Represa Billings ganha plano contra mau cheiro e poluição

Governo articula saneamento e fiscalização rigorosa para recuperar a qualidade da água e eliminar odores no reservatório até 2028.

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O governo de São Paulo iniciou a articulação de um plano estratégico para a represa Billings, com foco na eliminação do mau cheiro crônico que afeta a região metropolitana. A iniciativa ganhou força na última sexta-feira (6), após uma reunião decisiva convocada pela Secretaria de Meio Ambiente, Infraestrutura e Logística (Semil) e pela URAE 1 Sudeste.

O encontro reuniu concessionárias, forças de segurança e a sociedade civil para centralizar a gestão do problema. O odor intenso, frequentemente relatado por moradores vizinhos à represa Billings, deriva de falhas estruturais graves. Entre os principais vilões estão o lançamento irregular de esgoto, ocupações desordenadas e a degradação ambiental contínua das margens.

A Semil busca encerrar a fragmentação de esforços. Para isso, o Plano de Ação Integrado une gigantes do setor como Cetesb, Sabesp, Polícia Militar Ambiental, EMAE e a Prefeitura de São Paulo. O cronograma de recuperação da represa Billings prevê medidas escalonadas até 2028, atacando frentes de saneamento, zeladoria e monitoramento da qualidade da água.

Níveis críticos de poluição na represa Billings

Dados técnicos alarmantes nortearam as discussões. O reservatório apresenta concentrações elevadas de fósforo em áreas específicas. Essa substância, proveniente do esgoto doméstico, acelera a eutrofização — processo que multiplica algas e intensifica o cheiro forte.

Em trechos críticos da represa Billings, a carga poluidora supera em até quatro vezes o limite ambiental aceitável. Diante desse cenário, o governo definiu as seguintes prioridades para a primeira fase de intervenção:

  • Foco inicial: Ações concentradas no município de São Paulo.
  • Expansão: Aplicação gradual do programa para outras cidades da bacia.
  • Controle: Monitoramento periódico para ajuste de rotas.

A participação social é um pilar desse processo. Mayara Torres, fundadora do projeto Direito Nosso e moradora de Pedreira, destacou a importância da união entre gestão pública e quem vive o problema diariamente.

“Nós que vivemos a realidade podemos colaborar comunicando a população com uma linguagem acessível o que pode ser feito para minimizar os odores e evitar problemas ainda maiores.”

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Saneamento e fiscalização intensiva

A Sabesp detalhou o cronograma de obras atrelado ao contrato de universalização do saneamento, com meta final para 2029. O plano inclui investimentos pesados em áreas vulneráveis no entorno da represa Billings, visando estancar o despejo de detritos crus na água.

Paralelamente, o “braço forte” do Estado atuará na contenção de invasões. As diretrizes de fiscalização, renovadas em 2023, serão ampliadas a partir de março. A estratégia integra a Operação Integrada de Defesa das Águas (Oida) e o Grupo de Fiscalização Integrada (GFI), coibindo novas ocupações irregulares que degradam a represa Billings.

Roberta Buendia, secretária-executiva da URAE 1 Sudeste, reforça a necessidade de constância. Segundo ela, o enfrentamento do problema exige atuação integrada baseada em dados técnicos sólidos. O modelo MQUAL, que relaciona o uso do solo com a qualidade hídrica, será atualizado para orientar esses investimentos.

Próximos passos e zeladoria

No curto prazo, obras de coleta e tratamento de esgoto já estão em execução desde fevereiro, com previsão de entrega para outubro de 2026. A Prefeitura de São Paulo assume a zeladoria urbana, garantindo a limpeza das áreas públicas nas margens.

A governança do projeto promete ser permanente. Reuniões periódicas definirão responsabilidades claras para acelerar respostas em momentos críticos, como secas ou ondas de calor, que historicamente pioram o odor na represa Billings.

  • Publicado: 03/02/2026
  • Alterado: 03/02/2026
  • Autor: 09/02/2026
  • Fonte: Michel Teló