Reinaldo Carneiro Bastos lança candidatura à presidência da CBF em meio a crises internas

Defesa do ex-presidente alega impossibilidade de analisar todo o material disponibilizado pela Polícia Federal em tempo hábil

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O atual presidente da Federação Paulista de Futebol, Reinaldo Carneiro Bastos, anunciou sua candidatura à presidência da Confederação Brasileira de Futebol (CBF) na manhã deste sábado, 17. O pleito está agendado para o dia 25 de maio, e a corrida eleitoral se intensifica em meio a um contexto conturbado.

A CBF se encontra sob intervenção de Fernando Sarney, designado pela Justiça após o afastamento do ex-presidente Ednaldo Rodrigues. A inscrição das chapas candidatas deve ser realizada até o dia 20 de maio, conforme determinação de Sarney.

Em uma nota divulgada nas redes sociais, a Federação Paulista destacou o apoio que Carneiro Bastos recebeu de diversas federações estaduais e clubes das Séries A e B do Campeonato Brasileiro. “A reconstrução da credibilidade do futebol brasileiro exige ação e experiência. Precisamos de uma nova CBF: aberta, moderna, ambiciosa e profissional”, afirmou a nota.

No entanto, a situação na CBF é complexa. O nome de Samir Xaud, atual presidente da Federação Roraimense de Futebol, tem ganhado destaque como potencial candidato à presidência. No último dia 15, um grupo de 19 presidentes de federações estaduais firmou um manifesto pedindo pela “renovação do futebol brasileiro”, contribuindo para um movimento por novas eleições na entidade.

Além disso, questões legais cercam a CBF. O Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro recebeu ordens do Supremo Tribunal Federal (STF) para investigar a possível falsificação da assinatura do coronel Antônio Carlos Nunes de Lima em um acordo que manteve Ednaldo Rodrigues no cargo. A suspeita surgiu após a apresentação de uma perícia que questionou a autenticidade do documento.

Dois pedidos para afastar Ednaldo Rodrigues foram apresentados ao STF, que está analisando a Ação Direta de Inconstitucionalidade (ADI) referente ao processo eleitoral que o colocou na presidência. O ministro Gilmar Mendes, responsável pelo caso no STF, já negou esses pedidos, embora sua relação com a CBF esteja sob escrutínio devido ao seu envolvimento em parcerias comerciais significativas com a entidade.

A revista Piauí trouxe à tona conexões entre a destituição inicial de Ednaldo e influências políticas dentro do sistema judiciário, revelando uma trama que envolve gastos excessivos e práticas autoritárias durante sua gestão. Reportagens anteriores levantaram preocupações sobre pagamentos suspeitos realizados antes de decisões judiciais favoráveis à CBF.

Recentemente, em resposta às controvérsias em torno da sua gestão, Ednaldo se tornou alvo de três denúncias na Comissão de Ética da CBF relacionadas a assédio moral, gestão irresponsável e fraudes potenciais. Sua perda de apoio das federações se tornou evidente apenas 52 dias após sua reeleição.

Enquanto isso, o anúncio da contratação do renomado técnico Carlo Ancelotti para a seleção brasileira é visto como uma manobra política que reforça a posição de Ednaldo na CBF. Contudo, as denúncias e as tensões internas permanecem como desafios significativos para qualquer líder que assumir o comando da confederação nos próximos meses.

  • Publicado: 20/01/2026
  • Alterado: 20/01/2026
  • Autor: 17/05/2025
  • Fonte: Farol Santander São Paulo