Ricardo Nunes demite dirigentes após fraude na SPTuris

Exonerações ocorrem após denúncias de contratos sem licitação de R$ 232 milhões

Crédito: (Divulgação)

A gestão do prefeito de São Paulo Ricardo Nunes está lidando com uma das mais graves crises administrativas de 2026 após a demissão do secretário adjunto de Turismo, Rodolfo Marinho, e do presidente da São Paulo Turismo (SPTuris), Gustavo Pires. A decisão foi anunciada pelo próprio Ricardo Nunes nesta quarta-feira (25), depois da divulgação de reportagens que apontam contratos sem licitação que somam R$ 232 milhões com a agência MM Quarter.

A Controladoria-Geral do Município confirmou a existência de uma procuração da proprietária da empresa, Nathália Carolina de Silva Souza, em nome de Rodolfo Marinho. O documento indica vínculo direto entre o então gestor público e a empresa contratada pela pasta, levantando suspeitas de conflito de interesses. Antes de assumir o cargo em 2022, Marinho foi sócio da empresária, período que coincide com o início das contratações recorrentes da agência pela Secretaria de Turismo.

Esquema sob investigação

O caso ganhou repercussão nacional após a revelação de que a empresa, com capital social de R$ 1,2 milhão, registrou lucro de R$ 14 milhões em 2024, enquanto a proprietária declarava residência em um imóvel de padrão popular na zona norte da capital. A investigação aponta que pesquisas de mercado usadas para justificar renovações contratuais teriam sido feitas com empresas ligadas aos mesmos administradores da MM Quarter, simulando concorrência.

Auditorias também identificaram pagamentos considerados incompatíveis com os serviços prestados. Um dos contratos previa remuneração mensal de R$ 76 mil para uma funcionária vinculada à gestão dos Centros de Informações Turísticas. Apesar do custo anual de R$ 12 milhões, itens previstos em contrato, como equipamentos e materiais de acessibilidade, não foram localizados nas unidades.

Resposta de Ricardo Nunes

Ricardo Nunes - Prefeito de São Paulo
(Fernando Frazão/Agência Brasil)

Ao anunciar as exonerações, Ricardo Nunes afirmou que a medida busca preservar a lisura da administração municipal e garantir a continuidade dos serviços turísticos. O prefeito nomeou o coronel Marcelo Vieira Salles, ex-comandante da Polícia Militar, para a presidência da SPTuris, sinalizando uma tentativa de reforçar o controle interno e a fiscalização dos contratos.

A decisão de Ricardo Nunes ocorre em meio à apuração conduzida pela Controladoria-Geral do Município e pelo Ministério Público, que investigam a extensão dos prejuízos aos cofres públicos e eventual participação de outros agentes. Até o momento, o secretário titular da pasta permanece no cargo, o que mantém pressão política sobre a gestão.

Impacto político e administrativo

A crise atinge diretamente a agenda de promoção turística da capital e coloca a gestão de Ricardo Nunes sob escrutínio em um ano pré-eleitoral. Especialistas em administração pública apontam que a resposta rápida com demissões é uma estratégia para conter danos institucionais, mas destacam que o desfecho das investigações será determinante para avaliar responsabilidades e eventuais falhas de governança.

Com os contratos sob revisão e a nova direção na SPTuris, Ricardo Nunes tenta reposicionar a política de turismo da cidade enquanto aguarda os resultados das apurações oficiais sobre o caso.

  • Publicado: 29/01/2026
  • Alterado: 29/01/2026
  • Autor: 26/02/2026
  • Fonte: FERVER