Remando para a Vida reúne pacientes dos CAPS no Parque Estoril
Evento reuniu 200 pessoas para comemorar superação e autonomia de pacientes de saúde mental
- Publicado: 20/01/2026
- Alterado: 14/12/2025
- Autor: Redação
- Fonte: Multiplan MorumbiShopping
A autonomia e a reintegração social ganharam destaque na última sexta-feira (12), em São Bernardo. Cerca de 200 pessoas se reuniram para celebrar o encerramento das atividades de 2025 do projeto Remando para a Vida. O evento, realizado no Parque Estoril, reuniu pacientes dos Centros de Atenção Psicossocial (CAPS), familiares e profissionais da saúde mental em um encontro marcado pela superação.
A iniciativa utiliza a prática esportiva, especificamente a canoagem na Represa Billings, como ferramenta terapêutica. Atualmente, o Remando para a Vida conta com aproximadamente 50 participantes ativos, provenientes de todas as unidades de CAPS do município, promovendo um tratamento que vai muito além das paredes dos consultórios.
O impacto da canoagem na saúde mental
Para muitos usuários, o contato com a água representa um divisor de águas no tratamento. Paulo Amaral, de 33 anos, frequenta o Remando para a Vida há cerca de três anos. Paciente do CAPS Selecta e diagnosticado com borderline (transtorno de personalidade), Paulo relata que o equilíbrio encontrado no esporte foi fundamental para a redução gradual de sua medicação.
Sua evolução foi tão significativa que hoje ele atua como ajudante durante as terapias. Sobre a importância do projeto, Paulo destaca:
“É uma condição que vou conviver para o resto da vida, mas com essa ajuda consigo viver plenamente em paz, feliz, tranquilo. O esporte me ajudou, me salvou, e estar aqui me lembra que eu também posso me ajudar, me salvar, me restaurar.”
A dinâmica do Remando para a Vida envolve alongamentos em grupo seguidos pela entrada na água. Segundo Rosana Costa, educadora do programa, o objetivo central é fomentar a autonomia dos pacientes, trabalhando medos e conexões com a natureza.
“Ajuda com o medo e não é só da água. A gente faz terapia, a natureza também é uma coisa importante. E aí a gente junta as duas coisas: a parte física e mental. A gente vê que com estímulo eles podem fazer qualquer coisa”, explica Rosana.
Inclusão e histórico de sucesso
A barreira de não saber nadar não impede a participação nas atividades. Maria Aparecida Silva Francã, conhecida como Cidinha, de 57 anos, é prova disso. Referenciada no CAPS Rudge Ramos, ela utiliza colete salva-vidas e participa ativamente do Remando para a Vida.
“Eu estava na inauguração do CAPS, fiz até uma comida para todo mundo naquele dia. E aqui no Remando eu gosto muito, participo sempre. Um dia caí na água, mas estava de colete e ficou tudo bem”, relembra Cidinha.
Os benefícios são percebidos de forma imediata pelos praticantes. Alessandro Albaracin Torres, 44, do CAPS Centro, resume o sentimento pós-aula de forma simples e direta: “a cabeça está funcionando certo”.
Fabiana Ramos, coordenadora do Remando para a Vida, ressalta que a iniciativa existe há mais de 10 anos e vive um momento de retomada. Segundo ela, a indicação para a canoagem funciona como uma atividade terapêutica complementar altamente eficaz.
“Os pacientes vem para cá indicados pelos CAPS, como uma atividade terapêutica, que tem efeito muito positivo em praticamente todos os casos, todas as patologias que são acompanhadas. Ajuda a lidar com a depressão, com a tristeza, dá autonomia e um suporte ou às vezes até uma alternativa à medicação, dependendo dos casos”, conclui a coordenadora.
O Remando para a Vida reafirma, assim, seu papel crucial na rede de saúde mental, provando que o esporte e a natureza são aliados poderosos na busca pelo bem-estar.