‘Rei do ônibus’ cita repasses a políticos do Rio

O empresário Jacob Barata Filho, em seu primeiro interrogatório da Lava Jato revela R$ 6 milhões por mês a Picciani e outros deputados do Rio em dinheiro gerado por caixa 2

Crédito: Tânia Rego/Agencia Brasil

Em seu primeiro interrogatório em um processo da Operação Lava Jato do Rio, o empresário Jacob Barata Filho, que controla grande parte das linhas de ônibus do Rio, disse na sexta-feira, 24, que companhias que integram a Federação das Empresas de Transportes de Passageiros do Estado do Rio de Janeiro (Fetranspor) repassaram dinheiro de caixa 2 a políticos do Estado.

Em depoimento na 7.ª Vara Federal Criminal, ao juiz federal Marcelo Bretas, Barata afirmou que essa “caixinha” chegou a movimentar até R$ 6 milhões por mês. Ele citou como beneficiários dos repasses deputados da Assembleia Legislativa (Alerj), como Jorge Picciani e Paulo Melo, quando os emedebistas presidiram a Casa.

Segundo Barata, a “contribuição” a agentes públicos começou com recursos para campanhas e, depois, evoluiu para “outras contribuições”, que não especificou. “Não posso detalhar essas contribuições porque não era eu que fazia esse trato com agentes públicos. Sabia do caixa e concordava com a utilização desse dinheiro”, disse, respondendo ao juiz federal Marcelo Bretas.

Barata afirmou que a Retranspor resolveu colaborar com as campanhas de políticos porque “o custo de campanha hoje é maior do que um deputado vai ganhar durante todo o mandato dele” . “Todas as empresas que trabalham com o setor público sabem que têm que colaborar com campanhas, caso contrário não trabalham”, disse. No entanto, ao ser questionado por Bretas, ele afirmou não saber se os recursos teriam sido gastos realmente em campanhas de políticos ou para uso próprio.

O empresário contou que o dinheiro desse caixa 2 das empresas de ônibus eram gerados, em um primeiro momento, por recursos obtidos do vale-transporte e, depois pelo Bilhete Único. A primeira forma de pagamento, segundo Barata, gerava 20% da receita do transporte e, com o surgimento do Bilhete Único, passou a ser 80%.

De acordo com o empresário, esta forma de recolhimento de caixa 2 era mais segura do que, se, por exemplo, recolhessem 1% da receita de cada empresa. “Isso evitava que eles não pagassem e se pode fazer de maneira sigilosa”, justificou. Outra medida de segurança para a circulação desses recursos, segundo ele, foi por um sistema “presidencialista” da Alerj. “A partir do presidente, as coisas eram resolvidas, até por uma questão de segurança”, afirmou.

A assessoria de Picciani disse que “o depoimento levanta apenas conjecturas, uma vez que ele não informou que tipo de ajuda o deputado teria dado a ele e ao setor”. A defesa de Melo não se manifestou.

FILHO
Também na sexta, Bretas mandou soltar Felipe Picciani, filho de Jorge Picciani. Felipe foi preso em novembro do ano passado, na Operação Cadeia Velha, sob suspeita de participar de negócios ilícitos do pai.

Bretas considerou que não foram apresentados fatos que justificassem a prisão, e que não foram encontrados, até agora, elementos da participação de Felipe na organização criminosa investigada. O filho de Picciani depôs ao juiz na sexta, e negou todas as acusações.

  • Publicado: 29/01/2026
  • Alterado: 29/01/2026
  • Autor: 25/08/2018
  • Fonte: FERVER