Remoção de famílias na Favela do Moinho gera protestos e preocupações

Moradores protestam por direitos à moradia em meio a planos de parque urbano

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Na manhã desta terça-feira (22), o governo do estado de São Paulo dará início à remoção de moradores da Favela do Moinho, a última comunidade informal situada na área central da capital paulista. A operação, que se inicia por volta das 7h30, envolve a saída de 11 famílias que optaram por participar de programas habitacionais oferecidos pela Companhia de Desenvolvimento Habitacional e Urbano (CDHU).

A desocupação está inserida em um contexto mais amplo, que inclui a cessão do terreno pertencente ao governo federal. O estado de São Paulo já solicitou oficialmente essa transferência e aguarda a conclusão dos trâmites administrativos. O plano é transformar a área em um parque urbano.

Em uma nota divulgada anteriormente, a Secretaria do Patrimônio da União (SPU) reafirmou que qualquer processo de cessão deve assegurar os direitos de moradia das aproximadamente mil famílias que habitam o local. Além disso, a SPU destacou que não há uma data definida para a cessão do terreno, pois o pedido ainda depende de ajustes no plano de reassentamento elaborado pela CDHU, apresentado em abril deste ano.

As lideranças comunitárias têm demonstrado forte oposição à remoção, organizando protestos nas redes sociais em resposta à desocupação programada. Em ocasiões anteriores, manifestações já ocorreram em virtude da presença da Polícia Militar na favela, com um protesto significativo realizado no dia 18 de abril, que resultou na interrupção temporária dos serviços ferroviários entre as estações Júlio Prestes e Palmeiras-Barra Funda.

Durante esse episódio, os moradores relataram o uso excessivo da força por parte da polícia, incluindo o lançamento de gás lacrimogêneo contra a população local. A Secretaria de Segurança Pública do estado informou que a intervenção policial estava relacionada à prisão de um suspeito de tráfico de drogas.

Os protestos não se limitam à remoção. No dia 15 de abril, uma caminhada pelo centro da cidade reuniu moradores contrários ao projeto do governo estadual para a criação do parque. Durante o ato, os manifestantes foram dispersos pela polícia com bombas de efeito moral.

A gestão estadual defende que as ações visam garantir a segurança dos moradores e destaca que desde o ano passado tem mantido diálogo com a comunidade. De acordo com as informações fornecidas pela CDHU, 86% das famílias já aderiram aos programas habitacionais; 531 delas estão aptas para assinatura de contrato, com 444 já tendo um imóvel definido como destino.

A Favela do Moinho abriga mais de 900 famílias e também possui comércio local, fundamental para a subsistência econômica dos moradores. Além disso, em 2024, a favela foi alvo de uma operação do Ministério Público relacionada ao tráfico de drogas, onde foram identificados vínculos com organizações criminosas e atividades ilegais no local.

O futuro da Favela do Moinho permanece incerto, especialmente à medida que as remoções continuam e os moradores lutam por seus direitos à moradia digna em meio às transformações urbanas propostas pelo governo.

  • Publicado: 11/02/2026
  • Alterado: 11/02/2026
  • Autor: 22/04/2025
  • Fonte: Itaú Cultural