Ricardo Abrão deve assumir vaga deixada por Chiquinho Brazão na Câmara
Deputado suplente e ex-secretário no Rio, Ricardo Abrão já teve passagem anterior pela Casa
- Publicado: 29/01/2026
- Alterado: 24/04/2025
- Autor: Redação
- Fonte: FERVER
O empresário Ricardo Martins David, conhecido como Ricardo Abrão (União-RJ), está prestes a assumir uma cadeira definitiva na Câmara dos Deputados após a cassação do mandato de Chiquinho Brazão (sem partido-RJ). A decisão foi oficializada nesta quinta-feira, 24, pela Mesa Diretora da Casa.
Ricardo é sobrinho de Aniz Abraão David, o “Anísio”, nome conhecido do jogo do bicho no Rio de Janeiro e patrono da escola de samba Beija-Flor de Nilópolis.
Histórico político e atuação parlamentar
Aos 52 anos, Ricardo Abrão possui experiência legislativa: foi deputado estadual por dois mandatos (2003–2007 e 2011–2015) e já ocupou temporariamente uma vaga na Câmara Federal durante o afastamento de Daniela Carneiro (União-RJ), quando ela chefiou o Ministério do Turismo.
Também substituiu Chiquinho Brazão na função de secretário de Ação Comunitária na prefeitura do Rio de Janeiro, sob a gestão de Eduardo Paes (PSD).
Durante seu período como suplente na Câmara, Abrão apresentou cinco projetos de lei, mas nenhum foi aprovado. Nas eleições de 2022, recebeu 43.219 votos.
Herança política e conexões familiares
Em seu primeiro pronunciamento como deputado federal, Ricardo enfatizou a continuidade do legado político de sua família. Ele é filho de Farid Abraão, ex-prefeito de Nilópolis por três mandatos, e sobrinho de Simão Sessim, que exerceu dez mandatos consecutivos como deputado federal.
Apesar das conexões com figuras de destaque na política fluminense, seu parentesco com Anísio, que tem longo histórico de envolvimento com a contravenção, levanta questionamentos. Anísio foi preso quatro vezes entre 2007 e 2012, acusado de integrar esquemas ilegais como a máfia dos caça-níqueis. Ele responde aos processos em liberdade.
Cassação de Brazão e implicações futuras
A saída de Chiquinho Brazão do Parlamento decorre de faltas em mais de um terço das sessões deliberativas desde março de 2022. O ex-deputado está preso preventivamente no âmbito da investigação do assassinato da vereadora Marielle Franco, ocorrido em 2018.
Por ter perdido o mandato por faltas, e não por condenação penal, Brazão escapa da inelegibilidade e poderá disputar as eleições de 2026. Seu advogado, Cléber Lopes, afirmou que pretende reverter a perda do mandato caso o parlamentar seja absolvido pelo Supremo Tribunal Federal (STF), onde o caso está em tramitação.