Ricardo Nunes responde Enel e avisa que nem Jesus Cristo salva a empresa

Prefeito de São Paulo reage às falas do CEO global da concessionária sobre apagões, culpa a má gestão do serviço e exige soluções urgentes.

Crédito: Wilson Dias/Agência Brasil

O prefeito de São Paulo, Ricardo Nunes, respondeu com indignação às recentes justificativas do CEO global da Enel sobre os apagões na capital. A concessionária tentou responsabilizar a arborização urbana pelas sucessivas falhas no fornecimento de energia.

Ao elevar o tom, Ricardo Nunes classificou o posicionamento da companhia como um verdadeiro deboche contra a população. O gestor municipal não poupou palavras para definir a deterioração do serviço elétrico.

“Nem Jesus Cristo salva essa Enel. Muita cara de pau. Um deboche. O nível de incompetência é tão grande que, somado à capacidade de mentiras, chega a assustar.”

A crise ganhou novos contornos após Flavio Cattaneo, CEO da multinacional, afirmar que apenas uma intervenção divina impediria as interrupções. O executivo defendeu que cabos aéreos sofrem danos inevitáveis por causa das árvores durante fortes tempestades.

Por que Ricardo Nunes rejeita a tese da arborização?

Enel - Procon-SP Notifica - Apagão em São Paulo
Reprodução

Para embasar sua revolta, Ricardo Nunes apresentou estatísticas que confrontam diretamente a versão do executivo italiano. O líder do Executivo garantiu que mais de 80% dos endereços afetados pelos cortes não registraram queda de vegetação.

A concessionária mantém a narrativa de que fatores ambientais geram a maior parte dos transtornos na metrópole. Em nota oficial, a companhia argumentou que ventos intensos arremessam galhos contra a fiação estrutural.

“Mais de 90% dos casos de falta de luz foram decorrentes de causas ambientais, como a queda de árvores e galhos ou o contato da vegetação com a rede elétrica.”

Ameaça real de caducidade do contrato em São Paulo

Os serviços prestados pelo grupo enfrentam forte escrutínio público desde o final do ano passado. Episódios climáticos extremos deixaram milhões de paulistas no escuro por longos dias consecutivos.

Diante desse cenário de instabilidade, o governo federal e a Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) estudam encerrar a concessão. A agência reguladora investiga o desempenho considerado insatisfatório da distribuidora diante de situações de emergência.

O processo de caducidade ganhou tração após o gigantesco blecaute de dezembro, que atingiu 4,4 milhões de consumidores. A pressão da opinião pública sobre Ricardo Nunes e as autoridades federais exige respostas concretas para evitar novos colapsos no sistema.

Principais entraves na fiscalização da Aneel

  • Prazos estendidos: Diretores solicitam tempo extra para garantir o amplo direito de defesa à empresa de energia.
  • Urgência ignorada: O diretor-geral da agência defende uma deliberação imediata e enérgica sobre o caso.
  • Guerra jurídica: Advogados renomados alegam que incluir o apagão recente na avaliação de quebra de contrato seria inconstitucional.

Novos investimentos globais e o mapeamento de podas

Ricardo Nunes - Prefeito de São Paulo
Fernando Frazão/Agência Brasil

Em paralelo ao forte desgaste com Ricardo Nunes, a companhia revelou um plano orçamentário de 53 bilhões de euros até 2028. O direcionamento principal buscará alavancar projetos de energias renováveis na Europa e nos Estados Unidos.

A América Latina absorverá cerca de 6,2 bilhões de euros desse montante bilionário. A empresa, no entanto, condiciona os repasses financeiros à existência de um ambiente regulatório amigável e com previsibilidade jurídica.

Para mitigar a crise de imagem corporativa, a distribuidora elaborou um laudo detalhado sobre o estado da flora paulistana. O projeto mapeou 770 mil árvores na região metropolitana através de parcerias operacionais com as prefeituras locais.

Os levantamentos técnicos indicaram que problemas paralelos, como a presença de fungos, facilitaram o tombamento dos troncos sob forte ventania. Essa argumentação técnica, contudo, dificilmente mudará a postura de Ricardo Nunes, que exige eficiência imediata na zeladoria da rede elétrica municipal.

  • Publicado: 13/02/2026
  • Alterado: 13/02/2026
  • Autor: 24/02/2026
  • Fonte: Sorria!,