Repercussão do julgamento de Bolsonaro no STF divide cenário político

Figuras da base bolsonarista e da oposição se manifestaram após as falas de Moraes, ampliando a polarização nas redes e no Congresso

Crédito: Valter Campanato/Agência Brasil

O julgamento do ex-presidente Jair Bolsonaro, juntamente com outros sete acusados de tentativa de golpe de Estado, realizado na terça-feira (2), movimentou não apenas a 1ª Turma do Supremo Tribunal Federal (STF), mas também a opinião pública e o ambiente político. Fora da Praça dos Três Poderes, a repercussão se espalhou com velocidade pelas redes sociais, especialmente na plataforma X, onde hashtags em apoio e em oposição ao ex-mandatário ocuparam os trending topics.

A reação da direita

Entre os principais aliados de Bolsonaro, houve forte contestação ao tom adotado pelo relator do processo, ministro Alexandre de Moraes.

Nikolas Ferreira

Nikolas Ferreira e Bolsonaro
Reprodução

O deputado federal Nikolas Ferreira (PL) fez uma análise sobre a declaração de Moraes, que descreveu os eventos ocorridos em 8 de janeiro de 2023 durante a abertura do julgamento. Em sua postagem, Nikolas comparou a descrição de Moraes à utilização de armamentos pesados, afirmando: “Quem escuta até pensa que é uma AK47, mas só era bolinha de gude e estilingue mesmo”.

O deputado também destacou uma parte da fala de Moraes, que afirmou que “os apoiadores do líder da organização criminosa, Jair Messias Bolsonaro, munidos de artefatos de destruição, avançavam na Praça dos Três Poderes em marcha organizada”.

Damares Alves

Damares - Bolsonaro
Geraldo Magela/Agência Senado

A senadora Damares Alves (Republicanos-DF), presente na sessão da Comissão de Segurança Pública no mesmo dia, utilizou a rede social para anunciar a apresentação da principal testemunha que contestaria as alegações feitas por Moraes. Em um vídeo publicado, ela declarou que o dia do julgamento simboliza “um dia da vergonha, da perseguição e da angústia”.

Bia Kicis

Agência Câmara

A deputada federal Bia Kicis (PL) também se manifestou através da mesma plataforma, afirmando que “pessoas inescrupulosas, que tantas vezes saquearam esta nação, estão em festa”.

As vozes da oposição

Do outro lado do espectro político, a esquerda tratou a sessão como um marco da democracia.

Maria do Rosário

Maria do Rosário e Bolsonaro
Marcelo Camargo/Agência Brasil

No campo contrário, a deputada Maria do Rosário (PT-RS) avaliou o momento como histórico: “Pela primeira vez na história do Brasil, um ex-presidente senta no banco dos réus para responder por tentativa de golpe de Estado”. Para ela, o julgamento reafirma a força da democracia brasileira.

Guilherme Boulos

Divulgação/Senado Federal

O deputado Guilherme Boulos (PSOL-SP) também se manifestou, reforçando que o plano golpista previa violência contra autoridades: “A tentativa bolsonarista planejou assassinar Lula, Alckmin e Moraes. Sem anistia! A PGR tem provas de tudo”.

Pedro Rousseff

Pedro Rousseff
Dara Ribeiro/CMBH

Já o deputado Pedro Rousseff (PT-MG) destacou a contundência da fala de Moraes: “A impunidade, a omissão e a covardia não são opções para a pacificação. Bolsonaro na prisão. Quem não deve não teme. A história é implacável”.

Um país dividido

Entre a narrativa da direita, que enxerga perseguição, e a da esquerda, que defende o julgamento como necessário à democracia, há um Brasil polarizado que acompanha perplexo o embate. O braço de ferro político tornou-se espetáculo público, mas o custo dessa disputa é alto. Quem sente seus efeitos é o povo, que convive com a instabilidade institucional e a incerteza sobre os rumos do país.

O julgamento de Bolsonaro e seus aliados, embora represente um passo no enfrentamento a crimes contra o Estado Democrático de Direito, também evidencia como a democracia brasileira segue tensionada entre extremos. O papel da Justiça, nesse contexto, torna-se vital: não apenas para punir culpados, mas para reafirmar que as instituições permanecem maiores do que os projetos individuais de poder.

No fim, a lição é clara: mais do que a vitória de um lado ou de outro, o que está em jogo é a solidez da democracia. E se ela falhar, quem perde não são políticos ou partidos, mas toda a sociedade brasileira.

  • Publicado: 13/02/2026
  • Alterado: 13/02/2026
  • Autor: 02/09/2025
  • Fonte: Teatro SABESP FREI CANECA