Remuneração dos delegados em SP é a 2ª mais baixa do Brasil
Proposta busca equalizar salários e valorizar segurança pública no estado
- Publicado: 13/02/2026
- Alterado: 19/05/2025
- Autor: Redação
- Fonte: Sorria!,
A Polícia Civil de São Paulo se destaca por sua estrutura organizacional e funcional, mas enfrenta desafios significativos no que diz respeito à remuneração de seus delegados. Um estudo recente, realizado pela Associação dos Delegados de Polícia do Estado de São Paulo (ADPESP), revelou que a remuneração final da classe especial dos delegados é a segunda mais baixa do Brasil, conforme dados atualizados até abril deste ano.
De acordo com a pesquisa, a estrutura salarial dos delegados abrange vencimento base, gratificações e adicionais, porém, mesmo assim, os valores são inferiores aos oferecidos em outras regiões do país. A carreira está segmentada em quatro classes: Terceira, Segunda, Primeira e Especial. Os delegados da Terceira Classe recebem um salário inicial de R$ 15.037,99, enquanto os da classe especial têm uma remuneração de R$ 18.093,57.
No panorama nacional, esses valores colocam São Paulo na 26ª posição entre os estados com a maior remuneração para delegados da classe especial, superando apenas a Bahia, que oferece R$ 13.026,03. Em contrapartida, os estados que oferecem as melhores remunerações incluem Mato Grosso do Sul (R$ 42.994,28), Mato Grosso (R$ 42.471,66) e Paraná (R$ 41.845,48).
O estudo ainda revela que a remuneração inicial para a Terceira Classe posiciona São Paulo na 23ª posição do ranking nacional. Apesar de estar acima de estados como Sergipe e Bahia, os valores estão bem distantes dos salários oferecidos em Mato Grosso (R$ 30.900), Santa Catarina (R$ 27.700) e Mato Grosso do Sul (R$ 27.500).
Ademais, o relatório destaca que 18 estados já oferecem salários superiores ao da classe especial dos delegados em São Paulo no momento da entrada na carreira. O presidente da ADPESP, André Santos Pereira, expressou preocupação com essa disparidade: “A situação atual serve como um alerta urgente sobre os efeitos prejudiciais dessa defasagem na retenção de talentos qualificados e na atratividade dos concursos públicos”, afirmou.
Comparando com outras carreiras jurídicas no estado, a diferença salarial é ainda mais acentuada. Um promotor de Justiça substituto ou um juiz substituto inicia sua carreira com um subsídio de R$ 34.083,14 – quase o dobro da remuneração final de um delegado paulista. O estudo sublinha que todos esses profissionais enfrentam exigências rigorosas semelhantes em termos de formação e aprovação em concursos públicos complexos.
Para mitigar essa disparidade salarial, o parecer sugere a implementação de um regime de subsídio para os delegados da Polícia Civil em São Paulo, onde todos os componentes remuneratórios seriam reunidos em uma única parcela. A proposta sugere que esse subsídio seja fixado em R$ 30.300,00 para a classe especial, valor que ainda estaria abaixo do teto remuneratório do Executivo estadual.
A análise feita pelo Fórum Brasileiro de Segurança Pública (FBSP) indica que as remunerações dos policiais civis no estado estão entre as mais baixas do Brasil. Com um salário médio bruto nacional para policiais civis em torno de R$ 13.342,36 e uma média específica para investigadores em São Paulo de R$ 9.830,92 – classificada como a sétima pior do país – os números evidenciam um cenário preocupante para a segurança pública no estado.
A Secretaria da Segurança Pública se manifestou sobre o assunto afirmando que está comprometida com a valorização das forças de segurança e implementou um reajuste salarial recente que promete superar a inflação acumulada nos últimos anos. Além disso, foram realizados investimentos significativos em infraestrutura e na modernização das unidades policiais.
Com essa proposta e as medidas mencionadas pela Secretaria da Segurança Pública, espera-se que o estado possa reverter esse quadro desafiador e garantir uma melhor valorização dos profissionais responsáveis pela segurança pública em São Paulo.