunitárias e novas moradias, visando um futuro mais seguro para os afetados
- Publicado: 20/01/2026
- Alterado: 21/04/2025
- Autor: Redação
- Fonte: Farol Santander São Paulo
O Vale do Taquari, no Rio Grande do Sul, enfrenta um longo caminho de recuperação após ser severamente impactado por enchentes devastadoras em 2023 e novamente em maio de 2024. As consequências das cheias continuam a ser sentidas por moradores e comunidades que ainda lidam com as perdas.
Um ano após os eventos catastróficos, a RBS TV produziu um documentário intitulado “1 Ano da Enchente no RS”, que apresenta relatos de pessoas afetadas, incluindo familiares de vítimas e voluntários que se mobilizaram para ajudar na reconstrução. O programa foi exibido no último sábado (19) e mostra como a resiliência dos habitantes está impulsionando o processo de recuperação.
A cheia histórica de maio de 2024 deixou um rastro de destruição em quase todos os municípios da região, com destaque para a Região Metropolitana e o Vale do Taquari. Aproximadamente 183 vidas foram perdidas, enquanto 27 pessoas permanecem desaparecidas. Em resposta à crise, um esforço coletivo de solidariedade foi mobilizado em todo o país, com voluntários e doadores se unindo para fornecer assistência aos atingidos.
Milene Bertol é um exemplo dos desafios enfrentados por muitos. Ela e seus três filhos foram forçados a mudar-se entre sete abrigos em Canoas ao longo do último ano. “A falta de privacidade e a insegurança são desgastantes”, desabafa. Sua antiga residência, localizada no bairro Rio Branco, foi condenada e se tornou um lembrete triste do que foi perdido.
Enquanto isso, novas moradias estão sendo erguidas na cidade. O prefeito Airton Souza informou que as famílias afetadas estão programadas para se mudar para casas temporárias em breve, com planos para habitações permanentes em andamento.
Na cidade de Muçum, uma das mais afetadas pela enchente, as autoridades decidiram construir um novo bairro em uma área mais alta e segura. Os antigos moradores que aceitarem as novas residências devem doar suas propriedades anteriores, uma estratégia para prevenir futuras ocupações em áreas suscetíveis a inundações. O prefeito Mateus Trojan enfatizou que essa medida é crucial para evitar que tragédias semelhantes voltem a ocorrer.
Loreci de Almeida, uma nova residente desse bairro emergente, expressou sua gratidão por poder viver longe das ameaças das águas. “A paz e a segurança não têm preço”, disse ela, refletindo sobre a nova realidade proporcionada pelas casas construídas em local seguro.
A infraestrutura também sofreu danos significativos, com mais de 13 mil quilômetros de estradas afetadas, o equivalente à distância até a Austrália. Estradas importantes como a BR-386 ficaram bloqueadas por dias, dificultando o acesso à região. De acordo com a Associação dos Municípios do Vale do Taquari (AMVT), cerca de 80 pequenas pontes e conexões foram destruídas nas enchentes recentes.
As reconstruções estão sendo realizadas por iniciativas privadas e municipais. Cada nova ponte custa aproximadamente R$ 800 mil e terá capacidade para suportar até 45 toneladas. Além disso, outras estruturas estão sendo projetadas em diversos municípios da região.
Em resumo, embora o caminho da recuperação seja longo e repleto de desafios, o Vale do Taquari demonstra força e determinação frente às adversidades. Com o apoio da comunidade e esforços conjuntos para reconstruir as estruturas físicas e sociais devastadas pelas enchentes, há esperança de um futuro mais seguro para seus habitantes.