Rio Grande da Serra lança plano integrado contra violência à mulher

Município apresenta ações intersetoriais e reforça rede de apoio com foco na prevenção de casos de violência e acolhimento

Crédito: Divulgação

A Prefeitura de Rio Grande da Serra lançou um plano integrado de enfrentamento à violência contra a mulher, reunindo diversas secretarias, a Guarda Civil Municipal (GCM), a Polícia Civil e o Conselho da Mulher recém-empossado. O prefeito Akira Auriane destacou que a medida responde ao aumento dos casos de violência após a pandemia.

“Hoje nós damos um passo muito importante, é o que nós já dizemos desde a campanha: trabalhar ações preventivas, ainda mais em Rio Grande da Serra, que os números subiram muito pós-pandemia e continuam subindo na cidade”.

O plano faz parte do programa Mulher Rio-grandense, anunciado no início do ano, que reúne ações voltadas às mulheres em diferentes fases da vida, desde a maternidade até a melhor idade.

Contexto e números preocupantes

De acordo com o prefeito, o município já registrou três tentativas de feminicídio apenas neste ano. “Nós não podemos esquecer que essa semana tivemos uma tentativa de feminicídio aqui no município, é a terceira do ano, então reforça ainda mais a importância de nós estarmos dando as mãos para essa ação, que vai ajudar tantas mulheres que hoje não têm voz”.

O chefe do Executivo ressaltou ainda que o objetivo é integrar prevenção, acolhimento e reinserção social: “Criamos um plano de ação, desde que a mulher não sofre violência, até ela retornar à resocialização, aos cuidados da família e ao mercado de trabalho”.

Rede de apoio e primeiras medidas

A vice-prefeita Vilma Marcelino explicou que o plano vem sendo estruturado desde março por um grupo de trabalho intersetorial. Ela ressaltou que o enfrentamento exige continuidade.
“Esse plano de enfrentamento à violência contra a mulher faz parte do nosso projeto e também é uma resposta aos órgãos públicos que nos solicitaram que fosse realizado. Nós já temos alguns avanços, como o auxílio aluguel para mulheres em situação de violência, hoje atendendo 28 beneficiárias”.

Outro ponto de destaque é a prioridade no atendimento psicológico e multidisciplinar oferecido pela Secretaria de Saúde. “É um processo de conscientização que fortalece a mulher para sair dessa condição e mostra que ela não está sozinha”, afirmou a vice-prefeita.

Conselhos e fortalecimento institucional

A posse do Conselho Municipal da Mulher foi considerada um marco. Para a primeira-dama e presidente do Fundo Social, Letícia Auriane, a iniciativa amplia o cuidado prévio, com foco na saúde mental.
“O nosso trabalho hoje é ter o cuidado pré com essas mulheres, fazer com que essa mulher tenha ocupação, seja capacitada e cuidada em sua saúde mental. Uma pessoa com a mente boa consegue se colocar à frente, denunciar e buscar ajuda”.

O presidente da Câmara Municipal, vereador Claurício Bento, afirmou que o Legislativo dará prioridade aos projetos relacionados ao tema. “Qualquer tipo de projeto que venha desse segmento será pautado com urgência na Câmara Municipal”.

Segurança pública e atuação da GCM

A coordenadora da Patrulha Guardiã Maria da Penha, Brandão, destacou a importância da rede. “É muito serviço, é muita mulher sofrendo violência na cidade. Eu não consigo fazer nada sozinha, eu preciso da rede de apoio em geral para poder fazer o meu trabalho”.

O comandante da GCM, Rocha, reforçou que o plano busca atuar antes que os casos cheguem à violência física. “Infelizmente temos que lidar com vítimas, mas o objetivo é chegar diretamente no início da agressão. Muitas mulheres vivem anos em violência psicológica, moral ou patrimonial antes da violência física”.

Participação da Polícia Civil e medidas futuras

O delegado Márcio Antônio salientou que o apoio social é essencial para que vítimas tenham coragem de denunciar. “Não adianta a polícia prender e a vítima ficar sem amparo. Esse apoio é importantíssimo para que a vítima tenha coragem de denunciar”.

Ele também defendeu atenção ao agressor: “Se há reincidência, é porque houve novamente o crime. Então penso que seria importante o tratamento do agressor, para que ele não reincida”.

O prefeito Akira informou que o município discute no Consórcio Intermunicipal do Grande ABC a possibilidade de Ribeirão Pires instalar uma Delegacia da Mulher, o que reforçaria a rede regional de proteção.

Integração regional e Casa Abrigo

A representante do consórcio, Amanda Pancararu, lembrou que o programa regional Casa Abrigo já acolheu 1.657 mulheres e 2.659 crianças em 2024. “O problema da violência contra a mulher não é um problema das mulheres, é um problema dos homens. Eles precisam também se implicar nessa discussão”.

Ela destacou que Rio Grande da Serra representou 8% dos abrigamentos da região no último ano.

Caminhos para o futuro

Segundo a equipe técnica da prefeitura, o plano municipal prevê ações para os cinco tipos de violência — física, psicológica, sexual, patrimonial e moral, e será monitorado a partir de dados estatísticos inéditos levantados no município.

O prefeito reforçou o caráter coletivo da iniciativa: “Não são só os nossos secretários ou a prefeitura, toda mulher e todo homem podem contribuir para essa ação, para que a gente diminua esse número que subiu durante a pandemia e que não parou”.

A assinatura do plano encerrou a cerimônia, firmando o compromisso da cidade em transformar a rede de enfrentamento à violência em uma política permanente e articulada.

  • Publicado: 13/02/2026
  • Alterado: 13/02/2026
  • Autor: 29/08/2025
  • Fonte: Sorria!,