Reino Unido envia destróier para proteger o Estreito de Hormuz

O Reino Unido envia o destróier HMS Dragon ao Oriente Médio para garantir a segurança no Estreito de Hormuz e conter a crise de combustíveis

Crédito: Reprodução/Royal Navy UK

O Reino Unido anunciou neste sábado (9) o deslocamento do destróier HMS Dragon para o Oriente Médio. A movimentação militar integra um plano estratégico de proteção ao transporte marítimo no Estreito de Hormuz, região que se tornou o epicentro de tensões logísticas e geopolíticas globais. A decisão ocorre em alinhamento com a França, que já mobilizou um grupo de ataque de porta-aviões para o sul do Mar Vermelho.

Coordenação internacional e crise energética

A iniciativa conjunta entre França e Reino Unido visa restaurar a confiança nas rotas comerciais, severamente afetadas pelo conflito iniciado em 28 de fevereiro. Antes das hostilidades, cerca de 20% do petróleo e gás natural liquefeito do mundo transitavam por Hormuz. A instabilidade na via resultou em inflação global e crises de abastecimento de combustível.

A tensão escalou após o Irã manifestar a intenção de cobrar taxas de trânsito na região, medida que enfrenta forte oposição de Washington sob o argumento da liberdade de navegação. Em represália a ofensivas anteriores, a República Islâmica realizou bombardeios contra embarcações, enquanto os EUA mantêm um bloqueio naval aos portos iranianos desde abril.

Crise de capacidade na Marinha Real

Apesar da mobilização, a capacidade de intervenção do Reino Unido é limitada por uma realidade histórica de redução de ativos. A Marinha britânica enfrenta restrições operacionais severas, reflexo de décadas de cortes orçamentários.

Atualmente, as Forças Armadas do Reino Unido operam com números reduzidos em comparação ao final do século XX:

  • Efetivo Naval: 38 mil militares atualmente, contra 62 mil em 1991.
  • Frota de Escolta: 13 destróieres e fragatas em operação, ante 50 navios deste tipo em 1991.
  • Investimento em Defesa: O gasto caiu de 3,8% do PIB na década de 90 para 2,3% em 2024.

Desafios logísticos e substituição de frota

A ausência prolongada de embarcações britânicas na região contribuiu para o cenário atual. Até dezembro de 2025, o Reino Unido mantinha presença constante no Oriente Médio, interrompida com a saída do HMS Lancaster poucas semanas antes do início dos confrontos com o Irã.

A defasagem ocorre porque fragatas antigas foram retiradas de serviço antes que os novos modelos substitutos estivessem operacionais. Agora, o governo do Reino Unido busca articular, junto a uma dezena de países interessados, uma proposta que garanta a passagem segura pelo estreito, dependendo ainda de uma complexa coordenação diplomática com o governo iraniano.

  • Publicado: 09/05/2026 15:28
  • Alterado: 09/05/2026 15:28
  • Autor: Gabriel de Jesus
  • Fonte: Imprensa internacional