Relatório da Fenaj aponta queda nas agressões a jornalistas
Relatório revela queda nas agressões a jornalistas no Brasil, mas alerta para a persistência da violência e censura; um chamado à proteção da liberdade de imprensa
- Publicado: 29/01/2026
- Alterado: 20/05/2025
- Autor: Redação
- Fonte: FERVER
A Federação Nacional dos Jornalistas (Fenaj) divulgou nesta terça-feira (20) o Relatório da Violência contra Jornalistas e Liberdade de Imprensa no Brasil 2024, que revelou a ocorrência de 144 casos de agressões a profissionais da imprensa ao longo do ano. Este número representa uma significativa redução de 20,44% em comparação aos 181 registros de 2023, sendo o menor índice desde 2018.
Apesar dessa queda, a presidente da Fenaj, Samira de Castro, expressou preocupação com a persistência da violência contra jornalistas no Brasil. Durante uma audiência pública na Câmara dos Deputados, Samira ressaltou que mesmo com os números reduzidos, os 144 casos ainda são superiores aos 135 reportados em 2018. “A situação permanece alarmante, pois seguimos em um patamar elevado de violações ao direito de informar”, afirmou.
Samira destacou que o aumento da violência contra jornalistas começou a ser mais evidente a partir de 2019, período marcado pelo governo Jair Bolsonaro. Segundo ela, as ações do ex-presidente contribuíram para criar um ambiente hostil à imprensa. “Os discursos que desacreditavam jornalistas e atacavam veículos de comunicação fomentaram um clima beligerante”, acrescentou.
A presidente da Fenaj argumenta que os dados refletem uma cultura de violência enraizada na sociedade brasileira, onde atacar jornalistas se tornou algo comum. Ela enfatizou que críticas à imprensa são válidas, mas muitos ataques provêm de políticos e seus apoiadores que se sentem no direito de ameaçar e agredir profissionais.
O relatório também evidenciou um aumento significativo no assédio judicial, que passou de 13,81% para 15,97% dos casos, totalizando 23 registros. A Fenaj mudou a terminologia de “cerceamento por meio de ação judicial” para “assédio judicial”, visando destacar o caráter abusivo dessas ações, frequentemente motivadas por figuras políticas e empresariais com o intuito de intimidar jornalistas.
Além disso, o documento revelou um aumento alarmante de 120% nos casos de censura, que subiram de cinco para 11 episódios em um ano. Esses casos foram amplamente impulsionados por decisões judiciais e pressões exercidas por agentes públicos. Por outro lado, as agressões físicas diminuíram em 25%, caindo de 40 para 30 registros; no entanto, a Fenaj mantém alerta sobre a gravidade dos episódios, que incluem tentativas de homicídio.
No período eleitoral entre maio e outubro de 2024, houve um aumento notável nos ataques a jornalistas, correspondendo a 38,9% do total registrado ao longo do ano. Julho foi identificado como o mês mais violento. A Fenaj atribui esse aumento à intensificação do discurso de ódio promovido por grupos extremistas.
Geograficamente, a Região Sudeste se destacou com o maior número de incidentes registrados: 38 casos ou 26,39% do total. O Nordeste seguiu com 36 ocorrências (25% do total). As regiões Norte e Sul também apresentaram crescimento nos números absolutos enquanto o Centro-Oeste registrou uma diminuição significativa nos casos.
Os estados com maior número de registros incluem a Bahia (nove), Alagoas e Paraíba (seis cada), enquanto o Maranhão contabilizou quatro ocorrências notáveis. No Sudeste, São Paulo lidera os casos com 23 ocorrências.
A análise dos agressores indica que políticos continuam sendo os principais responsáveis pelas agressões aos profissionais da imprensa em 2024. Foram identificados 48 episódios envolvendo agressões físicas e verbais por figuras políticas durante campanhas eleitorais.
O relatório também chamou atenção para a questão da violência de gênero. Embora as jornalistas mulheres não sejam estatisticamente mais visadas como alvo preferencial, elas sofrem ataques misóginos. Em termos gerais, foram registradas 81 vítimas masculinas e 47 femininas em situações diversas.
Por fim, o documento global alerta sobre a crescente insegurança enfrentada por jornalistas mundialmente; em 2024, foram contabilizados 122 assassinatos de jornalistas em todo o mundo, destacando-se as mortes na Faixa de Gaza. A Fenaj enfatiza a necessidade urgente de medidas eficazes para garantir salários justos e segurança profissional no contexto atual e com as eleições se aproximando em 2026.