Ribeirão Preto: transplantes de fígado e rins crescem 40% e 60% em 2025

Crescem transplantes de órgãos em Ribeirão Preto: 60% a mais em rins e 40% em fígados, trazendo esperança a pacientes como Tiffany.

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O Hospital das Clínicas (HC-UE) de Ribeirão Preto tem se destacado por um aumento significativo nos transplantes de órgãos no primeiro trimestre de 2025. Dados recentes indicam um crescimento de 40% nos transplantes de fígado e um notável aumento de 60% nos transplantes renais em comparação ao mesmo período do ano anterior.

O cirurgião gástrico Felipe Gilberto Valerini, integrante da equipe do HC, relatou que a instituição vem apresentando um progresso constante nas cirurgias de transplante hepático. “No ano passado, realizamos 44 transplantes de fígado, superando os números do ano anterior. Este ano, já contabilizamos um aumento de 40% nos procedimentos realizados apenas nos primeiros três meses”, comentou Valerini.

De acordo com o nefrologista João Paulo Senna, membro da equipe responsável pelos transplantes renais, o crescimento na área é motivo de celebração. “É gratificante ver esse aumento nos transplantes renais. Um incremento de 60% em relação ao mesmo período do ano passado é uma oportunidade valiosa para pacientes que aguardam esses procedimentos e buscam melhorar sua qualidade de vida”, destacou Senna.

Os dados obtidos em Ribeirão Preto refletem uma tendência observada em todo o estado de São Paulo. A Secretaria Estadual de Saúde confirmou que os transplantes de pâncreas lideraram as estatísticas com um impressionante aumento de 136%. Outros tipos de transplante também mostraram crescimento, como o cardíaco (34%), renal (16%), pulmonar (12%) e hepático (9%).

Especialistas atribuem essa melhoria a uma combinação de fatores, incluindo o aumento no número de doações, aprimoramento na logística dos procedimentos e a qualificação contínua das equipes médicas. “A relação entre o número crescente de doações e a eficiência dos serviços prestados pelo hospital é clara. A logística é um aspecto crucial, considerando que muitas vezes os órgãos precisam ser transportados por longas distâncias”, explicou Valerini.

Um dos casos emblemáticos dessa realidade foi o da jovem Tiffany Medeiros Toledo, que aos 19 anos foi submetida a um transplante de fígado no final de março. Tiffany, que sofre de uma doença genética que comprometeu gravemente seu fígado, foi chamada para o procedimento apenas quatro dias após entrar na lista de espera. “Foi uma surpresa a rapidez com que tudo aconteceu. Foram dias intensos, mas receber essa notícia foi uma sensação indescritível”, compartilhou a jovem.

Tiffany descreveu seu transplante como a realização de um sonho. “Desde muito nova estou em tratamento aqui no HC. Ouvir sobre a possibilidade do transplante foi algo que mudou minha vida profundamente. É um ato tão bonito receber uma parte de outra pessoa para continuar vivendo. É realmente um renascimento”, afirmou emocionada.

O médico Valerini detalhou que embora Tiffany tivesse uma condição clínica complicada devido à doença crônica, os exames não apresentavam alterações significativas até momentos antes do transplante. “Ela enfrentava complicações graves devido à deficiência enzimática associada à sua condição hepática, mas as alterações nos exames só se tornaram evidentes recentemente”, concluiu Valerini.

A situação atual evidencia não apenas a importância dos transplantes como uma esperança renovada para muitos pacientes em situações críticas, mas também destaca o compromisso das instituições em melhorar cada vez mais suas práticas na área da saúde.

  • Publicado: 13/02/2026
  • Alterado: 13/02/2026
  • Autor: 19/04/2025
  • Fonte: Teatro SABESP FREI CANECA