Rio Bonito sob escombros: 5 mortos na "Rota dos Tornados" do PR
Tragédia de 07/11/2025 é o evento mais recente e mortal do "Corredor de Tornados" do Paraná, que já viu destruição F3 em Marechal Cândido Rondon e Francisco Beltrão.)
- Publicado: 20/01/2026
- Alterado: 08/11/2025
- Autor: Redação
- Fonte: Farol Santander São Paulo
Rio Bonito do Iguaçu, no Centro-Sul do Paraná, amanheceu neste sábado (8) como um “cenário de guerra“, nas palavras da própria Defesa Civil. Um tornado devastador, formado no fim da tarde de sexta-feira (7), atravessou 80% da área urbana, deixando um rastro de destruição e luto.
O boletim oficial mais recente do Governo do Paraná confirma a morte de cinco pessoas – quatro em Rio Bonito e uma em Guarapuava. O número de feridos que buscaram atendimento médico subiu para 432, sendo que nove estão em estado grave. Há ainda 2 pessoas desaparecidas, mais de 1.000 desalojados e 28 desabrigados.

O Simepar (Sistema de Tecnologia e Monitoramento Ambiental do Paraná) confirmou o fenômeno como um tornado F2 (ventos de 180 a 250 km/h). No entanto, a extensão dos danos, que inclui o colapso total de casas de alvenaria e o tombamento de veículos, já levanta um alerta: o próprio Simepar admite que há “fortes indícios” de que os ventos tenham ultrapassado 250 km/h, o que pode reclassificar a tragédia ao nível F3 após as análises aéreas.

O “Porquê”: O Fenômeno da Supercélula
A tragédia de ontem não foi um vendaval comum. O Simepar explicou que o tornado foi gerado por uma “supercélula”, um tipo específico e poderoso de tempestade rotativa.
Essas tempestades, que podem durar horas, possuem correntes de ar ascendentes que giram (chamadas de mesociclone) e são o berço dos tornados mais violentos. A frente fria que avançava pelo Paraná encontrou uma atmosfera de grande instabilidade (calor e umidade), servindo como combustível para a formação da supercélula que atingiu Rio Bonito e cidades vizinhas, como Quedas do Iguaçu.
A Resposta à Crise
O Governador Ratinho Junior sobrevoou a área afetada nas primeiras horas da manhã de sábado e coordena uma das maiores forças-tarefa de desastre da história recente do estado.
Cinquenta bombeiros do grupo de elite GOST (Grupo de Operações de Socorro Tático), auxiliados por cães de busca, estão focados em localizar os desaparecidos. Hospitais em Guarapuava e Laranjeiras do Sul operam em capacidade máxima, e o Governo do Paraná já iniciou o envio de ajuda humanitária (lonas, alimentos e kits de higiene) para os desabrigados.
ARQUIVO: O Perigoso “Corredor de Tornados” do Paraná

A tragédia em Rio Bonito do Iguaçu é o capítulo mais mortal de um histórico de fenômenos extremos que assombra o Sudoeste e Oeste do Paraná. A região faz parte de uma zona de instabilidade conhecida na América do Sul como “Corredor de Tornados”, onde o encontro de massas de ar quente do norte com frentes frias do sul frequentemente gera tempestades severas.
Embora o evento de ontem seja o mais grave para Rio Bonito, a memória recente do estado está marcada por destruições semelhantes.
O Tornado F3 de Marechal Cândido Rondon (2015)
Quase exatos dez anos antes, em 19 de novembro de 2015, um tornado F3 (ventos de 254 a 332 km/h) atingiu a cidade de Marechal Cândido Rondon, no Oeste do estado. Na época, não houve mortes, mas seis pessoas ficaram feridas e o rastro de destruição foi profundo: mais de 1.500 casas foram danificadas, muitas delas totalmente destruídas. O evento é considerado um marco meteorológico na história recente do Paraná pela sua intensidade comprovada.
O Tornado de Francisco Beltrão (2015)
No mesmo ano, em 13 de julho de 2015, o Sudoeste do estado também sofreu. Um tornado com ventos estimados em 250 km/h (no limite entre F2 e F3) atingiu Francisco Beltrão. O fenômeno deixou 19 feridos, 76 casas afetadas e um prejuízo estimado, na época, em R$ 8 milhões.
O desastre de 7 de novembro de 2025 em Rio Bonito do Iguaçu não é um evento isolado, mas sim a confirmação trágica da vulnerabilidade de uma região inteira a alguns dos fenômenos mais extremos do planeta. Enquanto as equipes de resgate lutam contra o tempo, a cidade de 13 mil habitantes enfrenta agora o doloroso e longo caminho da reconstrução.